Metalúrgica de PG inicia fase de recuperação após ‘crise
Em Recuperação Judicial, a tradicional metalúrgica Schiffer fará o acerto com mais de 50 funcionários que se desligaram da indústria

A Schiffer, tradicional empresa do setor metalúrgico, que completa 80 anos em 2018, fará o acerto com mais de 50 funcionários na próxima segunda-feira, dia 9 de abril. Eles foram dispensados no ano passado, em função da baixa atividade da empresa, motivada pela crise nacional. A empresa apresentou, no ano passado, uma proposta de Recuperação Judicial, que foi aceita. E agora fará o pagamento parcelado, em seis vezes, dos direitos rescisórios devidos. As informações foram reveladas Sindicato dos Metalúrgicos de Ponta Grossa e região, cuja sede será utilizada para os acordos na próxima semana.
O presidente do Sindicato, Mauro Carvalho, lembra que o limite do prazo previsto na RJ era de seis meses. “Essa carência culmina em abril. Então até setembro eles devem pagar essas dívidas trabalhistas, o que é importante para os trabalhadores, que além de perder o emprego, não tinham recebido os seus direitos”, relatou o sindicalista. Ele explica que, dentro da proposta, também foi considerada a venda de ativos e patrimônios, e que a comercialização de uma ex-sede, na Nova Rússia (Avenida Ernesto Vilela) deve garantir a quitação desses encargos trabalhistas. Hoje, a empresa centralizou as atividades na unidade instalada na Avenida Souza Naves.
Com esse fato, Carvalho entende que a empresa se mantém firme, inclusive para expandir. Ele acredita que hoje a empresa tenha pouco mais de 150 funcionários. “A crise financeira e a decorrente falta de investimentos culminou na Recuperação Judicial dessa tradicional empresa da cidade. Mas acreditamos que a empresa cumprindo, ela salva a empresa e se mantém ativa, com a possibilidade, inclusive, de aumentar os postos de trabalho”, explica. Ele relata, inclusive, que recentemente, com uma recuperação do mercado e aumento da demanda, a Schiffer realizou contratações para atender a necessidade de mão de obra. Nos tempos ‘áureos’, a Schiffer tinha cerca de 600 funcionários, lembra o líder sindical nos Campos Gerais.
Outra empresa da cidade, a Braslar, que fabrica fogões no Distrito Industrial, também passou por uma recuperação, que está sendo superada, explica Carvalho. “A Braslar está saindo de uma Recuperação Judicial; hoje tem cerca de 140 trabalhadores. Já a Scheffer, outra empresa que pediu Recuperação Judicial, hoje tem poucos funcionários, mas chegou a ter 600 trabalhadores”, completa Carvalho, ilustrando um cenário conturbado no setor metalúrgico local.
Retração no número de funcionários se aproximou de 40%
A crise brasileira, cuja economia apresentou retração entre 2014 e 2017, impactou de forma bastante intensa no ramo metalúrgico. O motivo é que, como boa parte das empresas desse setor produz bens de capital, ou seja, fabrica equipamentos que sevem para gerar riquezas, como máquinas de produção, o reflexo é direto, pois como a retração no consumo, as empresas reduzem a fabricação e não investem em novos equipamentos.
O Sindicato dos Metalúrgicos estima que, desde 2013, a redução no número total de funcionários no ramo gira entre 35% e 40%. “Esse aspecto é relevante, porque cada emprego na indústria significa pelo menos 3 ou 4 em outros setores. Se uma fábrica contrata um funcionário, está gerando 3 ou 4 postos de trabalho por consequência desse. Por esse fato há a necessidade de fortalecer a indústria, para que sejam geradas oportunidades de trabalho, para sustentar a economia”, alega Mauro Carvalho.





















