Sandro anuncia ‘atuação dupla’ no Paraná e em Brasília | aRede
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Sandro anuncia ‘atuação dupla’ no Paraná e em Brasília

Confirmado para a pasta de Infraestrutura e Logística, deputado garante que seguirá atuando paralelamente no Congresso Nacional na captação de recursos.

Deputado ainda destacou os trabalhos realizados durante a última gestão.
Deputado ainda destacou os trabalhos realizados durante a última gestão. -

Rodrigo de Souza

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Confirmado para a pasta de Infraestrutura e Logística, deputado garante que seguirá atuando paralelamente no Congresso Nacional na captação de recursos.

O anúncio do governador Ratinho Junior (PSD) de que o deputado federal Sandro Alex (PSD) será o futuro secretário de Estado da Infraestrutura e Logística pegou alguns eleitores de Ponta Grossa de surpresa. Durante entrevista ao Jornal da Manhã e ao portal aRede, Sandro fez questão de tranquilizar a população local de que não deixará de atuar no Congresso Nacional durante o período em que ficará à frente da pasta do Executivo estadual. O deputado ainda destacou os trabalhos realizados durante a última gestão e elencou algumas prioridades para o próximo ano.

Jornal da Manhã: O futuro governador fez uma votação muito expressiva em Ponta Grossa e colocou o senhor, um representante da cidade, em uma das principais secretarias de governo. A relação do futuro governo com a cidade deve ser uma das mais maiores da história?

Sandro: Eu espero que sim. Construímos uma campanha no Paraná todo. Na região fui um dos porta-vozes do processo. Nós inclusive fizemos uma pré-campanha desde 2017 com os espaços democráticos e Ponta Grossa contou com uma das maiores reuniões do Paraná com o futuro governador. Então eu já possuía uma amizade muito grande com o governador e acabei formando uma parceria de propostas. Ele teve uma expressiva votação na região e Ponta Grossa foi muito importante. Mas eu percebi, sendo bem sincero, que ele não escolheu os cargos pelas regiões. Ele escolheu pessoas que acreditam ser próximas e poderiam desempenhar o plano de governo apresentado. Por sorte temos um representante de Ponta Grossa e é claro que isso é importante para a região, mas ele fez uma equipe de governo voltada para o estado como um todo.

É óbvio que a cidade, tendo o maior entroncamento rodoferroviário do Paraná e um dos seus filhos como secretário da pasta de Infraestrutura e Logística, vou fazer o possível para que ela se desenvolva. Sou muito grato pela confiança do governador. Ponta Grossa ficou feliz em ter um representante em uma posição que todas as cidades almejam. Mas esse não foi o objetivo do Ratinho Junior. Ele não se comprometeu a doar cargos. Se comprometeu com o trabalho. E mesmo que eu não tivesse na secretaria – ou que eu volte a ser deputado – ele vai atender Ponta Grossa com toda a atenção necessária.

JM: Uma das marcas do trabalho do deputado está na busca por recursos para a área de infraestrutura. O senhor acredita que esse seja um dos motivos que o levou até a secretaria?

Sandro: É o que eu ouço falar por aí: “se é uma secretaria de infraestrutura e logística, não seria mais lógico ter um engenheiro como secretário?”. Mas o que o governador levou em conta não foi a resolução de problemas de cálculo ou de engenharia, mas sim a eficiência na gestão, na transparência, no compliance e no relacionamento. Ele determinou que pudéssemos implementar um governo mais moderno e comprometido. A infraestrutura é uma prioridade tão grande que ele já tratou até mesmo com o presidente eleito Bolsonaro sobre o assunto, com a chance de um novo modal que passa pelo [Oceano] Pacífico, com um acordo com o Chile através de Antofagasta [cidade litorânea chilena].

Ele me disse que a prioridade será infraestrutura e me incumbiu de tomar todas as medidas necessárias para a realização de projetos – inclusive devo anunciar em fevereiro R$ 200 milhões em obras para o Estado. Vamos colocar uma administração moderna e com parcerias público-privadas, que a Assembleia votou e iremos implementar.  Queremos tirar a visão de que isso não é benéfico e mostrar que, se for feita de forma correta, ela é vantajosa. Temos áreas importantes dentro da nossa pasta, com o terceiro maior orçamento do Estado, atrás apenas de Educação e Saúde, garantidos por lei.

JM: Como o senhor recebeu algumas informações de que Ponta Grossa estaria perdendo um deputado federal como representante?

Sandro: Gostaria de deixar claro aos leitores que me sinto deputado e vou tomar posse normalmente no dia 1º de fevereiro. O que acontece é que irei me licenciar do cargo, mas vou continuar atuando como deputado. Quando recebi o convite, fiz questão de aceitar somente depois que conversei com algumas lideranças, como o próprio presidente Jair Bolsonaro e o Onyx [Lorenzoni], meu amigo. Então terei a Esplanada comigo, com uma abertura muito grande e importante. E também pedi ao meu suplente em Brasília toda a estrutura necessária para manter o atendimento aos prefeitos da região e dos municípios que represento. Ponta Grossa não perdeu um deputado, mas sim ganhou um secretário.

