Professora destaca investimentos na Educação de PG

Profª Ms. Maristela Iurk Batista
Mestre em Educação pela UEPG e Historiadora. Professora da Rede Municipal e Estadual de Ensino, Coordenadora do NTE (Núcleo Municipal de Tecnologia Educacional Profº Antônio Armando Cardoso de Aguiar).
Ao se comemorar os 191 anos de fundação de Ponta Grossa não poderíamos deixar uma data tão magna passar despercebida. Ponta Grossa que surgiu no caminho das tropas tem muito a contar da sua gente que tem construído dia a dia a história dessa próspera cidade dos Campos Gerais. Prestaremos nossa homenagem enfocando a reflexão dos leitores para um importante setor que vem despontando como prioridade “número um” na administração municipal: a educação das crianças ponta-grossenses. Sim, é também no setor educacional que se percebe as grandes transformações da administração do Prefeito Marcelo Rangel “Educar para a cidadania”, visando uma escola voltada para a infância, na construção de uma sociedade mais humanizada e mais participativa é uma das metas da Secretaria Municipal de Educação no trabalho desenvolvido com as crianças da Rede Municipal de Ensino.
Inúmeros projetos que visam a melhor qualidade de ensino e a superação do fracasso escolar foram colocados em prática no decorrer dos trabalhos da Secretária de Educação, como a implantação do tempo integral em dezoito escolas do município onde as crianças aprendem musicalização, atividades de expressão corporal, atividades lúdicas, a incorporação de hábitos de higiene e leitura, bem como, noções de cidadania fazem parte do cotidiano das Escolas de Tempo Integral. “Hoje no Brasil a ampliação do tempo escolar não é um tema-debate de experiências isoladas, mas trata-se de política, que vai fortalecendo-se no cotidiano de nossas escolas públicas” (SAVELI, 2013), em consonância com as políticas públicas educacionais do Governo Federal.
Para a Secretária Municipal de Educação, profª Esméria de Lourdes Saveli: “A busca por uma Escola de qualidade perpassa por ações que têm por objetivo principal viabilizar oportunidades às instituições escolares de entrarem em contato com diversas atividades culturais em que o livro, a leitura e a literatura seja o grande centro das atividades.” Assim, pelo segundo ano consecutivo a Secretaria Municipal de Educação lançou no dia 07 último o 2º Congresso de Educação de Ponta Grossa, o qual oferece uma grande quantidade de atividades, como a VI Feira do Livro, IX Amostra Pedagógica e o III Flicampos (Festival Literário Internacional dos Campos Gerais), onde nós ponta-grossenses e paranaenses temos a oportunidade de conviver com escritores literários nacionais como Ruth Rocha, o saudoso educador, filósofo e escritor Rubem Alves (os quais estiveram aqui em edições anteriores da Feira do Livro), bem como, o Cartunista e escritor Ziraldo, o professor e escritor na área da Educação Miguel Arroyo, o escritor Fernando Carraro, a escritora peruana Glória Kirinus, José Xavier Cortez, fundador e presidente da Editora Cortez, o qual percorre o Brasil com uma série de encontros chamados de “Rodas de Conversas: a leitura, o livro e o editor” oferecendo aos participantes o princípio da “rememoração como educação”, estão participando desta edição do II Congresso de Educação, Leitura e Formação de Leitores, o qual têm como slogan “A Leitura Abre Portas”.
Na educação de crianças com deficiência, a SME tem traçado uma política de inclusão no Ensino Regular das crianças por meio de Convênio firmado com o Governo Federal. Para o AEE (Atendimento Educacional Especializado) com a implantação das Salas Multifuncionais, dotadas com TV LED e computador com softwares especializados surgem na perspectiva de um novo olhar para uma educação inclusiva com possibilidades reais de aprendizagem e interatividade com a diversidade do universo escolar.
Outra importante conquista do governo Marcelo Rangel foi a implantação do Núcleo Municipal de Tecnologia Educacional Profº Antonio Armando Cardoso de Aguiar (NTE), vinculado à Secretaria Municipal de Educação em parceria com o Ministério da Educação por meio do Programa ProInfo Integrado .
