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Crack avança entre as crianças de PG

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Gabriel Sartini

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O uso do crack em Ponta Grossa tem crescido nos últimos anos. É o que mostram os dados da Secretaria de Cidadania e Segurança Pública em um estudo inédito divulgado ao Jornal da Manhã. Segundo o secretário cidadania e segurança pública, Ary Lovato, cerca de 0,6% da população da cidade já teve algum contato com a droga. “Com certeza grande parte dos usuários de crack é de baixa renda e moradores de rua. Nosso cálculo é de que aproximadamente 40% deles vivem em regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)”, completa o secretário.

Ainda de acordo com o estudo, 14% das pessoas que já tiveram algum tipo de contato com o crack, em Ponta Grossa, são crianças com menos de 15 anos e, aproximadamente 60% do total de usuários, têm idades entre 17 e 19 anos.

A prevenção contra o uso do crack e de outras drogas ainda é a melhor ferramenta para o combate. Segundo o delegado da Divisão Estadual de Narcóticos da Polícia Civil em Ponta Grossa, Eduardo Machado de Oliveira, dentre os três eixos usados no combate à droga, a prevenção é o mais importante. “Em todos os locais que trabalhei, obtivemos recordes em apreensão de crack, contudo não podemos afirmar que por isso a quantidade das drogas na rua tenha aumentado, por que se trata de um mercado negro e as táticas da polícia contam muito nesse caso”, completou Machado, para quem mais de 90% dos crimes tem relação com as drogas ilícitas.

O delegado explica ainda que o segundo eixo para combate às drogas é o tratamento de dependentes químicos, o qual retira muitos usuários das ruas. Em Ponta Grossa, o setor de internamento ao dependente químico do Hospital São Camilo abriga apenas 20 dependentes químicos masculinos. O Hospital Municipal não possui ala específica para o tratamento, mas recebe pacientes.

Segundo a coordenadora geral do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Elaine Peclat Bastos, Ponta Grossa têm apenas uma sede especializada em tratamento ao usuário de drogas. “Necessitamos de uma sede que atenda a demanda de 24 horas, com isso, a eficiência do tratamento aumentaria”, diz.

Nas comunidades terapêuticas, a cidade conta com 250 leitos distribuídos em sete locais para atender aos dependentes químicos. Essas comunidades garantem o acolhimento para pessoas com transtornos decorrentes do uso ou dependência de drogas. O atendimento custa para as comunidades terapêuticas em média R$ 1 mil ao mês e, tem duração de no mínimo sete meses. Para o presidente do Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas (COMAD), Claudimar Barbosa, a cidade possui uma estrutura quase ideal para o atendimento ao dependente químico, porém, existem lacunas no apoio do poder público. “Se existisse um investimento centralizado através de um fundo municipal antidrogas poderíamos englobar um público maior”, diz, “para Ponta Grossa atingir uma estrutura ideal deve duplicar os leitos aumentando o número para 500”, finaliza.

Informações do Jornal da Manhã.

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