Cambistas do 'VT' atuam livremente em PG
Quem passa pelos terminais de ônibus já se acostumou com cambistas vendendo passagens em bilhetes eletrônicos por um preço abaixo da tarifa integral. O esquema da venda e compra ilegal do bilhete eletrônico rende aproximadamente R$ 2,2 milhões ao ano para os cambistas dos terminais de transporte público de Ponta Grossa.
A estimativa faz parte do dossiê encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) e à subseção em Ponta Grossa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pela Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte (AMTT). O objetivo do documento é revelar os lucros obtidos por esse comercio considerado ilegal. O esquema seria controlado, em Ponta Grossa, por apenas quatro pessoas e envolveria outras 15, cooptadas para a comercialização dos passes.
Os cambistas pagam na passagem R$ 1,60 e revendem por R$ 2,40 ao passageiro final. A estimativa é que torno de 900 cartões, com dez créditos cada, sejam usados irregularmente por dia, nos quatro terminais de ônibus da cidade. O levantamento prevê que o lucro no esquema seja no entorno de R$ 7,2 mil por dia, R$ 187, 2 mil por mês e chegue a cifra de 2,2 milhões por ano.
Segundo o chefe da Autarquia Municipal de Trânsito, Eduardo Kalinoski, esse comercio não atinge diretamente o transporte coletivo. “Entre maiores prejudicados estão os empresários que disponibilizam esses passes para seus respectivos funcionários”, explica. Segundo Kalinoski, a AMTT pretende criar cartões de transporte especializados a fim de diminuir a venda ilegal de passagens.
Na manhã da ultima sexta-feira (20), a equipe de reportagem do Portal aRede e do Jornal da Manhã foi até o Terminal Central do transporte coletivo para flagrar, com uma câmera escondida, a ação do mercado paralelo de venda das passagens de ônibus. Para entrar no comércio, a pessoa deve solicitar a um dos cambistas que trabalham no ponto. “Não existe mais possibilidade de novos comerciantes usarem o espaço para a venda, pois todos já estão ocupados”, confessou um dos cambistas.
O esquema de venda ilegal de passagens é de conhecimento de boa parte dos usuários do transporte coletivo, inclusive os funcionários da Viação Campos Gerais (VCG). Questionado sobre a legalidade do comércio, um cobrador de ônibus contou que a atividade é comum entre os passageiros. “Não tem problema nenhum, na verdade quase todo mundo faz assim, pois sai mais barato”, afirma. Durante a conversa com outra cobradora, a mulher aconselha a venda do vale-transporte. “Se não for usar o cartão é melhor vender, você terá um pouco de lucro”, disse a funcionária.
VCG não considera comércio ilegal
Segundo a assessoria da Viação Campos Gerais (VCG), o impacto do comercio paralelo é desconhecido e não pode ser considerado ilegal, pois o repasse é realizado com colaboração do usuário ao comerciante. O uso do cartão eletrônico e a limitação do número de passagens tem, segundo a VCG, a finalidade de diminuir a ação dos cambistas. A empresa também diz que não tem qualquer estudo a respeito do valor gerado por essa atividade.
AMTT quer coibir ação de cambistas
Segundo o presidente da Autarquia Municipal de Trânsito, Eduardo Kalinoski, o órgão pretende instituir uma alteração na Lei para diminuir a ação dos cambistas. “Estamos planejando uma minuta para a Lei do Transporte Coletivo que prevê uma separação do cartão que realiza as recargas para o que é creditado”, explica.
Informações de Gustavo Dornelles, do Jornal da Manhã.





















