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PG terá audiência pública para discutir questões trabalhistas

Juiz da 2ª Vara do Trabalho enviou um ofício ao Legislativo, Executivo e Sindicato dos Servidores (SindServ) com a sugestão

Leovanir Martins, presidente do SindServ, afirma que município deve realizar economia para depositar FGTS integralmente
Leovanir Martins, presidente do SindServ, afirma que município deve realizar economia para depositar FGTS integralmente -

Afonso Verner

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Juiz da 2ª Vara do Trabalho enviou um ofício ao Legislativo, Executivo e Sindicato dos Servidores (SindServ) com a sugestão

Ponta Grossa terá uma audiência pública para discutir questões trabalhistas ligadas à Prefeitura Municipal de Ponta Grossa (PMPG). A sugestão é do juiz da 2ª Vara do Trabalho da cidade, Abeilar dos Santos Soares Junior, e foi manifestada em um ofício encaminhado pelo magistrado à própria Prefeitura, à Câmara Municipal de Vereadores e ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SindiServ)

No documento, o juiz sugere a realização de uma audiência pública para discutir a situação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) do funcionalismo público e o modo de contrato de trabalho da classe, atualmente regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A audiência pública será realizada na Câmara, mas ainda não tem nada e hora definidos – os temas são polêmicos e já são discutidos há décadas na cidade.

Segundo o presidente do Sindserv, Leovanir Martins, a audiência foi convocada para discutir o não pagamento do FGTS por parte do Poder Executivo – atualmente a Prefeitura tenta aprovar no Legislativo um projeto de lei (PL) para renegociar R$ 25 milhões em débitos do Fundo de Garantia. “Na nossa opinião, o município deveria realizar contenções de gastos para conseguir arcar com o pagamento do FGTS”, contou Leovanir.

A decisão do juiz em realizar a audiência pública teria ocorrido após presenciar vários casos de ações judiciais de servidores que acionam a Justiça do Trabalho para requisitar o FGTS. Em uma audiência para analisar uma das inúmeras ações movidas por funcionários do Município, na última terça-feira (04), o magistrado colocou na ata que é preciso ter uma solução definitiva para o caso. Abeilar ressalta no documento que, em última instância, quem é prejudicada e arca com o custo dessas ações, que geralmente resultam em dívidas de precatórios, é a população ponta-grossense.

Para Leovanir, a falta do pagamento do FGTS é fruto de um descontrole financeiro por parte de vários gestores. “Essa não é uma exclusividade dos gestores atuais, mas sim de vários e vários prefeitos que vem deixando de lado o funcionalismo público”, criticou Martins. Segundo o sindicalista a posição do SindServ é de que o não pagamento do FGTS poderia ser revertido com medidas de austeridade por parte da administração.

Sindicato quer 10% de reajuste em 2017

Além do debate sobre a dívida com o FGTS, Prefeitura e Sindicato também debatem a data-base dos servidores para 2017. Com data prevista para 1 de maio, a data-base aprovada na assembleia dos servidores prevê um reajuste de 10%. A proposta já foi apresentada ao Poder Executivo e agora os sindicalistas aguardam a resposta da administração. O controlado-geral do município, Lauro Costa, chegou a afirmar que o pedido era uma “inconsequência administrativa” por parte do Sindicato – a declaração foi prontamente rebatida pelo SindServ.

Debate sobre a mudança do regime

A audiência pública também deverá abrigar um debate antigo no município: a mudança dos servidores de um regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para um regime estatutário. O Sindicato já se manifestou publicamente sobre a possibilidade e acredita que a medida seria um “retrocesso” nos direitos conquistados pela categoria. Já na visão de lideranças ligadas à Prefeitura, o município pertence a um pequeno grupo de prefeituras no país que ainda tem o regime de contrato de trabalho dos servidores baseado na CLT. 

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