Prédio de 50 andares tem obras canceladas pela LCS
Área escolhida inicialmente tinha cerca de 100 árvores, das quais mais de 60 seriam cortadas

O projeto da construção do Vogue Square Garden, edifício de 50 andares idealizado pela Construtora LCS, não será mais construído no terreno localizado na rua Silva Jardim, ao lado do colégio Neo Master. Essa área anteriormente escolhida pela empresa para edificar o mais alto prédio no Estado do Paraná tinha 5 mil metros quadrados, e contava com cerca de 100 árvores, entre as quais, algumas em extinção, como Imbuia e de Cedro-rosa, protegidas por lei. Mais de 60 árvores deveriam ser derrubadas para o Vogue. A construtora agora escolheu um terreno entre as ruas Lúcio de Mendonça e Medeiros de Albuquerque, em Oficinas, cinco quadras distante do local do projeto original, para levar adiante sua construção.
A mudança do endereço ocorreu mesmo em um processo já avançado para a construção na área de mata. O empreendedor, Luiz Eduardo Carvalho da Silveira, fundador da LCS, tinha ressaltado que já estava em mãos com o alvará de construção, assim como a licença ambiental prévia. O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Iplan) do Município de Ponta Grossa também já tinha aprovado o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e revelado algumas medidas compensatórias para que o projeto fosse executado naquele local. A área já estava cercada com tapumes com o nome do empreendimento – os quais foram recentemente retirados.
Pelo fato da mudança do endereço, mesmo que não haja alteração no projeto do prédio em si, tudo precisará ser recomeçado do zero. Um novo Estudo de Impacto de Vizinhança deve ser feito e apresentado ao Iplan, já que, como informou o Instituto, através da assessoria de imprensa, como é outro lugar, são outros impactos. Outro protocolo deverá ser aberto, para que o conselho faça nova análise e revele as respectivas medidas compensatórias. Nova entrada deve ser feita junto ao Departamento de Urbanismo da Secretaria Municipal de Planejamento, para pedir o alvará de construção; e licenciamento ambiental deverá ser todo refeito, através de uma nova análise. “O licenciamento é pelo imóvel e suas características ambientais. A empresa deve dar entrada, começando com licença prévia”, informou a Secretaria de Meio Ambiente, através da assessoria de imprensa.
O Jornal da Manhã e o Portal aRede revelaram a mobilização da vizinhança e de uma ONG, que questionavam os aspectos ambientais do projeto na rua Silva Jardim. O Observatório de Justiça e Conservação, de Curitiba, também encaminhou a situação para o Ministério Público, para reforçar a análise do projeto naquela área. Laudo do técnico responsável pelo empreendimento apontava que a vegetação da área anteriormente escolhida encontra-se, em sua maioria, em estágio avançado de regeneração.
A reportagem entrou em contato com o empreendedor Luiz Eduardo Carvalho da Silveira para obter mais informações do projeto em novo local, porém não obteve o retorno até o fechamento dessa edição.
Mudança é vista de forma positiva no aspecto socioambiental
O vizinho do empreendimento e representante dos moradores do entorno, Maurício Assad, exaltou a decisão da construtora de alterar o local do projeto, principalmente no âmbito socioambiental. Ele questionava a construção pelo fato da derrubada das antigas e altas árvores, assim como Isabele Futerko, presidente do Grupo Fauna. “Ponta Grossa ganha muito com a preservação do Parque, com a mudança de endereço. Foi fácil essa resolução do problema, com a mera substituição do local, próximo à Servopa. Que bom que predominou o bom senso e houve essa consciência socioambiental do empreendedor”, destacou Maurício Assad.
Área anterior não é considerada ‘Parque Honório’, diz a Prefeitura
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente esclareceu que a área anteriormente escolhida, embora conhecida popularmente como ‘Parque Honório’, assim como uma área ao lado, mesmo com essa denominação em documentos do IAP, não é, em essência o Parque Honório:
“Para esclarecimento, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente destaca que o ‘Parque Honório’ era uma área pública, porém não é a mesma do empreendimento citado. Hoje, nesta área conhecida como Parque Honório, está instalado o Fórum e a Justiça Eleitoral. Essas informações podem ser conferidas na Lei nº 6527/2000 e nº 6742/2001. A secretaria destaca ainda que o imóvel referente ao empreendimento não é um parque, não é público e não é unidade de conservação. Se houver qualquer dúvida ou questionamento a Secretaria está à disposição para esclarecê-las”, informou a Prefeitura, em nota.
O projeto
O prédio, com 50 andares, terá a altura de 170 metros, o que o tornaria o mais alto do Estado do Paraná. O projeto, construído ao estilo neoclássico moderno, prevê que o edifício terá 26,2 mil m² de área construída. Serão quatro pavimentos de garagem, em uma construção anexa, ao lado da torre, e contará com 45 unidades suspensas. Cada uma dessas unidades terá uma área privativa de 315 m², e todos os apartamentos terão piscina. Já as plantas tipo duplex terão 629 m² de área privativa.





















