Skinheads são julgados por crime contra a vida
Grupos é acusado de tentar matar punk no Calçadão a facadas. Crime aconteceu em 2012.

O Tribunal do Júri de Ponta Grossa iniciou o julgamento de um grupo de skinheads acusados de tentativa de homicídio e ameaça. Antonio Carlos Lopes Skrenkovicz, Edson Felipe Junior e Paulo Cesa Mohylski são julgados por tentativa de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e meio que dificultou a defesa da vítima).
Em 2012, eles teriam participado do espancamento de Everton Ribeiro Silva no Calçadão de Ponta Grossa. Everton era simpatizante do movimento 'punk' e, segundo as investigações, "foi derrubado com chutes desferidos pelos ora denunciados, sendo que estes nas sequencia golpearam com faca as costas (região vital) da vítima, além de darem vários chutes e socos por todo o corpo, somente não logrando êxito no resultado morte por circunstâncias alheias às suas vontades".
O crime aconteceu após uma briga entre punks e skinheads no Sexta às Seis, no dia 18 de maio de 2012. Um dos membros do grupo de skinheads teria sido agredido no Parque Ambiental e, para vingar o companheiro, o restante da gangue foi atrás dos punks.
Conforme a denúncia apresentada à Justiça, o crime teria sido motivado por ódio e vingança. "Os denunciados pregam o extermínio ao movimento do qual a vítima faz parte, sendo este o principal motivo para atacarem Everton", indicou o Ministério Público.
Antonio Carlos Skrenkovicz e Axel Leonardo Ramos - o quarto membro do grupo - também é julgado por ameaça a testemunhas. Durante as investigações, eles teriam ameaçado de morte Everton e também outras testemunhas do caso.
Ameaças
O Portal aRede conversou com uma das testemunhas que presenciou as ameaças e também foi vítima do grupo. Sem se identificar, o rapaz conta que, ainda antes da tentativa de homicídio de Everton, os skinheads ameaçaram ele de morte por causa da sua religião judaica. "Ele se aproximou de mim e disse: Você sabe quem eu sou? Falava isso enquanto chegava corpo a corpo, praticamente cuspindo em minha cara. Dava para sentir o cheiro fétido dele, com uma das mãos empunhava um soco inglês. Ele, aos gritos, dizia: aqui é Skinhead, odiamos judeus imundos, volta para os campos de concentração seu judeu. Uma das palavras mais chocantes, após me humilhar, foi o momento em que disse 'Você quer reagir? Eu não estou sozinho estou com eles', enquanto olhava para os demais que estavam em pé em uma rodinha a poucos metros de onde estávamos", disse.
Núcleo Neonazista em Ponta Grossa
O grupo de neonazistas foi desarticulado pelo delegado Marcus Vinicius Sebastião no dia 14 de agosto de 2012, em uma operação da Polícia Civil. As investigações desvendaram a formação de um núcleo de skinheads com ligações a células neonazistas no Rio Grande do Sul e outros estados. Em uma casa no Núcleo Santa Terezinha, os policiais apreenderam objetos usados na agressão a Everton e uma série de materiais em apologia à ideologia nazista, como socos-ingleses, punhais, cartas e anotações com referências ao nazismo, suásticas, capas e coturnos. "Numa máquina fotográfica, foram encontradas fotos de um dos suspeitos com o corpo flagelado. Nas residências foram encontradas ainda imagens e símbolos do nazismo, além de uma revista sobre matadores em série", divulgou a Polícia Civil na época.
Nesta ocasião, o delegado indiciou Axel Ramos e de Edson Felipe Junior, vulgo 'Capeta', e pediu a prisão preventiva deles. O pedido foi negado.
Morte em São Paulo
Axel foi preso no município de Rio Claro, em São Paulo, no ano de 2013. Ele havia deixado Ponta Grossa depois da agressão no Calçadão. No entanto, o rapaz, com 21 anos na época, continuou em grupos neonazistas. Ao lado de mais dois skinheads, ele espancou o idoso Benedito Oliveira, de 71 anos. O crime teria sido motivado por racismo.
Por este crime, Axel foi condenado a 15 anos de prisão em 2015. O julgamento aconteceu no Fórum de Rio Claro. Outro ponta-grossense, Helcio Alves Carvalho, também participou do homicídio e foi condenado a 14 anos.
Associação criminosa
Apesar do farto material nazista apreendido pela Polícia Civil, a Justiça desconsiderou a denúncia por associação criminosa e não incluiu a apologia ao nazismo no processo. Nesta terça-feira (5), o julgamento é apenas por tentativa de homicídio duplamente qualificada e ameaça.





