O NTE que já havia sido homologado no final do ano de 2012 só foi instituído no início desta administração com um local adequado para os cursos de formação de professores na área de tecnologia educacional, bem como, os cursos oferecidos pelo Programa do ProInfo Integrado em parceria MEC/UNDIME – União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação e também informática básica para a Comunidade no entorno da Vila Cel. Cláudio. Possui sede própria que conta com três laboratórios de Informática com os Sistemas Operacionais Windows, Linux Educacional 3.0, Linux 5.0 e dependências administrativas.
O NTE tem como meta proporcionar a inclusão dos professores ao mundo tecnológico para sua própria vivência na sociedade e para garantir ao seu aluno da Rede Municipal de Ensino acesso às tecnologias de informação e comunicação de forma pedagógica.
Outro destaque desta administração foi a construção de uma sede própria para o polo da Universidade Aberta do Brasil – UAB, a qual está situada à Rua Bonifácio Ribas nº240-A, na Vila Cel. Cláudio, ao lado do NTE.
A Educação à Distância tem como objetivo a universalização do Ensino Superior àqueles que de algum modo não frequentaram o ensino presencial. O polo de apoio presencial de Ponta Grossa denominado de Profª Carolina Maria de Paula Xavier Gomes, tem parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa. Por meio deste polo já foram formados licenciados em História, Letras: Português/Espanhol, Matemática, Pedagogia, e bacharéis em Administração Pública. Este polo da UAB também formou turmas de pós-graduação em: Gestão Educacional, Gestão em Saúde, Gestão Pública e Gestão Pública Municipal.
Hoje uma das maiores metas das políticas públicas na área educacional é a formação continuada de professores. Na Rede Municipal de Ponta Grossa os professores têm a oportunidade de fazer Cursos de pós-graduação com incentivo do pagamento de bolsas de estudo. Atualmente, um grande número de professores estão cursando os cursos de especializações em: Contação de Histórias, Musicalização Infantil, Psicopedagogia, Educação Física Escolar: Psicomotricidade e Ludopedagogia, Especialização em Arteterapia e Neuropsicopedagogia Clinica e Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva.
Nesta perspectiva a SME tem cumprido o dever de fomentar a formação continuada de seus professores dentro do previsto pela LDB 9394/96 e, demonstrando, assim a valorização dos profissionais da educação básica.
Ao enfocarmos a educação como objeto de nossa reflexão vamos voltar ao tempo para entendermos como foi construída uma parte da história da educação ponta-grossense e como ocorreu a criação da Secretaria Municipal da Educação.
A década de 1930 é muito promissora na história da nação brasileira nos aspectos socioeconômicos e educacionais. A revolução de 1930 modifica o papel do próprio Estado no processo educacional e abre a possibilidade de expansão do ensino para nele incluir uma parcela maior de população, especificamente nas regiões mais industrializadas. A crescente industrialização exige o aumento das possibilidades que só o ensino pode abrir.
Assim, o projeto de industrialização que se efetuou no país na “Era Vargas” teve amplas repercussões no processo educativo do país. É a partir da década de 1930 que a educação alcança níveis de atenção nunca antes atingidos, quer pelo movimento dos educadores como o da escola-novista, quer pelas iniciativas governamentais. Segundo AZEVEDO (1963, p.39): “de 1930 a 1940 dá-se um desenvolvimento do ensino primário e secundário que jamais se registrara até então no país”.
“De 1936 a 1951 as escolas primárias dobraram as secundárias, quase quadruplicaram em número, ainda que tal desenvolvimento não seja homogêneo, tendo se concentrando nas regiões urbanas dos Estados mais desenvolvidos”. (1936,p.718)
Também as escolas técnicas se multiplicaram e, segundo Lourenço Filho, se em 1933 havia 133 escolas de Ensino Técnico Industrial, em 1945 este número sobe para 1368, e o número de alunos, que era de quase de 15 mil em 1933, ultrapassa, então 65 mil (FREITAS, 1977, p.54). Foi nessa órbita conjuntural de transformações socioeconômicas que Ponta Grossa também ampliou suas escolas, principalmente a rede pública escolar.
