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Risco de rebelião na Penitenciária de PG é iminente

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Gabriel Sartini

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Ponta Grossa pode dar continuidade à crise que o sistema carcerário do Paraná vem passando nos últimos dias. Após rebeliões nas penitenciárias estaduais de Cascavel, Cruzeiro do Oeste e Piraquara, além do motim na cadeia de Guarapuava, a cidade tem todos os requisitos para ser a próxima a ‘sediar’ uma grande manifestação de detentos liderada por facções criminosas.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, um funcionário da Penitenciária Estadual de Ponta Grossa (PEPG), que prefere não se identificar, conta que o momento atual, aliado às condições do presídio, é ideal para que se inicie uma nova rebelião. A superlotação recente do local e a onda de comemorações referentes ao 21º aniversário do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das principais facções criminosas do país, trazem medo aos trabalhadores do presídio. O agente penitenciário escolheu o anonimato para a própria segurança, temendo problemas que as declarações possam trazer.

“Tomamos todo o cuidado possível, mas trabalhamos sabendo que o local está sob o risco de uma rebelião a qualquer momento. Todos tem medo, é a vida de cada um que está em perigo”, declara o agente. Segundo ele, é comum ouvir ameaças durante o trabalho. A declaração vem na contramão do que se esperava, já que a PEPG sempre foi exemplo de excelência no sistema carcerário. O espaço já recebeu diversos prêmios a respeito da qualidade e tratamento dos detentos.

Autoridades locais temem que a PEPG possa começar a passar por problemas, principalmente após a transferência de 108 detentos do Presídio Hildebrando de Souza para a PEPG no início de setembro.

Antes da redistribuição, a penitenciária operava dentro da capacidade permitida. No entanto, com a chegada dos novos detentos o espaço passa a ficar superlotado – com 483 presos em uma capacidade de 432 vagas. O presidente do Conselho de Segurança (Conseg), Henrique Henneberg, declarou, dias depois do início das transferências, que a medida não é eficaz. “Não estão solucionando o problema, só estão criando outro. Pode haver um grande revés ao transferir 100 presos para outro lugar, mesmo que ele seja seguro”,ressaltou.

Após tantas rebeliões e com os atuais problemas de segurança e superlotação dentro do sistema carcerário de todo o estado, os agentes penitenciários do Paraná decidiram que irão deflagrar greve geral a partir do dia 29 de setembro, o que pode piorar a situação na PEPG. A decisão foi tomada em assembleia organizada pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) na última quarta-feira (17) em Curitiba.

Cerca de 300 profissionais participaram da decisão, que aconteceu na Praça Nossa Senhora Salete – próximo à sede do governo do estado. Em vista das dificuldades e perigos que passam durante o trabalho, todos votaram a favor da paralisação.

A categoria exige reforço por segurança dentro dos presídios, além da construção de novos prédios penitenciários no Paraná e o envio de um projeto de lei para a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) que aumenta o quadro efetivo dos agentes penitenciários. Outros benefícios, como aposentadoria especial e Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) também entraram na lista de pedidos.

A vice-presidente do Sindarspen, Petruska Niclevisk, afirma que praticamente não existe segurança dentro das penitenciárias e cadeias do Paraná. “Estão com medo de trabalhar. Ninguém sabe se volta para casa no fim do expediente. Chegamos ao ponto de não ter certeza se sairemos vivos após um dia de trabalho”, ressalta a vice-presidente. “Queremos uma mudança efetiva, e não ensinar o governo a gerir o sistema”, completa.

Soluções - Governo realiza obras no setor

Com base nos problemas que o setor carcerário vem passando no Paraná, o governo anunciou uma série de obras e reformas nas cadeias estaduais. Em Ponta Grossa, dois investimentos estão em curso: a ampliação da PEPG e a construção de uma nova Cadeia Pública. Iniciada recentemente, as obras do novo prédio abrigarão 382 detentos com a finalidade de melhorar a situação do sistema prisional dos Campos Gerais.

O custo total é de R$ 10 milhões e a previsão é que a Nova Cadeia Pública fique pronta em 12 meses. A cidade também terá a Penitenciária Estadual ampliada. A construção, que começou em fevereiro deste ano, está estimada em R$ 9 milhões e irá abrir mais 334 vagas, totalizando 766 lugares. A previsão é de que ela esteja finalizada dentro de cinco meses.

Os dois investimentos fazem parte do Programa Nacional de Apoio ao Sistema Prisional, do Ministério da Justiça, que busca abrir novas 6.670 vagas com as 20 obras no Paraná. Dos recursos totais, R$ 116 milhões são provenientes da União, através da Caixa Econômica Federal, e R$ 45 milhões do governo do Estado.

PCC - Sigla de facção pode ter norteado locais de rebeliões no PR

O Primeiro Comando da Capital (PCC) comemorou 21 anos de fundação no dia 31 de agosto. Coincidentemente, as três rebeliões em penitenciárias estaduais nos últimos dias aconteceram em cidades cujas primeiras letras nomeiam a facção: Piraquara, Cruzeiro do Oeste e Cascavel. Os motins iniciaram no dia 26 do mês passado – quatro dias antes da data comemorativa – e se estenderam até 16 de setembro, quando aconteceu a última manifestação no estado.

Rebeliões no Paraná nos últimos 30 dias

> Cascavel
26/AGO

> Guarapuava
07/SET

> Cruzeiro do Oeste
10/SET

> Piraquara
12 E 16/SET

Informações de Rodrigo de Souza, do Jornal da Manhã

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