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Desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho ainda persiste

Em meio às injustiças, trabalhadoras de Ponta Grossa conquistam espaço e quebram estereótipos

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Da Redação

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Historicamente, as mulheres vivem em uma longa luta por reconhecimento de seus direitos civis, sociais e políticos. Engana-se quem acha que as lutas cessaram. Nos dias de hoje as brasileiras ainda sofrem com a desigualdade encontrada em ambientes caracteristicamente competitivos, como o mercado de trabalho.

A igualdade de exercer e ganhar sem diferenciação de gênero no meio profissional é uma conquista que está longe de ser obtida. Segundo Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2016 do Fórum Econômico Mundial, a desigualdade no Brasil é uma das maiores do mundo sendo necessário mais ou menos um século para equiparar as condições entre ambos os sexos. Atualmente, entre 144 países listados o Brasil ocupa a 129ª posição no que se refere à igualdade de salários entre gêneros.

O relatório ainda constatou que, no Brasil: a diferença salarial entre homens e mulheres em cargos executivos é de mais de 50%. Quanto à renda média, a mulher ganha cerca de US$ 11,6 mil por ano sendo a renda média masculina de US$ 20 mil.

A desigualdade está ao redor de todas as áreas e o desafio de se desenvolver profissionalmente em ambientes socialmente taxados como masculinos é ainda maior. O longo caminho percorrido até aqui para ganhar espaço ainda não é suficiente para que a remuneração seja justa. Um dos motivos dessa desigualdade pode ser a cultura predominante patriarcal brasileira advinda desde a colonização. Desmistificar o conceito histórico do lugar feminino é a maior barreira imposta consciente e inconscientemente pela sociedade.

Em Ponta Grossa, a borracheira, Marilza Morais (37) cita que sofreu com a desigualdade no começo da profissão, mas que os “olhares tortos” estão diminuindo. “Os homens têm isso, porque como é um serviço pesado. Eles acham que só eles podem erguer um carro, que só eles podem pegar um pneu". Hoje, Marilza se sente reconhecida pelo seu bom trabalho. "Recebo muitos elogios, principalmente dos homens, das mulheres nem tanto", conta.

No volante

Já a taxista Elaine Cristina (37), há dois anos trabalha junto com o marido, no mesmo ponto de táxi, dividindo o mesmo carro em horários diferentes.

Do mesmo modo que outras mulheres, no começo Eliane sofreu bastante preconceito por parte dos passageiros. "Eles perguntavam, se eu tinha medo de ser assaltada, de alguém me agarrar, se tinha receios. Eu falava que não. Tem tudo isso, mas estamos aí". Elaine sente falta de mais respeito por parte dos homens e completa dizendo que seu maior sonho é ser manobrista de caminhão. "Quero ser manobrista de caminhão. Tenho uma amiga que já está trabalhando. Ela também sofreu bastante preconceito", explica.

Na segurança

As mulheres aprenderam e superam os obstáculos e preconceitos em seu dia a dia, umas mais que outras, porém, todas almejam o reconhecimento e respeito no mercado de trabalho seja qual for a área escolhida.

É o desafio também vivido por Alexandra Strack (42), casada, com três filhos e que trabalhava em uma farmácia até perceber a necessidade de mudar de profissão. Encontrou oportunidade em uma vaga como vigilante patrimonial, função que exerce há 10 anos.

No começo, eram três mulheres em meio a um grupo de 47 homens e Alexandra relata não ter sido muito bem aceita, fato que ela atribui à “profissão arriscada e por haver aquele preconceito dos homens que lugar de mulher é em casa”, comenta. O maior obstáculo para ela era a falta de respeito por parte dos colegas que a viam como uma intrusa “invadindo um espaço que era destinado aos homens”.

Alexandra não desistiu, se adaptou e se especializou, tendo feito vários cursos de segurança. Mudar da carreira de novo nunca passou pela sua cabeça. Com o tempo, observou melhoras no meio profissional, mas, mesmo assim frases machistas ainda são ditas a ela. “Uma vez um cliente falou que mulher tinha que esquentar a barriga no fogão, esfriar no tanque e não trabalhar como vigilante”. Outra vez ela ouviu que estava “se aproveitado só porque estava armada”. “Eu ignoro”, desabafa.

A vigilante convive com o preconceito, havendo hoje uma inversão quanto a sua aceitação, diferentemente do que se pensa. “A parte masculina respeita mais do que a feminina”, ressalta. Para ela o meio profissional está cada vez menos machista, dando espaço para uma maior participação feminina. “Hoje as mulheres estão liderando, não só nessa área, mas em muitas outras”.

Porém ainda há desigualdades. “Nem todas as empresas são como a minha, que abrem esse tipo de espaço”. Aonde Alexandra trabalha, homens e mulheres recebem o mesmo salário.

Proporções

Pesquisa realizada pela recrutadora de talentos Catho, em março desse ano, deixa claro as proporções da diferença salarial, analisando os salários pagos em oito funções que vão de estagiário a gerente. A diferença maior é encontrada em cargos de gerencia e coordenação onde mulheres ganham em média R$ 8.183,00 e os homens R$ 12.006,00, seguidos por cargos de consultor (mulheres R$ 3.359,00/ homens R$ 5.457,00) e especialistas graduados (mulheres R$ 4.071,00/homens R$ 6.164,00).

Por Danilo Wiedermann, Ana Carolina Lima e Emerson Luiz

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