Combustíveis tem alta de 15% em seis meses
No acumulado do ano passado, aumento médio foi de 7,33%. Levantamento foi realizado pelo Jornal da Manhã e Portal aRede com números divulgados pela ANP

Motoristas de Ponta Grossa sentiram, no bolso, uma variação superior a 7% no preços dos preços dos combustíveis, em média, no acumulado de 2017. Se para comprar um litro de gasolina, um de diesel e um de etanol, custava, em média, R$ 9,61 em dezembro de 2016, esse valor aumentou para R$ 10,32 no mesmo mês no ano passado na cidade. Porém, se fizer essa comparação com meados do ano passado, época em que os combustíveis estavam mais baratos, o crescimento chega à casa de 15,3% - entre junho e julho a compra desses três combustíveis somava R$ 8,94. O levantamento foi feito pelo Jornal da Manhã e Portal aRede, com base nos números disponibilizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
No acumulado do ano o etanol teve a menor variação. Se o litro desse combustível custava, em média, R$ 3,03 no final do ano passado, em 2016 o custo era de R$ 2,98, ou seja, uma alta de 1,7%. Porém, se comparar com o valor praticado em julho, de R$ 2,62 o litro, a alta em apenas cinco meses atingiu 15,8%. A gasolina, por sua vez, teve a maior variação na comparação de junho a dezembro de 2017. No sexto mês do ano, o custo médio de venda em Ponta Grossa era de R$ 3,57 o litro, que saltou para R$ 4,16 ao fechar o ano passado, em uma elevação de 16,4%. Na comparação anual, com dezembro de 2016, houve um reajuste de 9,6%, já que o valor cobrado era de R$ 3,80, em média, o litro.
O Diesel, que foi impactado diretamente, assim como a gasolina, com a nova política da Petrobrás, de reajustes diários, com base no Mercado Internacional, assim como com as maiores taxas de alíquota de PIS e Cofins, anunciadas no final de julho, teve a maior variação anual. Se os motoristas pagavam R$ 2,83 o litro do diesel em dezembro de 2016, passaram a pagar R$ 3,11 no último mês do ano passado, o que representa uma alta de 10,1%. Em julho, mês de menor valor do diesel, o litro custava R$ 2,74, mostrando que o reajuste, com as novas políticas, atingiu 13,5%.
Para Geraldo Fanchin, sócio-proprietário de um posto de combustíveis em Ponta Grossa (Posto Rio Branco) essas altas não são positivas para ninguém: nem para os consumidores e nem para os empresários do setor. “Para nós é revoltante, porque infelizmente quando há os casos de corrupção, e o país enfrenta dificuldades financeiras, o governo aumenta a taxação dos combustíveis. Em outros países, como nos Estados Unidos, por exemplo, com a crise, baixam os impostos nos combustíveis, justamente para aquecer a economia”, recorda. Segundo ele, esta é a pior fase que o setor vive nos últimos 20 anos, já que as vendas caíram significativamente. “É bem desmotivante; com isso há a necessidade de enxugar os custos, dispensando funcionários”, lamenta.
Vendas caíram em mais de 20%
O reflexo de todas essas altas foi direto nas vendas. A pesquisa mais atualizada da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio PR) apontam para uma redução de 10,9% nas vendas de combustíveis em Ponta Grossa no acumulado de janeiro a outubro, na comparação com o mesmo período em 2016. Na comparação de outubro de 2017 com outubro de 2016 a redução é ainda mais evidente: 22,8%. Geraldo Fanchin confirma essa drástica redução nas vendas. “Isso afeta diretamente, com queda nas vendas. A alta dos R$ 0,40 no ano passado (Pis/Cofins sobre a gasolina) deu um reflexo muito negativo. O número de veículos é o mesmo, mas o tíquete médio caiu. Meu negócio sofreu uma queda de 22% no volume de vendas, e tem outros postos que registraram uma queda ainda maior”, exclama. Ele afirma que as pessoas estão buscando alternativas, como caminhar mais, utilizar bicicleta ou compartilhar o transporte com outras pessoas da mesma empresa. “As pessoas estão repensando o uso do automóvel, mesmo viagens para Curitiba, por exemplo”, conclui.





















