PG atualiza Plano Diretor para ordenar crescimento

O crescimento de uma cidade exige estratégias do Poder Público para que os benefícios do progresso não sejam transformados em mazelas sociais. Na edição especial do aniversário de 191 anos da cidade, a reportagem do Jornal da Manhã entrevista o prefeito Marcelo Rangel (PPS) sobre os plano do governo frente aos desafios do ciclo industrial que o município vive. De acordo com Rangel, os planos estão preparados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento (Iplan), entretanto, ainda depende de recursos financeiros para serem viabilizados.
Jornal da Manhã: Qual o principal desafio da Administração Municipal para os próximos anos, diante da crescente industrialização do município?
Marcelo Rangel: O progresso da cidade demanda mais investimentos e, para isso, precisamos mais recursos. A cidade de Ponta Grossa cresceu, mas a parte orçamentária não. Este é o grande desafio da Prefeitura, aumentar nossa receita para poder investir na infraestrutura do município. Não apresentar novos impostos e elevar a carga tributária que ninguém aguenta mais, mas trabalhar com uma gestão eficiente de fiscalização, para que a nossa cidade tenha uma arrecadação maior através de geração de empregos e de impostos da indústria do setor de serviços. Temos que aumentar o número de empresas na área de serviços em Ponta Grossa, porque a defasagem é muito grande no setor. Nós temos boas indústrias, investimentos em vários segmentos do setor produtivo, mas o setor de serviços ainda é precário, ainda é deficitário em Ponta Grossa. O serviço gera ISS, gera impostos, gera tributos, porque a pessoa que paga ISS sabe que esse é um tributo importante, pois o lucro é revertido em obras pela Prefeitura.
JM: Como impulsionar o setor de serviços e aumentar a receita municipal.
Marcelo: Se impulsiona o setor de serviços através da geração de demanda em outros setores, principalmente através da valorização e apoio do Poder Público na geração rápida destas novas empresas. Este é o nosso desafio, a Prefeitura prepara um projeto para que estas empresas tenham a maior agilidade para conseguir alvarás em Ponta Grossa. Estamos precisando de mais restaurantes, de mais hotéis, estamos precisando desta rede de serviços, já que a cidade está crescendo e novos empresários, engenheiros, entre outros profissionais, estão se instalando aqui.
JM: Ampliar o setor de serviços significa criar novas zonas comerciais no município. Quais são as obras previstas pela Prefeitura para garantir infraestrutura a este crescimento?
Marcelo: O plano diretor é tudo, é aonde começa o grande planejamento de uma cidade. Nós precisamos fazer com que o nosso centro comercial seja expandido. Hoje está muito concentrado em apenas poucas ruas, o que prejudica a nossa mobilidade e prejudica, também, o desenvolvimento da cidade. Nossa cidade, agora, está passando por um procedimento de verticalização, onde estão sendo criados prédios altos. Isso é importante para a qualidade de vida, porque uma cidade muito espalhada causas problemas de mobilidade muito sérios. Com relação a descentralizar os serviços de comércio da nossa cidade, isso vai acontecer naturalmente, porque shoppings, supermercados e hipermercados já estão escolhendo os nossos bairros, para que eles tenham novos consumidores.
JM: O Governo Municipal aposta, a longo prazo, nas novas indústrias para incrementar a receita e viabilizar estes projetos?
Marcelo: O ano que vem será um ano melhor. Nós teremos a Tetra Pak já produzindo. Eu acredito que só o fato das indústrias estarem produzindo, mesmo que não estejam gerando estes tributos devido às isenções, já aumenta a arrecadação indiretamente através dos serviços. Nós temos a intenção de trabalhar com a organização, somente a organização de todos os cadastros que nós temos na Prefeitura vai fazer que tenhamos um controle muito maior da nossa receita.
JM: Como aliar o crescimento econômico com o desenvolvimento social?
Marcelo: Para que uma cidade cresça com atenção social e melhoria da qualidade de vida é necessário três eixos estarem em desenvolvimento: saúde, educação e segurança. Todos os nossos números nestas três áreas são números que se transformaram nesses 18 meses de gestão. Hoje a cidade de Ponta Grossa tem outra realidade na área de saúde. Assumimos a Prefeitura com os postos sem médicos, sem enfermeiros e sem atendentes administrativos. Nós contratamos atendentes, médicos, melhoramos todo o sistema e agora todos os postos de saúde estão com profissionais trabalhando, não só com os médicos cubanos, mas com outros médicos brasileiros que foram contratados. Temos 13 postos que estão sendo construídos e reformados, e cinco postos superpostos para o Programa Saúde da Família.
JM: Quais as estratégias para aumentar a segurança pública e coibir o crescimento da violência?
Marcelo: Nós lançamos a nossa Secretaria de Segurança Pública, que nós não tínhamos. Através da secretaria, estruturamos a Guarda Municipal (GM), que hoje é uma guarda completamente equipada. Temos armas não letais, temos coletes a prova de bala para todos os profissionais, todos tiveram um reconhecimento, respeito e valorização profissional grande. Além disso, compramos 13 viaturas e agora vamos dar início à contratação de mais guardas para o próximo ano. Acredito que até o final da nossa gestão teremos mais 100 guardas municipais, que é a proposta que lançamos na nossa campanha. A segurança pública está em um novo patamar, porque a GM hoje trabalha em consonância com as demais forças policias, como a Policia Militar e a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc).
JM: E na educação, o que tem sido feito para melhorar os índices?
Marcelo: Na questão da educação avançamos com as escolas em tempo integral. Saímos de uma para 18 escolas integrais. Estamos trabalhando com qualificação do corpo técnico, temos um Congresso de Educação e Literatura que tem reconhecimento em todo o país. Tivemos o Programa Corujinha, que é algo inédito, e garante o contraturno para as crianças e adolescentes. Com tudo isso, pretendemos melhorar a qualidade da educação de verdade, não somente nos índices do governo. Não adianta a criança chegar ao quinto ano, entrar no sistema estadual, no sexto ano, sem saber ler, somente para garantir índices positivos. É necessário ter um reforço para essas crianças, ter nos anos iniciais o melhor ensino para superar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) com qualidade de Ensino, não de maneira mascarada, passando crianças de uma no para o outro sem as mínimas condições de enfrentar uma nova etapa em suas vidas. Além disso, temos o emprego, que faz parte do alicerce para uma cidade se desenvolver socialmente. Uma cidade que tem problemas com a qualificação e com vagas de emprego não tem progresso, porque só temos progresso, hoje, porque temos uma situação de oferta de vagas de emprego como nenhuma cidade tem no Sul do Brasil, talvez até no país.





















