Justiça suspende débitos de dívida da Prefeitura com INSS
Vara Federal concedeu mandado de segurança impedindo que a Receita Federal debite novos valores do repasse do FPM ao Município
Em decisão da 2ª Vara Federal de Ponta Grossa, o juiz Antonio César Bochenek concedeu liminar no mandado de segurança impetrado pelo Município, impedindo que a Receita Federal debite novos valores do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) a Prefeitura de Ponta Grossa, referente à dívida da Prefeitura com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A prefeita interina, Elizabeth Schmidt (PSB) e procurador geral, Marcus Freitas, visitam a redação do Jornal da Manhã e do portal aRede para comentar o assunto (assista no player acima).
Apesar do parcelamento da dívida total estar em dia, a Prefeitura não tem conseguido realizar o pagamento integral da cota patronal do benefício. Há duas semanas, o Município de Ponta Grossa teve debitado de suas contas o valor de R$ 2,6 milhões. O recurso foi debitado do repasse na primeira cota de maio do FPM e exigiu da Prefeitura uma reorganização do orçamento de maio para garantir os pagamentos previstos.
“Estamos hoje com os quatro parcelamentos dessa dívida regularmente em dia, sendo que a nossa dificuldade está em pagar integralmente o valor da cota patronal, o que resultou nesse sequestro. Como o valor bloqueado não foi suficiente para saldar todo o débito e havia possibilidade de novos e sucessivos sequestros, nosso temor era o risco à economia pública e a descontinuidade de serviços públicos, considerando que o valor sequestrado foi abusivo e violou os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Esse bloqueio representou mais de 51% dos valores brutos recebidos pelo município, interferindo nos investimentos mínimos em Saúde e Educação”, defendeu o procurador geral, Marcus Freitas.
Mesmo diante dessa decisão, ainda deve ser discutido em juízo o crédito do Município junto a Previdência Social, a respeito do imóvel onde está instalado o INSS, no bairro da Ronda. “O imóvel não foi compensado da dívida histórica que o Município tem a Previdência Social. Mas esta liminar é extremamente positiva, porque já reconhece que há uma pendência na compensação deste imóvel com o débito da Prefeitura”, destaca Freitas. A decisão da justiça também indica que haverá designação de audiência de conciliação entre os envolvidos, com o objetivo de promover a solução do conflito, onde também será discutido o pedido de devolução dos valores já bloqueados.
O procurador geral destacou ainda o trabalho realizado pela equipe da PGM em conjunto com a Secretaria Municipal da Fazenda. “Foi um trabalho de muito fôlego, uma equipe que passou os últimos dez dias empenhada em levantar toda a documentação necessária para fundamentar esse mandado de segurança. Esta decisão favorável ao Município, que nos passa uma segurança muito grande, é resultado do trabalho e esforço conjunto destes servidores”, avaliou ele.
Elizabeth destaca ações para cuidar da cidade
Durante a sabatina, a prefeita interina de Ponta Grossa destacou as medidas adotadas para garantir o abastecimento do município e também os serviços urgentes. “Comandar uma cidade não é só pensar nos serviços da Prefeitura, mas sim da cidade como um todo”, contou Elizabeth Schmidt (PSB). A prefeita interina destacou o decreto que regulamentou a venda de gasolina e etanol na cidade, colocando limites nos valores adquiridos pelos consumidores, e também nas ações no transporte coletivo e na suspensão do Estacionamento Regulamentado. “Adotamos medidas internas e que estavam dentro da nossa responsabilidade para garantir o bom andamento da cidade, mesmo diante da falta de abastecimento”, contou a vice-prefeita.
Dívida
A Prefeitura de Ponta Grossa possui com a Previdência Social uma dívida de quase 30 anos, totalizando cerca de R$ 160 milhões, estando todo este valor parcelado através de programas que o Governo Federal ofertou aos municípios e empresas. O pagamento destes parcelamentos está em dia, o que o Município não está conseguindo cumprir é 100% do pagamento do INSS da cota patronal. Do total de R$ 7 milhões mensais de INSS, R$ 2 milhões já são descontados em folha, enquanto os R$ 5 milhões referentes à cota patronal não tem sido recolhido integralmente. Hoje o Município paga 60% mensalmente da cota patronal de INSS, ficando os 40% restantes como inadimplente.
Com informações da assessoria.





















