‘Escola Restaurativa’ reduz atos de indisciplina dos alunos | aRede
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‘Escola Restaurativa’ reduz atos de indisciplina dos alunos

Projeto é aplicado em cinco estabelecimentos de Ponta Grossa; no Colégio Estadual Borell du Vernay, redução de atos de indisciplina chega a 65%

Juíza Laryssa Angélica Copack Muniz coordena o Cejusc em Ponta Grossa
Juíza Laryssa Angélica Copack Muniz coordena o Cejusc em Ponta Grossa -

Gabriel Sartini

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Projeto é aplicado em cinco estabelecimentos de Ponta Grossa; no Colégio Estadual Borell du Vernay, redução de atos de indisciplina chega a 65%

Na mesma semana em que uma professora foi agredida dentro de uma escola em Santa Catarina e a situação do ensino público brasileiro entrou em discussão, um projeto aplicado em Ponta Grossa mostra que existe uma forma de lidar com os problemas dentro das salas de aula. O projeto Escola Restaurativa, uma das ‘ramificações’ da Justiça Restaurativa no município, apresenta resultados relevantes e aponta uma saída para a solução de conflitos envolvendo estudantes.

Aplicado em cinco instituições de ensino de Ponta Grossa, o Escola Restaurativa se destacou no Colégio Estadual Borell du Vernay, onde alunos e professores abraçaram a iniciativa e reduziram os atos de indisciplina em 65%. “No Borell, um colégio que tem mais de 1,7 mil alunos, já faz mais de um ano que não há qualquer registro de violência física, e o Escola Restaurativa está no colégio há pouco mais de um ano e meio”, explica Laryssa Angélica Copack Muniz, juíza de direito coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania de Ponta Grossa (Cejusc) e membro da Comissão de Justiça Restaurativa do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

O colégio decidiu implantar o projeto depois de dois atos graves envolvendo alunos. Um deles foi uma briga ocorrida na frente da escola em que um dos alunos teve convulsões depois de levar um chute na cabeça – o vídeo circulou pelas redes sociais e chamou a atenção das autoridades para a situação vivida dentro do colégio. “Depois de um dos atos de indisciplina, a intenção era expulsar o aluno envolvido, mas buscamos outra solução e percebemos que houve um resultado bastante expressivo”, destaca a juíza.

Um dos métodos da Justiça Restaurativa que foi adotado no colégio é o Círculo de Construção de Paz, que prioriza o diálogo entre os participantes para a criação de um espaço seguro de fala e de escuta ativa. Nesses momentos, é dada a oportunidade de cada um contar sua história e debater sobre um determinado tema, sempre buscando mostrar ao aluno seu lugar no mundo e na sociedade. “Uma professora decidiu adotar esse método também durante as aulas e não apenas na mediação de conflitos e a média da turma subiu na disciplina”, lembra Laryssa, que acompanhou uma das aulas e questionou aos alunos o que tinha mudado. “Um deles me respondeu ‘agora eu sou ouvido’, isso mostra a importância do diálogo na vida desses jovens”, completa.

Atos de indisciplina x Atos infracionais

Uma divisão importante que a juíza faz e que demonstra a importância da mediação de conflitos é que os atos de indisciplina, muitas vezes, eram levados até a Justiça. “O ato infracional é o que viola a lei penal e é tratado pela Justiça, mas o ato de indisciplina viola as regras de escola e tem que ser resolvido lá dentro”, explica Laryssa. “A ideia é ter uma ferramenta para resolver esses problemas no ambiente correto e a Escola Restaurativa se mostrou eficaz”, explica.

Parceria com IMM

O Instituto Mundo Melhor (IMM) é parceira do Tribunal de Justiça do Paraná no âmbito da Justiça Restaurativa. Em Ponta Grossa, o IMM é o responsável, por exemplo, pela impressão do material didático que é apresentado aos parceiros e também por organizar os cursos que abordam o tema. Nesta quarta-feira (23), por exemplo, trabalhadores da área da saúde participaram de um curso abordando o tema.

Em Ponta Grossa, hoje, 19 entidades já receberam o selo que a identificam como parceiras da Justiça Restaurativa e mais de 400 pessoas já foram capacitadas para trabalhar com o tema.

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