Licença para aterro em pedreira é alvo de inquérito | aRede
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Licença para aterro em pedreira é alvo de inquérito

Promotoria do Meio Ambiente abre inquérito contra IAP para apurar irregularidades na liberação de novo aterro em PG

MPPR solicita processo que resultou em autorização emergencial para construção de aterro em pedreira particular
MPPR solicita processo que resultou em autorização emergencial para construção de aterro em pedreira particular -

Stiven de Souza

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O Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) abriu um inquérito para apurar a autorização de uso de uma pedreira, na Avenida Souza Naves, como aterro sanitário em Ponta Grossa. A investigação teve início ainda na semana passada, mas foi publicada em Diário Oficial do Estado do Paraná nesta terça-feira (27).

O alvo da investigação é uma Autorização Ambiental Emergencial, concedida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), ao consórcio Ambiental Campos Gerais Gerenciamento de Resíduos.

Segundo a Promotoria de Meio Ambiente, o documento foi emitido no dia 1º de fevereiro de 2018, para que o grupo pudesse operar um aterro sanitário em uma fazenda particular na região da Bocaina - propriedade do próprio consórcio. O local possui uma pedreira e chegou a ser apresentado pela Prefeitura, no ano passado, como alternativa ao Aterro Botuquara.

Para o MPPR, há indícios de irregularidades na liberação da área. A Promotoria aponta que as resoluções do Conselho Estadual do Meio Ambiente (CEMA) não foram respeitadas e que não houve estudos de possíveis impactos ambientais no empreendimento. Além disso, o MPPR questiona o fato da autorização ser emitida antes mesmo da publicação do edital de licitação para definir o novo aterro. “(...) não existem, por ora, elementos que indiquem que a empresa Ambiental Campos Gerais será vencedora do procedimento licitatório que ainda ocorrerá (a não ser que tal processo licitatório seja ilegalmente direcionado para beneficiar uma empresa)”, destaca a Promotoria no despacho inaugural do inquérito.

A investigação foi aberta pelo promotor de Justiça Honorino Tremea. Segundo Tremea, o MPPR foi pego de surpresa pela autorização emergencial do IAP. “Nos estranhamos este documento e queremos saber o motivo desta autorização e as condições em que ela foi concedida”, disse à reportagem do Jornal da Manhã e Portal aRede. O MPPR pediu todo a documentação que resultou na licença e aguarda retorno do IAP. 

Ação do MP foi citada em autorização do IAP

Na Autorização Ambiental Emergencial, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) citou a ação judicial do Ministério Público do Paraná (MPPR) como motivo da emissão do documento. Para o promotor Honorino Tremea, a menção foi ‘indevida’, uma vez que o consórcio Ambiental Campos Gerais não faz parte do processo. “Achamos estranho que a ação judicial tenha sido usada para esta finalidade e estamos questionando isso”, disse. O processo citado foi aberto no ano passado, após a Prefeitura perder os prazos para fechar o Botuquara e dar início a outro aterro.

A reportagem do Portal aRede e Jornal da Manhã procurou o IAP e sócios do consórcio Ambiental Campos Gerais, mas até o momento nenhum deles se manifestou.

Autorização Ambiental Emergencial

A liberação do uso da pedreira como aterro sanitário foi pedida pelo consórcio Ambiental Campos Gerais Gerenciamento de Resíduos no dia 7 de agosto de 2017. Segundo o MPPR, uma Autorização Ambiental Emergencial foi emitida no dia 1º de fevereiro pelo IAP.

Ação judicial

A base do pedido feito pela empresa é uma ação judicial apresentada pelo MPPR no dia 19 de junho de 2017. Na ação, a Promotoria pede o pagamento de multa diária pelo descumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduto (TAC) firmado ainda em 2015 entre o MP e a Prefeitura. O TAC pedia o encerramento do Aterro Botuquara até junho do ano passado, o que não aconteceu. Na época, além da multa, o MP pedia que o processo não fosse usado para eventual dispensa de licitação para destinação do lixo. A ação ainda está em trâmite e, após a suspensão de editais da Prefeitura, ainda não há data para o processo licitatório que vai decidir o novo aterro. 

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