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Péricles organiza oposição para disputar a Prefeitura

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Gabriel Sartini

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Reeleito à Assembleia Legislativa do Paraná com quase 50 mil votos, o deputado estadual Péricles Holleben de Mello (PT) pretende reestruturar o PT em Ponta Grossa e região e formar uma frente partidária com o apoio do PCdoB. O objetivo é fortalecer o deputado federal Aliel Machado (PCdoB) na disputa pela Prefeitura de Ponta Grossa, em 2016. Em entrevista ao Jornal da Manhã, Péricles expõe as estratégias para as eleições municipais, além de revelar a articulação do PT para a Mesa Executiva da Assembleia. O parlamentar defende, ainda, a retomada das discussões da Região Metropolitana dos Campos Gerais e prioriza o potencial cultural e turístico dos municípios do Centro-Sul para os próximos quatro anos de mandato.

Jornal da Manhã: Qual sua avaliação dos últimos anos de Alep? Houve avanços na política paranaense ou retrocessos?

Péricles Holleben de Mello: Na Alep houve avanços em dar transparência ao trato da coisa pública e austeridade nos gastos. A relação entre os diversos gabinetes e a Mesa da Casa passou a ser mais equitativa. Em termos gerais, acredito que as pessoas estão mais interessadas em política, discutindo mais e cobrando seus representantes, portanto, há um avanço. Por outro lado, há um processo intenso, comandado por setores mais conservadores da sociedade civil e da grande mídia, que apequena, criminaliza e despolitiza a política - o que é muito ruim.

JM: Qual será a prioridade do deputado neste quinto mandato na Assembleia Legislativa?

Péricles: Ponta Grossa, Campos Gerais e outras regiões que represento são as minhas prioridades. Na Alep sou presidente da Comissão de Cultura e secretário do Conselho Parlamentar da Cultura da Paz e vou continuar me dedicando a trabalhos nessas áreas. Temos ações importantes na Educação, na Saúde e na Segurança Pública. Construí forte ligação com a agricultura familiar, comunidades tradicionais e pescadores artesanais do Litoral. Vou continuar trabalhando pela implantação da Região Metropolitana de Ponta Grossa e Agência de Desenvolvimento dos Municípios dos Campos Gerais. Nos dois primeiros anos do novo mandato terei como uma das prioridades organizar e reestruturar o PT em nossa região e criar uma frente popular, tendo como aliados estratégicos o PCdoB e outros partidos que comungam os mesmos ideais. O objetivo é participar do pleito de 2016 com candidaturas competitivas. Em Ponta Grossa defenderei junto a meu partido à candidatura de Aliel Machado à Prefeitura. É evidente que a consolidação dessa proposta depende, em primeiro lugar, do aval do próprio Aliel e do PCdoB.

JM: Como o PT está se articulando para a presidência da Alep? Terá candidato a algum posto da Mesa?

Péricles: O PT ainda está discutindo essas questões. Mais de 80% dos deputados pertencem à base do governo, o que pode levar à constituição de uma chapa única para a Mesa da Casa. Se isso acontecer, defendo que o PT participe da Mesa, como já aconteceu em outras ocasiões. O deputado Plauto já anunciou sua candidatura à presidência e se tiver o aval do meu partido, meu voto será dele. Acredito que isso irá fortalecer nossa região.

JM: Como um dos coordenadores da campanha da Dilma na região, como o senhor avalia a disputa?

Péricles: Acredito que conseguimos uma boa votação, aumentando de 31% em 2010 para 34% agora, principalmente se levarmos em conta que tanto Ponta Grossa quanto o Paraná são administrados por partidos de oposição ao governo federal.

JM: Tanto em nível federal quanto estadual, houve redução nas bancadas do PT. O senhor acredita que isso se deve às campanhas ou existe um desgaste no partido?

Péricles: Em nível federal o PT continua com a maior bancada no Congresso, ainda que menor em relação a essa legislatura. Na Alep, o número de petistas diminuiu de sete para três, mas nossa coligação elegeu oito deputados. Se o PT tivesse saído com chapa pura, elegeríamos cinco estaduais. Acredito que o PT, em que pese os 12 anos de governo, uma oposição midiática sistemática e cruel e os graves erros cometidos, continua vigoroso.

JM: No pós-eleição, o Governo Federal passa por uma série de reestruturações, com a saída de alguns ministros marcada por críticas a gestão atual, como é o caso mais recente da Marta Suplicy. Existe um racha no partido, entre grupos mais próximos a Dilma e outros ligados ao Lula? O PT passa por uma crise interna?

Péricles: Esse é um tema complexo que mereceria uma grande reflexão. Nenhum dos grandes partidos é homogêneo. Em todos há divisões. Mas acredito que esse dualismo pregado pela grande mídia entre grupos que apoiam Lula ou Dilma não faz sentido. Lula foi o grande apoiador de Dilma e percorreu todo o país pedindo votos. Não há nenhuma crise grave entre eles.

JM: Ainda no pós-eleição, algumas medidas criticadas por Dilma durante a campanha estão sendo realizadas pela própria presidenta, como o aumento no juros pelo Banco Central, o aumento nos combustíveis, etc.. Qual é a opinião do senhor sobre isso?

Péricles: A política econômica tem um programa e uma metodologia que está sendo seguida desde o início do governo. Isso explica a alta dos juros neste momento. O aumento dos combustíveis estava programado e foi menor do que o esperado. O essencial, tanto do programa que vem sendo efetuado e do futuro governo, é garantir o emprego, a continuidade da elevação do poder de compra dos salários e a distribuição de renda. As medidas estruturais para que a economia brasileira supere esta fase difícil estão sendo tomadas.

JM: Em relação a Ponta Grossa e região, quais são os setores prioritários que devem ser atendidos pelos governos (federal e estadual)?

Péricles: Nossa região é riquíssima em História e recursos naturais. Tem uma beleza cênica única e isso precisa ser melhor aproveitado. Nossa tradição econômica e posição geográfica nos dão muitas possibilidades e é preciso ter um trabalho conjunto para que tudo isso seja aproveitado devidamente. Então diria que devemos trabalhar para reforçar nossa industrialização e adequá-la às nossas vocações. Reforçar o Turismo e garantir recursos para que nossa educação possa formar os jovens para aproveitar esse potencial econômico. Nesse sentido, tenho defendido melhorias para nossa infraestrutura tanto na minha atuação durante a CPI do pedágio como nas cobranças junto aos governos Estadual e Federal. Espero que o novo governo Dilma ajude ainda mais nossa cidade e região a resolver as graves questões que afetam nosso sistema de saúde.

Informações do Jornal da Manhã.

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