Moradores de PG resistem a crescente urbanização
Há quem resista a urbanização e que prefira morar no campo

O desenvolvimento das cidades se intensificou nos últimos anos. Lugares antes distantes, áreas rurais e fazendas se tornaram conjuntos habitacionais e bairros. Porém, há quem resista a essa urbanização toda e que prefira morar no campo. É assim em Ponta Grossa, onde mesmo com o avanço das comunidades urbanas ainda existem 50 imóveis com mais de cinco mil metros quadrados próximos da cidade e onde ainda se mantém o contato com a natureza e práticas agrícolas.
Os dados são da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Município. Boa parte dessas propriedades faz parte do esforço para a formação de um Cinturão Verde e do Cinturão de Produção Animal que possa atender a Ponta Grossa com produtos do campo.
Quem mora nessas localidades garante que é bom. A estudante Adriana Ribas é uma delas. Para a jovem, morar na área rural apresenta vantagens não encontradas na região mais central. “A movimentação de automóveis é menor, sem buzinas. O ar é mais conservado! Acredito que há menos criminalidade”, explica.
O lado negativo que Adriana ressalta é a distância do comércio, dos bancos, dos hospitais, das festas, mas principalmente dos estabelecimentos de ensino. “Para estudar tenho que seguir uma rota de 43 quilômetros com o ônibus universitário para chegar ao colégio. Não acho que atrapalhe nos estudos, mas é cansativo, pois, são quase duas horas até chegar”, comenta.
Um colonizador
A chácara do ex-gerente de banco, Carlos Machado é mais perto do que a casa de Adriana. Ele mora há mais de 40 anos na região de Uvaranas, mas quando chegou na região não existia acesso à água e nem à eletricidade. “Tudo isso teve que ser pago para as operadoras para se adquirir”, explica. Outras vezes os moradores se uniam para pagar pelas benfeitorias.
Carlos tentou produzir algo na chácara, mas nenhuma das tentativas teve sucesso. “O galinheiro foi abortado por falta de segurança devido aos ladrões de galinhas. A produção de repolho foi cortada pela falta de comercialização, pois, os mercados só comprariam com garantia de fornecimento de outros vegetais durante todo o ano. Ainda houve a tentativa de criação de carneiro, cancelada devido aos altos custos com vacinas, veterinário e energia para congelamento. Sempre uma razão inviabilizava o projeto. Assim foi também com o plantio de milho, cujo preço final era muito maior que o oferecido pelo mercado”, lamenta o ex-gerente.
Hoje a propriedade de Machado é totalmente urbana, conta com rede de energia e água, internet 4g e fibra ótica, linhas de ônibus passam em frente da casa e nas proximidades existem hipermercados, escolas, faculdade e hospital que podem ser acessados a pé. Porém o objetivo produtivo da propriedade se perdeu. “Há a rotina de manutenção de gramados, poda de árvores, plantio de pequena horta e flores, porém apenas com o objetivo estético” afirmou Machado.
Incentivo
A prefeitura dá redução de impostos para propriedades produtoras na região de Ponta Grossa que tenham mais de cinco mil metros quadrados. Os descontos de IPTU vão de 0,2% até 0,5%, dependendo do tamanho do imóvel e da porcentagem utilizada para produção.
É o proprietário quem tem que pedir na prefeitura essa redução. Neste ano o prazo para as solicitações se encerrará em 30 de setembro. Há duas leis que garantem essa redução, desde que comprovadas as informações. Para saber mais sobre essas leis e sobre como fazer o pedido, basta ligar no telefone 42 3901-1686, na Secretaria de Agricultura.
Por Ana Carolina Lima, Emerson Luiz e Danilo Wiedermann





















