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Ação liberta trabalhadores de PG de serviço escravo

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Gabriel Sartini

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Paulo Cordeiro tem 49 anos e a trajetória marcada por uma triste experiência vivenciada na cidade de Anaiândia, no interior de São Paulo. O vigilante integra o grupo de 32 trabalhadores de Ponta Grossa expostos a condições semelhantes ao trabalho escravo durante o ano de 2006 – na época, o caso foi revelado por uma equipe da Rede TV e chocou o país. Os trabalhadores ponta-grossenses foram atraídos por propostas ilusórias feitas por uma agência de emprego da cidade e hoje lutam para conseguir uma indenização na Justiça.

No último dia 31 de outubro, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a condenação contra o fazendeiro que teria exposto os trabalhadores as condições desumanas. Segundo Paulo, que estava desempregado quando decidiu aceitar a proposta da fazenda cafeeira, a condição de trabalho inadmissível. “Eles nos prometeram um salário de R$ 1200,00 a R$ 1500,00 na época, mas nunca ganharíamos isso. Trabalhávamos 12 horas por dia, vigiados por gente armada, e nosso salário não passava de R$ 300,00 ”, contou Paulo.

O grupo foi recrutado pela Agência Cidade, em Ponta Grossa – o nome da responsável, Noemi Celina Bahr, é citado na decisão do TST, mas ela não foi encontrada para comentar o caso. De acordo com informações do despacho do Tribunal, a Agência Cidade teria intermediado o contato entre os trabalhadores que foram enganados e os responsáveis pela fazenda. Uma representante da Agência Cidade teria acompanhado o grupo de trabalhadores de ônibus até o interior de São Paulo e testemunhado as condições degradantes da fazenda – ninguém foi encontrado na empresa para comentar a situação.

Se por um lado as promessas eram amplas por parte dos empregadores, a condição encontrada pelos trabalhadores recrutados em PG foi degradante. No local, haviam apenas colchões velhos e sujos (nada parecidos com o alojamento padrão prometido), um banheiro para as 32 pessoas e um chuveiro apenas com água fria. “O salário diário não ultrapassava R$ 15. Além de descontos com alimentação e a pressão feita pelos patrões para que a gente colhesse cada vez mais café”, revela.

Advogado briga na justiça por indenização

Valdemiro Facin Lanzarin é o advogado que representa os 32 trabalhadores vítimas dos fazendeiros do interior de SP – um dos envolvidos no caso faleceu no último mês. Lanzarin conta que o primeiro pedido era de R$ 4 mil de indenização por danos morais para cada trabalhador.

“A empresa recorreu e atualmente o TST estimou uma indenização de R$ 2 mil para cada trabalhador exposto à situação”, contou Fancin. O processo ainda tramita na sede do TST e do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) em São Paulo – os fazendeiros ainda devem tentar recorrer da condenação.

Informações do Jornal da Manhã.

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