Pesquisa aponta mudança no hábito de consumo
Levantamento realizado pelo Núcleo da UEPG apontou uma 'piora' no consumo local. Nova pesquisa, com o índice atualizado, será revelada nesta sexta

O hábito de consumo do ponta-grossense mudou nos últimos anos. A conclusão é do estudo realizado pelo Núcleo de Políticas Públicas Rouger Miguel Vargas (NPPRMV), da Universidade Estadual de Ponta Grossa, a UEPG. Um estudo foi iniciado em 2016, para o Programa de Construção de Índice da Cesta Básica para o Município de Ponta Grossa, o qual apontou os novos costumes de consumo da população ponta-grossense através da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), junto com a Pesquisa de Locais de Compra (PLC). O estudo foi concluindo e ele será utilizado para compor o novo índice de cesta básica, cujos valores, referentes a fevereiro, serão divulgados nesta sexta-feira (9).
Como explica o economista e integrante da equipe do Núcleo de Políticas Públicas Rouger Miguel Vargas, Alexandre Roberto Lages, que coordenou o estudo, as pesquisas foram desenvolvidas ao longo de um ano e seis meses, para retirar a sazonalidade de produtos mais consumidos no verão ou no inverno. E, com base nos resultados, o levantamento aponta que houve uma redução nos produtos considerados como essenciais para as famílias, de 34 itens para 33, conforme a última pesquisa realizada, em 2006. Dessa contagem anterior, aliás, três produtos não fazem mais parte do consumo mensal: o sabão em barra, o fermento e o extrato de tomate. Eles não atingiram 80% do consumo. No lugar deles, entram outros dois produtos, o condicionador e a esponja de aço. A margem de erro é de apenas 3%.
Lages afirma que, na comparação com a pesquisa anterior, o consumo do ponta-grossense piorou. Porque além da redução em um item, os produtos comprados são em menor quantidade. “Algumas famílias levam menos produtos para casa, em termos de quantidade. Isso acaba refletindo a crise recente pela qual estamos passando. Era algo esperado, mas sempre nos deixa preocupado, já que se tratam de produtos de cesta básica, considerados essenciais”, argumenta o profissional.
A pesquisa apontou que o arroz é o produto mais comprado, presente em 99,8% das casas de Ponta Grossa. Também estão neste índice de 99% o creme dental e o papel higiênico. A pesquisa também apontou que hoje os itens que representam maior peso em relação a valor na cesta são o pão, carne bovina e o café. “Agora entrou o café. É a relação entre quantidade e preço, então tem peso grande por ter preço maior”, explica Lages. Neste aspecto, na cesta em 1996, apareciam o pão, a carne e o leite, respectivamente; enquanto que em 2006 eram pão, leite e carne bovina. O levantamento levou em conta o hábito de compra das famílias de um a cinco salários mínimos.
Gasto se aproxima de 50% do salário mínimo
A primeira pesquisa foi feita em 1994, quando para a compra dos 29 itens considerados essenciais o valor gasto superava o salário mínimo, custando 37% a mais que o mínimo de R$ 112,00. Somente a partir de 2005 que o salário mínimo passou a pagar a cesta básica. De acordo com o último levantamento, hoje gasta-se em torno de 50% do salário mínimo para comprar os produtos essenciais. Em 1994 a pesquisa levava em conta que a família tinha quatro pessoas em média, valor que caiu para três desde 2006. “Se pensar em proporção do salário mínimo, houve uma melhora. Hoje é mais fácil de comprar a cesta do que era em 2006”, lembra.
Arroz está presente em 99,8% das casas das famílias da cidade
A pesquisa mostrou quais são os produtos mais consumidos e que estão mais presentes nas casas dos ponta-grossenses. Conforme o levantamento, os itens que caracterizam o novo hábito de consumo em Ponta Grossa são arroz (presente em 99,82% das famílias), feijão (98,12%), sal (98,2%), açúcar (97,04%), óleo (95,07%), macarrão (94,27%), farinha de trigo (84,06%), café (94, 36%), leite (94,8%), bolacha (87,55%), margarina (94,18%), ovos (93,73%), pão (73,85%), carne de frango (92,03%, carne bovina (84,69%), cebola com (91,67%), alho (90,6%), batata (89,97%), tomate (83,25%), banana (83,79%), creme dental (99,01%), sabonete (99,1%), papel higiênico (99,64%), shampoo (94,53%), condicionador (84,87%, desodorante (90,24%), esponja (98,12%), esponja de aço (80,30%), detergente (94,27%, sabão em pó (98,56%), amaciante (93,55%), água sanitária (98,18%), e desinfetante (92,39%).





















