Famílias pedem justiça para crimes de trânsito

O Paraná registrou queda de 14% no número de homicídios culposos (sem intenção de matar) no trânsito, na comparação entre o primeiro semestre de 2014 em relação ao mesmo período de 2013. Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, o primeiro semestre registrou 845 mortes em 2014, enquanto no ano passado ocorreram 988 acidentes com vítimas fatais.
Os números detalhados de cada cidade ainda não foram divulgados. No entanto, em 2013, Ponta Grossa registrou o maior índice de homicídios culposos no trânsito entre as cidades do interior – e perdendo só para Curitiba no Paraná. Ao todo, 95 pessoas morreram em trágicos acidentes nas estradas e vias públicas da cidade.
Nos últimos anos, vários casos marcaram o município e, principalmente, as famílias envolvidas. Um deles é o da jovem Maria Eduarda, de 13 anos, que faleceu após o Jeep Troller onde ela estava ter batido contra uma árvore e capotado, em maio de 2013. Segundo o resultado do inquérito, o motorista, Augusto Pilatti Nicolau, de 19 anos, estava acima de 95,18 km/h em uma via onde a velocidade máxima era de 40 km/h.
A família ainda aguarda por justiça. Segundo a mãe da menina, Marcia Schasiepen, Augusto sequer recebeu uma multa de trânsito ou perdeu pontos na carteira. O julgamento do ‘Caso Maria Eduarda’ ainda não tem data para acontecer, mesmo com o inquérito pronto há cerca de um ano. “Nada vai trazer nossa filha de volta, não existe o que possa ser feito para compensar essa situação. Mas não queremos ficar com uma sensação de impunidade. A justiça, quando se trata de acidentes de trânsito, ainda possui leis muito brandas”, desabafa.
Para o advogado de defesa de Augusto, Gustavo Scandelari, a informação sobre a velocidade do motorista no dia da tragédia está equivocada. "Isso porque, primeiro, o inquérito ainda não se concluiu, ou seja, não há ‘resultado do inquérito’. As investigações ainda continuam. Segundo, e mais importante, porque não há nenhuma informação, nos autos do inquérito, de que o veículo estivesse “acima” de 95 km/h. Na realidade, os dois laudos oficiais apontam que a velocidade real desenvolvida no momento do acidente é incerta", frisa. "Além disso, a velocidade de 95 km/h seria a máxima possível para qualquer veículo poder fazer aquela curva. Portanto, era impossível que ele estivesse em velocidade superior aos 95 km/h", completa.
Segundo o Juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ponta Grossa, Luiz Carlos Fortes Bittencourt, a cidade possui quatro Varas Criminais e três delas recebem processos relativos a crimes de trânsito. Apesar da reclamação das famílias, Bittencourt não vê a necessidade de instalar uma Vara especializada em crimes de trânsito no município.
“No Paraná, somente Curitiba tem. Nem mesmo Comarcas maiores, como Londrina e Maringá, possuem esta Vara. Em Ponta Grossa é totalmente desnecessário, pois a estrutura existente é suficiente para o processamento de todos os tipos de crime”, ressalta.
Para Marcia Schasiepen, mãe da jovem Maria Eduarda, a conscientização de motoristas e pedestres é essencial para que se evitem acidentes. “Assim como eu perdi minha filha, todo dia tem gente que perde parentes por todo o Brasil. As pessoas deveriam se conscientizar sobre os riscos que o trânsito traz, não só para quem dirige”, ressalta.
De acordo com a chefe de divisão de programas educativos do Detran, Noedy Bertazzi, a direção defensiva é um dos meios mais eficazes para a redução de acidentes. “É necessário despertar uma nova consciência viária que priorize valores, tais como o respeito, a cooperação, a tolerância e a solidariedade”, expõe.
Como forma de conscientizar a população a respeito dos cuidados que se deve tomar no trânsito, a Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes (AMTT) de Ponta Grossa organizou, em parceria com várias empresas e instituições da cidade, uma série de atividades e blitz educativas durante a Semana Nacional de Trânsito, que aconteceu entre os dias 18 e 25 de setembro.
Cidade possui casos marcantes
Outros casos também surgem na memória quando o assunto vem à tona. Isabella Bolette, de apenas nove anos, foi vítima do trânsito em um acidente que marcou toda a cidade. Em março de 2011, a motocicleta que ela e o pai estavam colidiu com um caminhão na região de Uvaranas. A criança caiu embaixo do rodado dianteiro da carreta e faleceu na hora.
Recentemente, uma tragédia na BR-376 tirou a vida de uma família tradicional de Ponta Grossa. Um caminhão Scânia modelo 124 invadiu a pista contrária e se chocou de frente com o Citroën C3 onde estavam Leônidas Machado, a esposa Maria Sirlei Machado, a filha Clayre Suelen Machado, a sobrinha Gabriele Machado Scheifer e o neto Eduardo Gomes Madureira. O motorista do caminhão, Rafael Conrado, estava sob efeito de álcool, segundo um teste de bafômetro.
Informações de Rodrigo de Souza, do Jornal da Manhã





















