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Ponta-grossense homenageia Exército com poesia

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Gabriel Sartini

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Ex-integrante das forças armadas, o ponta-grossense João Osório Miranda decidiu resgatar uma poesia escrita há 56 anos para homenagear o Dia do Soldado, celebrado no próximo dia 25. Intitulada ‘A Última Batalha’, a poesia narra os dramas vividos pelos soldados que vão para a batalha. Veja abaixo a poesia:

A Última Batalha

O vasto campo perdido no horizonte;

Planície móvel, onde infantes vagam,

Alvo lençol verdejante desenrola.

Por sobre a tua solidão sem termo,

Nossa bandeira, símbolo da força,

Paira como vôos triunfantes de águias...

O campo deserto, palpitante e enorme,

Pátria de nossas almas erradias.

Sobre o teu dorso movediço corre

Nossas vidas selvagens, repartidas.

Entre o furor sangrento das batalhas e o

Desguiar da paz, no campo varrido;

Entre o “raivar” dos temporais desfeitos e

O galopar das cavalarias;

E sempre à vista do infinito ermo,

O imenso orgulho de nos sentir fortes;

E o grande gosto de nos ver livres.

Certo não podes tu, mísero escravo,

Que empalidece ante o horror das lutas,

Batidas de canhão.

Nem tu, por certo, crapuloso fidalgo esmorecido,

Ao peso das orgias, compreendê-las:

As emoções que lhe sacodem a alma;

O capitoso encontro desta vida;

Passada entre as batalhas rugidoras

Nas brutas lutas no campo sanhoso.

Tanques cortando os campos em tumulto,

Frente aberta como grandes asas,

E os caprichos do vento sacodem a bandeira sem rumo....

Assim vagamos tristonhos e aborrecidos,

Pela infinita solidão dos campos,

Chãos verdejantes, que do sangue ficam pegadas.....

Que é que buscamos?

O perigo e a luta;

O estrondo das metralhas, a glória das batalhas;

O sibilar sinistro das balas;

O coriscar das lâminas das espadas;

Os grandes golpes que o sangue espirra.

E sobre os “ais” flamejantes dos que morrem

O trovejar dos cantos de vitória.

A morte vista frente à frente,

Ao meio da acesa fúria do combate certo,

Assusta o mole coração dos fracos,

Descora o rosto ansioso dos covardes.

A nós, porém, aviva o sangue e os olhos,

Enrijece o coração e dá força aos braços.

Não tememos a morte que afrontamos.

Cantando e rindo no fragor da luta,

Lutamos, derramando sangue pela Pátria.

Se tantas vezes, tão perto a vemos,

Vemo-la tal qual, a qual se mostra,

Continuação do descuidado sono

Que dormimos, depois de uma batalha.

Os fatigados membros descansando

Sobre o troféu sangrento da batalha

Nele um dia, por fim descansaremos,

Sobre os louros da vitória.

Nas derradeiras contusões morrendo:

Matar. Vencer ainda!

E como a rocha

Que se despenha do alcantil de um morro,

Rola arranhando o chão, lascando troncos

Para a sombra do abismo onde se afunda,

Arrastando um cortejo de destroços.

Assim é belo, sucumbir lutando.

Morrer vibrando um derradeiro golpe,

E ao cair arrastar à própria queda

O corpo e a vida de um inimigo morto...

Pois nos cumpre morrer, que devemos

Pagar um dia esse tributo ou nada.

Venha quando quiser a incerta morte,

Pois sem medo, esperamo-la a pé firme.

E é bem a morte quando fere

Em cheio o peito de um valente,

Que chega rastejante

No solitário leito de um enfermo.

Enquanto enfermos extenuados e pávidos,

Gota a gota, destila o fel da vida...

Suspiro a suspiro, o alento exala...

Num longo sopro, num arranco heróico,

Nossas vidas esvaem-se e nossos espíritos,

O vôo eleva para a eternidade.

Que inútil morrer no fofo leito,

Se escravo é sempre o lívido despojo,

Que na estreita cova ficará cativo

Até que liberte a lama apodrecente.

A nós, quando caímos.

Na surpresa de um belo golpe de uma bala rápida:

A glória de um combate!

Na apoteose dos clarões das metralhas,

A nós vencidos, como rubra mortalha:

O próprio sangue!

Por sepultura, o céu azul dos campos,

Por adeus e oração estas palavras:

Dos que se deixam sobre os campos, bravos!

Por aqueles que se foram,

Termina a última batalha.

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