Cadeias e delegacias vão 'exportar' bandidos para PG | aRede
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Cadeias e delegacias vão 'exportar' bandidos para PG

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Mário Martins

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Considerada modelo em gestão no Brasil, a Penitenciária Estadual de Ponta Grossa (PEPG) poderá se nivelar a outras unidades prisionais do país e deverá ter, entre seus principais problemas, a superlotação carcerária. Na manhã desta terça-feira (02), Vilson Brasil, representante do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), em entrevista por telefone ao Portal aRede, confirmou que Ponta Grossa receberá 108 perigosos presos, de diferentes regiões do estado.

De acordo com Brasil, o deslocamento de bandidos para a maior cidade da região dos Campos Gerais, é uma medida encontrada pela Secretaria de Justiça e Cidadania (SEJU), para desafogar cadeias e delegacias do Paraná. “O governo possui verba para construir novas Penitenciárias. No entanto, por incapacidade administrativa não consegue levar adiante este projeto”, ressalta o sindicalista.

Para Brasil, a transferência de presos de uma unidade para outra, tende a dimensionar o grave problema enfrentado no sistema penitenciário estadual. “O Sindicato vem denunciando a superlotação há muito tempo. O maior perigo é que, eventualmente havendo rebelião, o agente penitenciário se transforma no primeiro refém de criminosos”, conclui. No próximo dia 10 de setembro, o Sindicato reúne seus associados em uma Assembleia, e não descarta a possibilidade de paralisar as atividades.

A notícia da entrada de novos criminosos no sistema prisional de Ponta Grossa está sendo criticada nas redes sociais. Para o vereador Pietro Arnaud (PTB) trata-se de uma atitude inaceitável. “Fiquei muito surpreso ao saber dessa informação. Hoje a lotação máxima da Penitenciária de Ponta Grossa (PEPG) é de 432 detentos, porém hoje o local abriga cerca de 435 presos. Com os 108 que serão transferidos para a Penitenciária, teremos um total de 543 detentos, muito além de sua capacidade. Essa transferência irá prejudicar toda a logística e rotina de trabalho e escola dos detentos que já estão na Penitenciária da nossa cidade; Além disso, esses 108 presos que virão para Ponta Grossa não terão camas para dormir, isto é, ficarão no chão das celas. Alterando de forma perigosa o dia a dia dos detentos. Não é a primeira vez que o Governo do Estado do Paraná varre a sujeira para debaixo do tapete, ou melhor, para Ponta Grossa. Não estamos resolvendo nada, apenas transferindo o problema para nossa cidade”, relata.

Outro lado

A assessoria de comunicação da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) entrou em contato com o portal aRede no final da manhã de hoje para desmentir a informação repassada pelo Sindarspen. De acordo com a Seju, os 108 presos que serão transferidos para a PEPG estão atualmente na Cadeia Pública Hildebrando de Souza e já foram condenados pela Justiça. Portanto, devem ser transferidos para uma penitenciária.

A medida seria uma forma de desafogar o presídio, que acumula mais de 500 detentos acima de suas capacidades. Cada preso transferido receberá um colchão para evitar que tenham que dormir no chão. A decisão foi tomada a pedido do juiz da Vara de Execuções Penais. Por outro lado, cerca de 50 presos da PEPG deve passar para o regime semiaberto (o preso só vai para a cadeia durante a noite). Ainda assim, a capacidade máxima da penitenciária seria excedida em 58 presos, segundo a previsão da Seju.

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