Pauliki cobra intervenção do Estado em hospitais
Eleito com 62 mil votos, o deputado estadual Marcio Pauliki (PDT) pretende unir a bancada da região para buscar mais investimentos do Governo do Estado na gestão hospitalar de Ponta Grossa. O empresário espera que os parlamentares que obtiveram votação expressiva nos Campos Gerais e os três ponta-grossenses eleitos trabalhem em consonância na Assembleia Legislativa do Paraná, tendo como prioridade a saúde pública. O objetivo é desonerar o município das despesas com a média complexidade e ampliar os investimentos na atenção básica. Além da saúde, Pauliki também elenca a infraestrutura da cidade como meta e detalha a articulação do PDT para a eleição da Mesa Executiva do Legislativo Estadual.
Jornal da Manhã: Após o resultado da eleição, o senhor se reuniu com os demais eleitos à Assembleia e, juntos, defenderam uma união parlamentar em defesa de Ponta Grossa. No seu ponto de vista, o que deve ser priorizado pelos deputados com esta união?
Marcio Pauliki: Com essa união com os deputados e o prefeito, eu queria propor uma só prioridade - tem tantas outras prioridades, que envolvem o aeroporto, contorno norte, uma série de projetos – mas tem uma em especial que eu gostaria que trabalhássemos juntos, que é a saúde, justamente a média complexidade. Hoje, boa parte da receita do município para a saúde está indo para a média complexidade, concentrada no Pronto Socorro Municipal e no Hospital da Criança. Entretanto, a média complexidade é atribuição do Estado. O Estado deveria suprir os hospitais para que o dinheiro do município fosse direcionado para a saúde básica. Então, hoje estamos deixando a saúde básica de lado para poder financiar esses dois hospitais, que demandam um investimento muito alto.
JM: Como legislador, o que pode ser feito para que o Estado assuma a gestão dos hospitais em Ponta Grossa?
Pauliki: Eu vejo que nós três deputados e o prefeito, nós temos que chegar ao governador e, com nossa força política que representa os Campos Gerais, Centro-Sul e Norte-Pioneiro, pedir para que ele assuma essa responsabilidade. Esse é o foco da união. Temos que deixar de lado qualquer picuinha pessoal, questões político-partidárias e se unir em relação a isso.
JM: O senhor acredita que é possível manter esta união, sem que as divergências ideológicas e disputadas políticas acabem dividindo os parlamentares durante o mandato?
Pauliki: Temos que aproveitar muito bem esse momento especial da política de Ponta Grossa. Os deputados estaduais, além de serem a partir do ano que vem companheiros de Alep, nós temos uma relação de amizade. Em Ponta Grossa nunca foi bem assim, sempre havia deputados sem relacionamento algum entre si, e isso era ruim para cidade. Acabava tendo um jogo de empurra muito grande, um cabo de força, um cabo de guerra. Então no primeiro dia após na eleição, nós três nos reunimos, fizemos uma união e estamos na expectativa do prefeito nos chamar para sabermos quais são esses projetos prioritários para a cidade.
JM: O racha entre os parlamentares se agravava com a aproximação da disputa pela Prefeitura...
Pauliki: Acho que sim. Hoje, na verdade, a gente tem uma posição muito clara. Eu. o Aliel e o Péricles temos uma posição de oposição ao Governo Municipal, isso faz com que nós três possamos ter um pensamento único em relação a isso, isso é bom para a união entre nós. Mas também sabemos a importância de respeitar o prefeito em sua atribuição Executiva. Por isso temos que nos unir para ajudá-lo na busca por recursos para a cidade.
JM: Qual é a maior necessidade hoje, não só do Governo Municipal, mas da própria cidade, que o senhor acredita que deve ser priorizada pelo Poder Público?
Pauliki: Eu acho que é eleger prioridades. A gestão pública é limitada em sua receita, então a gente não consegue atender todos de forma plena As prioridades da nossa cidade ainda estão defasadas, em duas questões importantes, que são justamente a infraestrutura e a saúde. Ponta Grossa é uma cidade rica em relação à arrecadação de impostos, mas ainda a infraestrutura é muito empobrecida. Temos praticamente 20 mil famílias que ainda vivem em uma condição abaixo a linha da miséria. Isso resulta em situações ligadas a saúde e infraestrutura, pincipalmente nas questões de pavimentação. Hoje não está se priorizando isso, está se priorizando somente a política.
JM: Em relação a municípios do mesmo porte, Ponta Grossa ainda tem dificuldades de receita, com uma arrecadação incompatível com sua dimensão. Como elevar a receita municipal sem onerar o bolso dos contribuintes?
Pauliki: Eu não vejo que seja um orçamento baixo. Talvez em relação aos municípios do mesmo porte, como Maringá, você tenha uma relação menor. Mas veja, Ponta Grossa vai ter um orçamento em quatro anos que vai passar de R$ 2,5 bilhões. Com toda essa verba é possível, sim, fazer muita coisa. Na verdade, não existem cidades subdesenvolvidas, mas sim sub administradas. Nós precisamos ter uma gestão mais técnica, menos política e com planejamento.
JM: Como transformar essa receita, hoje com mais de 50% comprometida, em investimentos?
Pauliki: O maior pecado que está acontecendo na nossa cidade é que o desenvolvimento econômico, que ela está experimentando com as novas indústrias, não está acompanhado de um projeto social audacioso e consistente, para fazer com que esse desenvolvimento econômico gere desenvolvimento social. Nós temos exemplos de cidades que mostram que desenvolvimento econômico não é desenvolvimento social. Você pega Telêmaco Borba, onde houve décadas e décadas de investimento industrial, mas hoje é uma das cidades mais violentas do interior do estado. Você pega a Região Metropolitana de Curitiba, foram investimentos industriais pesados nos anos 1990, mas eles fizeram com que inchasse a região, onde hoje é um cinturão de pobreza de Curitiba. Não podemos perder esta oportunidade de ouro, que é este terceiro ciclo industrial que a cidade está experimentando. Nós temos que realmente fazer com que isso se torne desenvolvimento social.
Informações do Jornal da Manhã.





