Estudos sobre a cidade revelam que o final do séc. XIX e início do séc. XX constituíam uma conjuntura favorável para a economia ponta-grossense, decorrente da chegada da ferrovia. Entre 1920 e 1945 a cidade firmou-se como polo regional no Paraná. Ocupou a posição de segunda cidade do Estado, com população de 38.417 habitantes (censo de 1940), e aparentando um cenário moderno de urbanidade em relação às suas construções.
Dados como elevação na arrecadação de impostos, obras construídas, instalação de várias fábricas e estabelecimentos comerciais cujos proprietários, em grande maioria, eram imigrantes, sustentam a afirmação anterior. As indústrias de transformação constituíam o principal ramo de atividade da população local, destacando-se a “da madeira e da banha”. Em 1936, Ponta Grossa contava com 14 serrarias, entre elas: Santa Cecília, Cruzeiro, Olinda, Boa Vista, Valério, Ditzel. A indústria de banha estava representada por nove fábricas: Odile, de Cristiano Justus Júnior; Esperança, de J.David Hilgemberg e Cia; Laura, de João G. Justus; Nadyr, de Justus e Cia; Eny, de Ribas Teixeira e Cia; Sublime, de Arthur Nadal e Cia; Schnekenberg, da viúva Joana Schnekenberg; Anita, de Bruno Tamenhain.
Este crescimento urbano, vivenciado na primeira metade do séc. XX se insere num contexto nacional de desenvolvimento econômico e urbanização que favorece, sobretudo, as regiões Sul e Sudeste do país e destaca Ponta Grossa, no cenário educacional com a criação de vários grupos escolares públicos para atender a crescente demanda populacional em idade escolar, bem como, a fundação de escolas profissionalizantes para atender a demanda social para o mundo do trabalho, em especial, a Escola Ferroviária Cel. Tibúrcio Cavalcanti, fundada em 29 de setembro de 1940, a qual passou a preparar a mão-de-obra para a Rede de Viação Paraná, Santa Catarina (R.V.P.S.C.).
Portanto, de 1930 em diante multiplicaram-se as escolas em Ponta Grossa, notando-se que, aos poucos as escolas oficiais foram sobrepujando os particulares. Na administração do Prefeito Albary Guimarães (1934-1945) foram construídos vários grupos escolares como: o Grupo Escolar Prof. Júlio Teodorico (1935), Grupo Escolar Gal. Ozório (1938), Grupo Escolar Amálio Pinheiro(1937), Grupo Escolar Profº Colares(1938), Grupo Escolar José Elias da Rocha (1938) sendo que já existiam na cidade outros estabelecimentos públicos mantidos pelo Governo do Estado, como: Grupo Escolar Senador Correia, fundado em 1912, o Colégio Estadual Regente Feijó, criado em 1927 e a Escola Normal de 1924 (está para a formação de professores).
Ainda, no Governo de Albary Guimarães foi instalada uma escola Municipal em Três Barras, no Distrito de Itaiacoca e também foi inaugurada a Escola de Trabalhadores Rurais Augusto Ribas, em 1942, no bairro de Uvaranas, sendo que nesse período a urbe ponta-grossense contava com três principais bairros: Uvaranas, Nova Rússia e Oficinas.
Em estudos revelados sobre educadores ponta-grossenses e o ensino público paranaense na obra do prof. Joselfredo Cercal de Oliveira, o mesmo cita que, no início do séc. XX, o governo estadual havia inaugurado algumas casas escolares “que eram supervisionadas pelas prefeituras municipais. As escolas operavam precariamente devido ao excesso de alunos, professores mal pagos, atraso no pagamento de salários e constantes trocas de professores”. (SILVA IN OLIVEIRA, 2002, p.38).
O autor ainda revela que, “para controlar o funcionamento e a assiduidade dos professores nas escolas municipais, o Poder Executivo Municipal utilizava a polícia”. O ensino público municipal em Ponta Grossa, portanto, não seguiu os parâmetros da instrução pública estadual. O sistema educacional ponta-grossense foi deformado pela presença da polícia que prejudicou o processo de ensino-aprendizagem”.
