‘Cenoura’ deve ser candidato oficial do governo na Câmara

Ao que tudo indica, o vereador licenciado Valdenor Paulo Cenoura será o candidato oficial do governo na disputa pela presidência da Câmara Municipal de Ponta Grossa. Cenoura é coordenador regional do Solidariedade (SD) e, desde abril deste ano, trocou a cadeira no Legislativo para integrar o “pelotão de elite” do prefeito Marcelo Rangel (PPS) como secretário municipal de Meio Ambiental.
Agora, entretanto, o parlamentar estaria imbuído de outra missão no intuito de fortalecer a sustentação política de Rangel: retornar à Câmara para assumir o comando da Casa e, mais do que isso, buscar a aproximação do governo com os mais ferrenhos oposicionistas no Legislativo. Ou seja, Cenoura não apenas voltaria à Câmara para participar da escolha da nova mesa executiva da Executiva da Casa, mas com o desafio de tornar-se o novo presidente. Para reforçar essa ofensiva na Câmara, o prefeito Rangel teria escalado ninguém mais que o seu líder no Legislativo, vereador Romualdo Camargo (PSDC), para fazer a retaguarda e garantir o êxito de Cenoura. Até agora, Romualdo não pronunciou-se publicamente sobre a investida do governo. Mas, nos bastidores, as conversações parecem avançar fortemente neste sentido.
A aposta do governo na candidatura de Cenoura à presidência da Câmara tem os seus motivos. O vereador do Solidariedade, mesmo sendo homem de confiança do prefeito, a ponto de integrar sua equipe de primeiro escalão, possui fortes relações de amizade e diálogo aberto com vereadores da oposição. Dentre os nomes mais próximos de Cenoura estão, por exemplo, o do líder do SDD na Câmara, professor Careca; do líder da bancada evangélica, Pastor Ezequiel (PRB); do atual presidente Aliel Machado (PC do B), e do vereador Aguinel Batista, também do PC do B. Esse grupo estaria coeso.
Com apoio de Rangel e também de importantes integrantes da bancada de oposição, o nome de Paulo Cenoura se fortalece, a ponto de se sobressair à pré-candidatura à presidência articulada pelo vereador Márcio Schirlo, líder do PSB na Câmara. Schirlo sempre contou com o apoio de Cenoura. Mas, com a emergência de um novo grupo, ele ficaria muito enfraquecido, podendo contar, certamente, apenas com os votos de seu companheiro de partido, Maurício Silva, e de Antônio Laroca Neto (PDT), que declarou apoio publicamente. Restaria a Schirlo apoiar a candidatura de Cenoura, ou então tentar viabilizar uma carreira solo.
Sendo o candidato oficial do governo municipal, caso isso venha a se confirmar, Paulo Cenoura terá a chancela do prefeito para buscar também a unificação e fortalecimento de sua base na Câmara. Na prática, isso quer dizer que Cenoura teria que convencer outros pretensos candidatos à presidência a desistirem de suas candidaturas em favor da unidade do governo. Tarefa difícil, já que dentre esses pré-candidatos está o ex-presidente da Câmara, Sebastião Mainardes (DEM), que tem contado com o apoio e o prestígio do deputado Plauto Miró Guimarães (DEM) para arregimentar apoiadores.
A eleição para escolha dos novos integrantes da mesa executiva da Câmara Municipal de Ponta Grossa está prevista para a segunda semana de dezembro. Até agora, publicamente, Marcelo Rangel não assumiu nenhum posicionamento sobre a disputa, dizendo que ficará isento no processo eleitoral do Legislativo. Mas o fato de um vereador da base governista (Cenoura), que hoje ocupa o cargo de secretário de Meio Ambiental, ser apontado como candidato à presidência com o apoio do líder do governo na Câmara (Romualdo), indica que, mesmo distante dos holofotes, o Executivo atua forte nos bastidores para arregimentar os que hoje estão em outras trincheiras.





















