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Aliel busca ampliação dos repasses à região

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Gabriel Sartini

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Eleito com 82 mil votos, deputado federal Aliel Machado (PCdoB) acredita que alinhamento com presidente Dilma Rousseff (PT) vai favorecer Ponta Grossa e região nos programas do Governo Federal. Investimentos na saúde e transporte público são prioridade do parlamentar, que cobra a implantação do ‘Mais Especialidades’ já no próximo ano. Em entrevista ao Jornal da Manhã, Aliel destaca também a disputa do segundo turno, da qual foi coordenador da campanha petista nos Campos Gerais, e comenta a sua participação nas próximas eleições pela Prefeitura de Ponta Grossa.

Jornal da Manhã: Com a definição da disputa pela Presidência, já começam as discussões sobre a atuação dos deputados no Congresso Nacional. No seu caso, como a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) impacta no seu mandato de deputado federal?

Aliel Machado: O Governo Federal tem muitos projetos de aplicação e desenvolvimento no país, se você tem uma ligação mais próxima ao governo você consegue facilitar e desburocratizar essas ações para a vinda à cidade. Por exemplo, a nossa cidade tem um índice muito alto de falta de pavimentação, um índice muito alto de jovens desempregados, então, para vinda de mais vagas do Pronatec, com mais opções de curso, para a vinda de mais casas pelo Minha Casa, Minha Vida, entre outros programas, é preciso ter essa relação com o governo. O Mais Especialidades, a presidenta Dilma assumiu um compromisso com os médicos especialistas, a vinda disso para Ponta Grossa depende de um deputado federal alinhado ao governo, e isso eu já vou buscar de início.

JM: E qual será a primeira ação em Brasília?

Aliel: A minha primeira ação no Governo Federal vai ser dentro deste programa Mais Especialidades. Quando ele for aplicado – e vou exigir que ele seja implantado a partir de 2015 – quero que Ponta Grossa receba junto com a região o maior número de profissionais para atender estas especialidades.

JM: Você fez frente à campanha do PT à Presidência, no segundo turno. O que você espera dos próximos quatro anos do governo Dilma?

Aliel: Em nível nacional, eu penso que o Governo Federal tem que atender a demanda que a população levantou, tem que ter mudanças e coerência. É preciso acabar com estas questões duvidosas em relação à aplicação do dinheiro público, tem que fazer o que está se fazendo, deixa a Polícia Federal investigar, quem deve tem que ser punido, quem rouba tem que ir para a cadeia e jamais prejudicar qualquer investigação. O governo tem que fazer uma renovação de alguns quadros, ter uma participação mais forte da população, ter diálogo com a oposição, priorizar mais a saúde, cumprir com o 10% do PIB para a educação. Em Ponta Grossa, tem que se fazer o que está se fazendo também. Aqui está sendo feito muita coisa, que não pode parar.

JM: Outra questão bastante comentada, e que norteou o discurso de reeleição da Dilma, é a reforma política através de um plebiscito popular, que logo na retomada das atividades do Congresso foi alvo de resistência e críticas. Qual é o seu posicionamento sobre a reforma? O plebiscito é a melhor forma de viabilizá-la?

Aliel: A reforma política é a prioridade. No Congresso é difícil de mudar o sistema político. Eu sou totalmente favorável ao plebiscito. Como se está tratando de reforma política, o Congresso teoricamente não teria interesse de cortar da própria carne, porque tem que colocar regras que não são boas para os atuais deputados, porque tiram regalias e mudam regras dentro do processo eleitoral que, para quem já está dentro da política, não seriam boas.

JM: Rumores de Brasília dão conta que existem possibilidades de você assumir alguma secretaria, diretoria do Governo Federal ou se tornar Ministro dos Esportes...

Aliel: Eu não assumo nenhum tipo de secretaria ou diretoria, o que tem é que houve uma sondagem informal, não veio de dentro do palácio muito menos da presidenta Dilma. O que houve é uma sondagem informal de algumas pessoas que pediram o nosso currículo, pessoas próximas ao Governo Federal e que atuam lá dentro. O nosso partido é o partido que comanda o Ministério dos Esportes e tem uma entrevista onde o nosso ministro, Aldo Rebelo (PCdoB), já disse que não fica no cargo. Eu tenho uma experiência dentro da área esportiva, fui por dois anos chefe do Centro Regional da Paraná Esportes. Tenho experiência em lidar com orçamento, ordenei o orçamento milionário da Câmara de Ponta Grossa por dois anos. Houve algumas sondagens mas é mais especulação.

JM: As campanhas eleitorais desta disputa foram as mais acirradas, desde a redemocratização do país, e várias acusações e ataques surgiram, envolvendo o Bolsa Família e, inclusive, declarações preconceituosas que estão sob investigação do Ministério Público (MP). Como coordenador da campanha de Dilma, qual é sua avaliação da disputa?

Aliel: Isso foi dito por estas pessoas no calor da eleição, em uma disputa muito acirrada, eu fiquei muito triste com algumas colocações. Não é porque eu tenho um posicionamento diferente que vou julgar outras pessoas pela sua classe social, cor e posicionamento. Pessoas que querem bolsa de estudo de R$ 2 mil para o filho estudar na Europa, que o governo dá, mas que criticam o fato de uma pessoa que está dentro de uma desenvoltura social de calamidade que recebe R$ 200,00 do Bolsa Família ter condição de escolher seu governante. Se alguém ainda não sabe, a Dilma aumentou a votação dela comparado com a eleição de 2010 em Ponta Grossa. Ela teve 35% dos votos aqui, isso dá mais de 64 mil votos dentro da nossa cidade, votos de pessoas que entenderam que suas vidas melhoraram, mas sempre respeitando quem pensa diferente, que poderia ser melhor com o Aécio Neves (PSDB), porque ele teve boas propostas.

JM: Para 2016, você pretende concorrer à Prefeitura? A oposição terá um candidato a prefeito?

Aliel: Eu nem assumi o cargo de deputado federal ainda, mas entendo que tudo que nós fazemos dentro da política é em torno de um projeto que represente algo diferente, que represente uma transformação, uma mudança. Um projeto que tenha uma visão diferenciada de grupo político que nós não concordamos com as ações. Eu vou ajudar o prefeito Marcelo Rangel (PPS) nestes dois anos no que estiver ao meu alcance. Se tratando de Ponta Grossa, nós temos um grupo político que tem um pensamento que muitas coisas estão erradas e precisam mudar, um grupo agora fortalecido com o resultado das urnas. Entendo que as pessoas vão ditar o que deve ser feito. É cedo para falar sobre isso, entendo que a minha responsabilidade por Ponta Grossa é muito maior, a maior votação da história da cidade para deputado federal. Sendo oposição ao Governo Municipal, significa um recado da população. A gente vai, sim, participar ativamente nas eleições de 2016, seja como candidato ou não nós vamos estar fortemente presente para defender a nossa cidade e melhorar o debate político.

Aliel Machado

Aliel Machado (PCdoB) é presidente da Mesa Diretora do Legislativo Municipal, eleito a vereador com 3.731 votos, em 2012. Iniciou sua carreira política no movimento estudantil, como presidente o grêmio estudantil do Colégio Kennedy. Concorreu em 2008 à Câmara de Ponta Grossa e, com pouco mais de mil votos ficou na primeira suplência. Nos anos seguintes chefiou o Paraná Esportes na região. No dia cinco de outubro de 2014, obteve 82 mil votos e garantiu uma vaga de deputado federal no Congresso Nacional.

Informações do Jornal da Manhã.

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