Também constam no relatório do Governo do Paraná (OLIVEIRA, 2002, p.38) que a rede do ensino público do Estado contava em 1908 com apenas 76 professores normalistas, sendo três lotados em Ponta Grossa: Otacília Hasselmann de Oliveira, Felício Francisquiny e Thereza Correia Machado Busse.
Portanto, esses dados nos revelam que, realmente o processo da urbanização e da industrialização passou a demandar um número maior de escolas mantidas pelo governo. Na década de 1920 surgiram no Paraná muitas escolas isoladas mantidas pelo governo estadual.
Ponta Grossa em 1936 contava com 26 escolas isoladas, escolas essas que se expandiram ao longo das décadas de 1940 e 1950. Na década de 1950 a cidade contava com quarenta e sete escolas isoladas nos quatro cantos do município, entre elas cita-se: Escola Isolada de Vila Palmeirinha, Escola Isolada de Uvaranas, Escola Isolada da Casado Trabalhador, Escola Isolada de Ferreira, Escola de Isolada de Antunas do Meio, Escola Isolada de Conceição, Escola Isolada de D. Iná Monclaro Mena Barreto, Escola Isolada de Sete Salto, Escola Isolada de Roça Velha, entre outras .
Nessa “Era desenvolvimentista nacional” e pela qual passava também a cidade de Ponta Grossa foi inaugurada em 10 de novembro de 1940 a primeira Biblioteca Pública , no mandato do prefeito Albary Guimarães. A biblioteca, uma novidade para a população local a qual passou a ser frequentada pelos funcionários da Prefeitura e por populares, pois estava instalada em uma das salas do prédio do paço municipal. Posteriormente, passados dez anos na gestão do prefeito Dr. Plauto Miró Guimarães no aniversário da cidade em 15 de setembro de 1967 foi inaugurada a nova Biblioteca Pública Municipal que passou a denominar-se Biblioteca Pública Municipal Prof. Bruno Eney, em homenagem ao saudoso mestre de outrora.
Na gestão do engenheiro Dr. Plauto Miró Guimarães foi criada a SMEC- Secretaria Municipal de Educação e Cultura, através do Decreto lei nº1857, de 04 de outubro de 1966, a qual passou a funcionar com “o status de Secretaria” a partir do ano de 1967. Assim, o antigo Departamento de Educação, que cuidava de assuntos pertinentes à Educação do município foi substituído pela Secretaria Municipal da Educação e Cultura, a qual teve como primeiro Secretário Municipal de Educação o prof. Antônio José França Satyro. Posteriormente, na administração do prefeito Jocelito Canto foi criada a Secretaria Municipal de Cultura, desvinculando assim, a “Cultura” da Educação (SME).
Portanto na segunda metade da década de 1960, as escolas isoladas que eram da jurisdição do Estado passaram para a responsabilidade do Município. Muitas dessas escolas foram cessadas, outras mudaram de nome e, suas antigas sedes que eram de madeira foram paulatinamente sendo substituídas por construções de alvenaria. Assim surgiu a Rede Municipal de Ensino, a qual nas últimas décadas foi ampliando-se cada vez mais.
Hoje a SME conta com oitenta e quatro Escolas do Ensino Fundamental e quarenta e três Centros Municipais de Educação Infantil. Atende o universo de 21.991(vinte e um mil novecentos e noventa e um) alunos no Ensino Fundamental e na Educação Infantil são atendidos 7.154 (sete mil cento e cinquenta e quatro alunos). Também são atendidas mais 1.317 (um mil trezentos e dezessetes) crianças nos quatorze Centros de Educação Infantil conveniados. Portanto, a SME cuida da Educação de mais de 30 mil crianças ponta-grossenses, que com certeza poderão ter um futuro mais promissor.
Nós, que fazemos parte da Equipe da SME, parabenizamos o jovem prefeito Marcelo Rangel, que tem uma visão promissora em relação aos investimentos em projetos educacionais e de valorização dos profissionais da Educação os quais ajudam a construir uma cidade mais humanizada para as novas gerações e para os filhos daqueles que, aportam aqui buscando novas conquistas e realizações.





















