Caso Cíntia terá desfecho na próxima semana
Culpado ou não? Paulo Leandro Spinardi volta ao banco dos réus e encara júri popular na próxima terça-feira. Veja quais são as teses da acusação e defesa

O caso Cíntia deve ter um desfecho na próxima terça-feira (14). Às 8h30, o réu Paulo Leandro Spinardi vai se sentar no banco dos réus do Fórum de Justiça de Ponta Grossa para ser submetido ao júri popular. Caberá ao júri decidir se Spinardi matou ou não a estudante de Educação Física, Cíntia de Souza, no dia 14 de janeiro de 2015.
O réu é acusado de homicídio triplamente qualificado pelo Ministério Público do Paraná. Segundo a acusação, ele teria empurrado a jovem, na época ex-namorada, em uma fenda do Rio São Jorge. O crime teria motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Spinardi também é acusado de ocultação de cadáver e fraude processual.
Segundo o advogado assistente de acusação, Fernando Madureira, depoimentos juntados ao inquérito policial confirmam, junto aos laudos da perícia, a autoria do crime. “(Spinardi) é um assassino dissimulado, que mentiu várias vezes no decorrer do processo, começando quando foi ouvido perante a autoridade policial, momento em que negou a autoria do crime”, afrima. “Esta versão foi desmentida pela mãe de Spinardi, que declarou na Delegacia que seu filho tinha lhe confessado que ‘ele teria empurrado Cíntia de um barranco e ela acabou caindo, numa das valas’”, alega.
A defesa do acusado diz que não há provas de que ele tenha assassinado e espera a absolvição do réu. O advogado Renato Tauille conta que o casal teve uma discussão próximo à fenda do São Jorge e que Cíntia teria caído ao tentar empurrar Spinardi. “A versão do Paulo é que eles tiveram uma discussão na fenda. Ela veio para cima dele e, quando ele foi se esquivar, ela caiu”, afirma. “O laudo da criminalística foi inconclusivo, apontando que a queda pode ter sido resultante de uma força emprega por terceira pessoa ou pela própria vítima”, comenta.
Segundo Tauille, ficou comprovado na perícia que as pedras encontradas sobre Cíntia não foram arremessadas, mas se soltaram durante a queda. Sobre Spinardi não ter pedido socorro, a defesa alega que ele teve medo. “Ele ficou desesperado, tentou descer na fenda para socorrer ela, mas não conseguiu. Ele ficou com medo de não acreditarem nele”, conta o advogado.
Pena pode passar de 20 anos
Para os assistentes de acusação do processo, Fernando Madureira e Ângelo Pilatti, Paulo Leandro Spinardi deve ser condenado a mais de 20 anos de prisão. Madureira afirma que a investigação, conduzida pela delegada Tânia Sviercoski, não deixou dúvidas sobre a autoria do crime. “A polícia realizou um excelente trabalho de investigação derrubando todos os álibis forjados pelo acusado. Desta forma, a atual versão apresentada pelo acusado de que a morte de Cíntia foi acidental não deve ser acolhida pelos jurados”, diz. Spinardi aguarda o julgamento preso.
O crime
No dia 14 de janeiro de 2015, Cíntia de Souza saiu de casa e não voltou mais. A família considerou a jovem estudante, de 22 anos, desaparecida e levou o caso à Polícia Civil. Após investigações, foi realizada uma busca no Rio São Jorge e, no dia 21 de janeiro, o corpo da jovem foi encontrado, em uma fenda na localidade de Água Fria





















