Menos da metade da região destina lixo em áreas adequadas
Nos Campos Gerais, 72,2% das cidades têm aterro sanitário, mas situação do Aterro do Botuquara, em Ponta Grossa, puxa os números por habitante população para baixo

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) divulgou nesta segunda-feira (31) o Relatório da Situação da Disposição Final de Resíduos Sólidos Urbanos no Paraná, estudo que busca avaliar qual a destinação do lixo em cada cidade do estado. A região dos Campos Gerais, atendida pelo Escritório Regional de Ponta Grossa (ERPGO) do IAP, tem a maioria de suas cidades com aterros sanitários, mas menos da metade da população destina seus resíduos a esses locais.
Conforme aponta o estudo, dos 18 municípios que compõem o ERPGO, apenas Sengés ainda trabalha com lixão, enquanto Ponta Grossa, Ortigueira, Ipiranga e Ventania possuem aterros controlados – que possuem o mínimo de controle ambiental, como isolamento, acesso restrito, cobertura dos resíduos com terra e controle de entrada de resíduos. Outras 13 cidades, 72,2% do total, trabalham com aterros sanitários devidamente licenciados: Arapoti, Telêmaco Borba, Jaguariaíva, Imbaú, Reserva, Tibagi, Castro, Carambeí, Ivaí, Porto Amazonas, São João do Triunfo, Palmeira e Piraí do Sul.
No entanto, apesar de a maioria dos municípios possuir aterros licenciados, menos da metade da população destina os resíduos sólidos a esses locais. De acordo com o estudo, dentro dos municípios do ERPGO, “apenas 48,4% da população destina os RSU em área (s) de aterro sanitário, devidamente licenciada (s)”. Isso acontece principalmente porque Ponta Grossa, a maior cidade da região, com mais de 330 mil habitantes, não possui um aterro sanitário, apenas o Aterro Controlado do Botuquara, fazendo com que os dados da região tenham uma queda significativa nesse sentido.
A Câmara Municipal de Ponta Grossa (CMPG) deve definir nesta segunda-feira (31) os integrantes da Comissão Especial de Investigação (CEI) do aterro do Botuquara. Criada a pedido dos vereadores Celso Cieslak (PRTB) e Sargento Guiarone (PROS), a CEI quer buscar mais informações sobre a utilização do aterro. O grupo teria os membros definidos na sessão do último dia 24, mas a escolha acabou adiada após polêmica entre os parlamentares.
A criação da CEI acontece após um período turbulento no setor ambiental. Em junho acabou o prazo do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre a Prefeitura de Ponta Grossa e o Ministério Público (MP) que previa o fim do aterro do Botuquara. O prazo venceu no último dia 17 de junho e o MP já afirmou que irá executar o TAC que prevê uma multa diária de R$ 1 mil caso o terro seguisse sendo utilizado.
Maioria dos municípios do Paraná tem aterros licenciados
A maioria dos municípios paranaenses já destina seus resíduos sólidos urbanos para aterros sanitários devidamente licenciados. Dos 399 municípios, 75% estão nesta condição. O documento do IAP aponta que, além das 301 cidades que destinam seus resíduos de maneira regular, 19% (74) destinam seu lixo para aterros sanitários controlados – que possuem o mínimo de controle ambiental, como isolamento, acesso restrito, cobertura dos resíduos com terra e controle de entrada de resíduos – e 6% (24) ainda se utilizam de lixões.
O documento do IAP mostra, também, que a maioria da população paranaense (82%) é atendida por uma correta destinação dos seus resíduos. O restante é atendido por aterro sanitário controlado (16%) e apenas 2% ainda destina em lixão. A coordenadora do estudo lembra que é preciso que as pessoas comecem em casa. Considerando que, de acordo com Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) a produção de lixo por pessoa no Sul do país é de 1,07 quilo/ dia, o Paraná produz 11.186 toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos, diariamente.





















