Cadeião de PG tem mais de 900 presos e bate recorde
Cadeia Pública Hildebrando de Souza tem capacidade para 283 presos, mas hoje já passou de 900 detentos. Justiça vai antecipar progressões de penas para reduzir superlotação histórica

A Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, atingiu um novo recorde de superlotação. A unidade chegou a 900 presos, empilhados em um espaço projetado para receber 283 pessoas. Com isso, o excedente é quase três vezes superior à capacidade do ‘Cadeião do Santa Maria’.
A falta de espaço no sistema carcerário de Ponta Grossa é histórica e, ano a ano, o problema se agrava. Em 2015, o número de presos na cadeia pública chegou havia passado de 600 e alertado as autoridades da segurança pública. Dois anos depois, o número de presos cresceu cerca de 50%. Por outro lado, a ampliação de vagas no mesmo período foi de 36%, indo de 207 para 283 com a construção da ala feminina.
A direção do Cadeião não quis comentar o problema. Já o Departamento de Administração Penitenciária do Estado do Paraná (Depen) negou que o número já passe de 900 e disse que, atualmente, a unidade possui ‘pouco mais de 800’ detentos. O Depen informou que medidas serão tomadas para reduzir a superlotação, entre elas um mutirão carcerário organizado pela Vara de Execuções Penais de Ponta Grossa (VEP).
De acordo com o Depen, a VEP já iniciou, nesta sexta-feira (24), a revisão da situação dos presos não apenas no Hildebrando, mas também no Centro de Regime Semiaberto de Ponta Grossa e na Penitenciária Estadual de Ponta Grossa (PEPG). A intenção do mutirão é antecipar as progressões de regime dos detentos para redistribui-los dentro do sistema prisional do município. Segundo o Depen, presos que estão próximos da progressão no regime fechado serão encaminhados ao semiaberto. Já os condenados do semiaberto que estão perto de progredir deverão passar para o regime aberto.
As revisões devem acontecer até o fim de novembro, antes do recesso do Poder Judiciário. O Depen ainda não informou quantos presos serão beneficiados com as progressões antecipadas e disse que um balanço deve ser apresentado na próxima semana.
Conseg cobra soluções
O Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Ponta Grossa tem acompanhado o aumento do número de presos na Cadeia Pública Hildebrando de Souza a cobrados soluções das autoridades. Na última semana, o Governo do Estado anunciou o investimento emergencial em ‘shelters’, que são uma espécie de containers para realocar os presos de alguns municípios. Segundo o Estado, as estruturas serão instaladas em Curitiba, Piraquara, Guarapuava, Maringá, Londrina e Cornélio Procópio. Ponta Grossa ficou de fora da lista e a presidente do Conseg-PG, Jane Vilaka, pretende fazer uma audiência do a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) em busca de soluções. “Estamos conversando com o Estado para conseguir alguma medida de emergência para Ponta Grossa também”, afirmou.





