Eles vão continuar sendo atendidos porque temos um número muito grande de recursos para liberar, como os já garantidos em orçamento por emendas impositivas. Estes recursos pertencem aos meus eleitores. Vou continuar atendendo esses anseios. Há também o comprometimento do meu suplente com assuntos importante em nível nacional, como a questão do foro privilegiado e as medidas de combate à corrupção. Além disso, posso retornar a qualquer momento.

Hoje, ser deputado e secretário de Estado pode e deve ser um privilégio de Ponta Grossa. Fui escolhido pelo governador e meus eleitores também simpatizam com o nome do Ratinho Junior porque foram eleitores dele. Então ela soma só vai agregar valor à cidade. Tenho orgulho de terminar meu mandato entre os mais bem avaliados do país. O tempo vai mostrar que essa escolha foi boa para a cidade. Irei realizar projetos, encaminhar obras e continuar como deputado, e quem sabe até voltar se for necessário. Trato isso com muito respeito e seriedade porque não foi uma decisão fácil. Pensei por semanas. Acredito que a cidade não teve uma secretaria desde porte nos últimos anos, então não é qualquer coisa.

JM: Como o deputado avalia o trabalho realizado em Brasília em meio às decisões importantes do mandato no âmbito nacional?

Sandro: Não foi um mandato fácil. Foi extremamente complexo. Tivemos um entendimento e o Supremo [Tribunal Federal] confirmou, além de autos de fiscalização e controle, sobre o impedimento. As urnas confirmaram também na sequência e trouxeram a verdade. Tivemos também a cassação do Eduardo Cunha que foi onde me projetou para o Brasil, já que fui o vice-presidente do conselho. Na minha opinião também tive um voto coerente em relação às denúncias contra Michel Temer. Isso me custou um pouco caro por ser de um partido da base do governo, mas mantive minha convicção. Sou também autor da lei que faz com que o condenado em 2ª instância perca automaticamente o mandato. Sou o autor e quero que o projeto continue em votação. Vou tomar posse no dia 1º [de fevereiro], darei continuidade aos projetos e depois me licencio para o cargo de secretário.

Termino o mandato como o parlamentar com o maior volume de recursos – inclusive pagos – para os Campos Gerais. Tenho um comprometimento muito grande com quem eu represento. Acompanhei os prefeitos pessoalmente nos ministérios, atuando para liberar os recursos. E vou levar tudo isso como secretário. Trabalhar ao lado do governador para uma administração transparente e enxuta. Se você analisa que ele diminuiu as secretarias para 14, percebe a importância de cada uma delas. É um governo que começa comprometido e sabe da responsabilidade.

Recentemente tive um certo desentendimento com a transição porque o atual governo assinou um contrato de R$ 400 milhões para o porto. Acredito que poderia ter esperado e ter conversado com o nosso governo. Espero ter no Executivo um amplo diálogo, já que tenho franqueza e estou de peito e coração aberto.

JM: O deputado deve ser o responsável pelo processo de encerramento dos atuais contratos de pedágio. Como vem trabalhando e avaliando esta questão?

Sandro: O governador tem uma decisão já anunciada em que ele discorda sobre a renovação automática e a manutenção dos contratos como estão. Temos um preço alto e um contrato feito há algumas décadas, e que hoje necessita de mudanças e de um amplo debate. Vamos apresentar um novo modelo aos paranaenses e também discutir com o governo federal sobre a delegação das rodovias ao Estado. Queremos um contrato mais vantajoso, transparente que haja uma clareza nos investimentos, além preço que pode e deve ser condizente. Isso tem que ser feito com uma discussão transparente com os paranaenses.

Mas a decisão não cabe agora. Temos alguns anos e isso será divulgado e debatido. Mas tenho certeza que vai se encaminhar para um novo modelo que vai ser muito mais vantajoso para os paranaenses. Não vamos tratar o assunto com populismo ou demagogia. Ratinho não fez nenhuma promessa em campanha baseada nestes dois pilares. É com seriedade que vamos tratar. Vamos aplicar um compliance, relacionamento sério, moderno, honesto e que inclusive resulte em uma aplicação dos valores e recolhimento melhor de compromissos que [as concessionárias] tenham.

JM: Que recado o deputado deixa para os eleitores que confiaram no seu nome durante as eleições?

Sandro: Quero agradecer à confiança dos ponta-grossenses. Meu maior desafio é fazer com que as pessoas continuem tendo seu deputado atuante e ao mesmo tempo ganhem um secretário que pode transformar e fazer obras estruturantes que fiquem para as próximas gerações. Isso é um motivo de orgulho, e quero se orgulhem de um presenteaste no primeiro escalão e que construiu isso com confiança junto ao governador no plano que começamos há muitos anos e que foi vitorioso já no primeiro turno. Garanto que as pessoas vão continuar semanalmente com notícias da minha atuação no Congresso Nacional. 

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