Morte na Visconde de Taunay revela drama familiar
A morte de Vera Lúcia Alves da Rosa, de 50 anos, provocou um drama familiar - Vera morreu depois de ser atropelada na avenida Visconde de Taunay no dia 2 de julho. A família da vítima pede justiça no caso e encara o fato como como "crime" - de acordo com os laudos da polícia, Alessandro Marcelo Massuqueto, motorista do carro que atropelou Vera, freou por 38 metros antes de atingir a dona de casa.
Anderson Alves da Rosa é irmão de Vera e apresentou laudos da Polícia Científica e do Instituto Médico Legal (IML). Vera teve, segundo o IML, mais de 12 lesões graves pelo corpo - dentre elas o traumatismo da coluna cervical. "O carro estava muito rápido e o motorista não tentou nem mesmo desviar. Ali é uma subida reta e com visão. Algumas pessoas disseram que ele estava usando o celular", contou Anderson.
De acordo com o irmão de Vera, o motorista que provocou o acidente estava em alta velocidade. "Várias pessoas viram que ele vinha muito rápido. Minha irmã foi jogada vários metros adiante do carro e atingida com uma violência muito grande", contou Anderson. Vera foi socorrida ainda no local do acidente e levada para o Hospital - a dona de casa não resistiu às diversas fraturas e morreu.
Família desamparada
Vera recebia um auxílio do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e fazia bicos para sustentar a família - ela vivia com o filho de 12 anos e também cuidava do marido, César Melwzar, de 38 anos, que sofre de câncer. "Já enfrentávamos uma situação complicada e agora está tudo muito pior", disse Anderson.
O irmão de Vera contou que, em nenhum momento, Alessandro procurou a família para prestar qualquer tipo de apoio ou esclarecimento. "Estamos desamparados e revoltados com toda a situação", disse Anderson.
Motorista tenta vender equipamentos de tunning
O carro envolvido o acidente (um Volkswagen Gol branco) era rebaixado, turbinado e tinha instalado um sistema de iluminação xenon - as alterações não tinham a documentação necessária e o carro acabou apreendido. Alessandro também foi submetido ao teste do bafômetro - o resultado foi negativo para o consumo de álcool.
O veículo de Alessandro está detido no pátio da Polícia Civil até que a perícia no carro termine. Mesmo assim, Massuqueto publicou no seu perfil no Facebook um anúncio de venda da turbina do carro - o fato revoltou os familiares de Vera. "Um dia depois de matar a minha irmã ele já estava postando fotos de festa. Agora vender a turbina de um carro que está preso foi desrespeito demais", argumentou Anderson.
Polícia investiga o caso
Josimar Antônio da Silva é o responsável pelo inquérito do caso e confirmou que algumas testemunhas já foram ouvidas. "Estou aguardando alguns depoimentos e outros laudos para concluir as investigações", contou o delegado. Josimar também afirmou que o carro continua detido na 13ª Subdivisão Policial da cidade.
Advogado nega desamparo
Por telefone, o advogado de Alessandro, Daniel Sebastião, contestou a falta de auxílio à família da vítima e disse que todo o funeral de Vera será bancado pelos familiares do motorista. "Os custos do velório e do enterro de Vera vão ser pagos pela família do Alessandro", argumentou. Daniel também questionou os laudos da polícia sobre o espaço de frenagem.
Quanto as testemunhas apresentadas pela família, Daniel foi categórico em dizer que "são compradas" e que ninguém presenciou o caso. O advogado preferiu não se manifestar sobre as outras circunstâncias do crime e que vai esperar o andamento do inquérito para emitir outras declarações.
Avenida perigosa
A Visconde de Taunay é uma das principais vias de Ponta Grossa e também uma das mais violentas. Um levantamento do portal aRede revela que, de acordo com dados do Corpo de Bombeiros, 49 atropelamentos já foram registrados na avenida nos últimos quatro anos - nesses acidentes, 4 pessoas acabaram morrendo.





















