Legistas de Curitiba vão reforçar plantão no IML de PG

Nessa semana, um acidente trágico ocorrido na rodovia BR-373 vitimou o engenheiro agrônomo ponta-grossense Luiz Alberto Guebur Dalzoto, de 54 anos, e evidenciou um antigo problema no Instituto Médico Legal (IML) de Ponta Grossa: a falta de profissionais para o bom funcionamento do órgão. O corpo de Dalzoto foi encaminhado ao IML que, sem atendimento de médico legista, não poderia fazer a liberação para que os familiares fizessem o velório.
Há tempos o Jornal da Manhã mostra o caso de muitos familiares de vítimas que precisam passar madrugadas diante do IML de Ponta Grossa. Mesmo atendendo a 31 municípios, e uma população estimada de 900 mil pessoas, o órgão possui apenas três médicos legistas, quando o ideal seriam nove. Em pelo menos dois dias da semana, não há legista, e uma médica responsável pelo plantão está afastada do trabalho por problemas de saúde.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária (SESP) declarou, apenas, que “está buscando alternativas para recompor o quadro de médicos-legistas e, de imediato, foi implantada uma escala especial com profissionais de Curitiba para reforçar o atendimento no IML de Ponta Grossa”. Aparentemente, não há previsão para contratação de novos profissionais, nem solução para o problema que vem sendo relatado há, pelo menos, 10 anos.
Levantamento feito pelo JM apontou que, pelo IML de Ponta Grossa, passaram 692 corpos resultantes de mortes violentas ocorridas nos municípios da região, em 2014. O número é considerado alto, corresponde a quase dois cadáveres por dia, muitos dos quais acabam “estocados” aguardando autópsias ou são enviados a Curitiba. Não há indicativo de que seja ampliada a escala de plantonistas. O Ministério Público já abriu inquérito para apurar a falta de legistas no IML, mas isso foi em novembro, e até agora não houve qualquer mudança.
Sem médicos legistas, o corpo de Luiz Dalzoto seria transladado para Curitiba. Mas, representantes políticos do município entraram em contato com autoridades da SESP. Com isso, um dos delegados da 13ª Subdivisão Policial entrou em contato com o médico que havia se demitido do cargo e ajustou um termo para que o profissional fizesse os laudos e liberasse o corpo do engenheiro e de outra pessoa vítima de acidente de trânsito. No entanto, na maioria dos casos, a liberação de corpos pode demorar até 12 horas. Os vereadores George Luiz de Oliveira (PMN) e Valter de Souza (PROS) estão exigindo respostas imediatas da prefeitura e do Governo do Estado.
AMCG exige solução rápida para a falta de profissionais
O presidente da Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG), Osmar Blum, considera imenso o transtorno causado pela falta de profissionais no IML de Ponta Grossa. “Às vezes demora 24 horas para a liberação de um corpo. Se analisarmos, os poucos médicos que atuam no local até fazem demais, diante de tanta demanda. Não sei se isso é decorrente da falta de profissionais interessados em trabalhar no local. Acho que o Governo precisa explicar melhor qual é o problema, para que possamos achar uma solução”, diz.
Informações do Jornal da Manhã.





















