Parto emergencial salva bebê vítima de acidente
Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais faz cesárea em paciente internada na UTI após acidente. Quatro médicos participaram do procedimento. Recém-nascido de sete meses se recupera na UTI neonatal

O Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais (HURCG) realizou um procedimento de alta complexidade inédito na história da unidade. A equipe médica do HURCG fez o parto de uma paciente que está entubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde a última quarta-feira (25). Kézia Fernanda Lemes, 24 anos, estava no veículo que bateu em um caminhão na PR-151, entre Ponta Grossa e Carambeí, na semana passada.
A cesárea foi feita na noite de sábado (28). Três obstetras, um pediatra, um anestesista, um médico da UTI e três enfermeiras especialistas participaram do procedimento, que levou menos de meia-hora.
A operação foi um sucesso. O bebê, que tem pouco mais de sete meses e dois quilos, foi levado à UTI neonatal do Regional e está se recuperando do procedimento. Inconsciente desde a última quarta-feira, a mãe retornou à UTI, onde segue internada e respira por aparelhos.
O médico que coordenou a cirurgia, Severino Orsatto, explica que o parto em si é semelhante a qualquer outra cesárea, mas que as condições adversas da paciente elevaram os riscos do procedimento. “A situação em que tudo ocorreu, com a gestante na UTI, com a possibilidade de danos neurológicos e mantida com aparelhos, isto tudo tornou o parto atípico. Mas na parte médica, é uma cesárea relativamente comum”, afirma.
O parto salvou a vida de kezia e também do bebê, batizado como Miguel. Uma complicação no quadro da mãe fez com que os médicos fizessem o procedimento de urgência. “O risco a óbito, tanto da mãe quanto do bebê, era real. A gravidez, neste sentido, desestabilizaria a gestante, que está em uma situação delicada”, comenta Orsatto.
Kezia teve traumatismo craniano no acidente da semana passada. Os pais da jovem, Ilete de Andrade Lemes e Cícero Guimarães Lemes, também estavam no veículo e morreram na hora. A família é de Arapoti. O pai da criança, Clodoaldo Mira, tem acompanhado a evolução da esposa e do filho recém-nascido na UTI do Regional. Para ele, o nascimento de Miguel é um milagre. “No momento, estamos orando bastante. Graças a Deus os dois estão melhorando. É muito difícil passar por tudo que estamos passando”, conta.





















