Barbosa diz que proposta da Acipg é da "idade da pedra"

Depois de ser criticada por diversos setores da sociedade, gerar repercussão nacional e promover uma investigação do Ministério Público do Paraná (MP-PR), a polêmica ’Agenda 2014’ foi alvo de duras críticas do ex-presidente do Superior Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Em palestra ministrada na Associação Empresarial de Joinville (Acij), Barbosa criticou a proposta da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) sobre a suspensão do direito ao voto de beneficiários do programa Bolsa Família, do governo federal.
A sugestão foi encaminhada aos candidatos à Presidência, Senado, Câmara Federal, Governo do Estado e Assembleia Legislativa do Paraná nas eleições deste ano, e causou indignação em todo o Brasil.
Questionado sobre sua opinião a respeito da proposta, encaminhada aos candidatos que disputam as eleições de outubro em diversos cargos, Barbosa foi categórico. “Retirar a capacidade política ativa de pessoas que recebem bolsa me parece um retrocesso social que nos leva à idade da pedra”, critica. Perguntado sobre o que pensa do programa, destacou que “nenhum país que quer evoluir e que quer ser visto com credibilidade pode permitir que existam pessoas passando fome em seu território”. As informações são do portal Notícias do Dia
Entidades contestam participação na ‘Agenda 2014’
Além do setor empresarial, também constam como propositoras da agenda entidades ligadas aos trabalhadores, como a Força Sindical dos Campos Gerais, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) e o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Ponta Grossa (Siemaco). No entanto, após a polêmica dos temas, algumas entidades se manifestaram contra o documento.
MP investiga possível ação preconceituosa
O MP-PR investiga se houve ação preconceituosa e discriminatória da Acipg sobre a proposta de suspensão do direito de voto dos cidadãos beneficiados pelo Bolsa Família e por outros programas de transferência de renda. O inquérito civil público foi instaurado pela 6ª Promotoria de Justiça de Ponta Grossa e avaliará eventual dano moral coletivo na sugestão da Acipg, que considera “cidadãos de segunda classe” quem recebe o benefício. Além disso, no entendimento da Promotoria, a proposta poderia incitar o preconceito social.
Acipg diz não ser contra benefício
Em nota enviada ao Jornal da Manhã na última semana, a Acipg afirmou “não ser contra o benefício para aqueles que necessitam e se enquadram nos requisitos do programa”. A entidade, por meio de anúncio assinado pela diretoria, ressaltou que não quer criar distinção de classes. No entanto, deseja que a atual situação dos programas de transferência de renda do governo federal seja discutida “em função do vínculo que se cria entre beneficiado e concedente do benefício, o que pode influenciar no resultado de eleição”.





















