Semelhança física faz homem ficar preso injustamente
Johny Marcos Carvalho Lopes ficou preso por mais de um ano injustamente. Ele foi condenado por estupro no lugar do irmão
A semelhança física de Johny Marcos Carvalho Lopes, hoje com 40 anos de idade, e seu irmão, Odair José Carvalho Lopes, quatro anos mais novo, custaram ao pai de família e empreiteiro da área de Construção Civil de Ponta Grossa um ano, dois meses e 22 dias de sua liberdade. Confundido com o irmão, ele passou todo esse tempo atrás das grades, na Cadeia Pública Hildebrando de Souza. A confusão teve início em 2006. A condenação veio em 2015 e ele deixou a prisão na última sexta-feira (31).
Depois de ser reconhecido por uma vítima de estupro, Johny enfrentou um processo que culminou na sua prisão. “A declaração da vítima tem um peso enorme nesse tipo de situação, pois dificilmente os crimes de estupro são praticados na presença de testemunhas”, relatou o advogado de defesa, Edson Stadler. “Esgotadas todas as possibilidades, a família dele procurou o meu escritório para entrarmos com uma ação de justificação para praticamente reabrir o caso. A pena que ele deveria cumprir era de 14 anos e sete meses. Após estudarmos as circunstâncias, chegamos à conclusão que se tratava de um erro judicial”, completou. Começava aí uma segunda batalha em busca da verdade. “Nunca tinha presenciado algo semelhante em todos os anos de atuação como advogado”, se posicionou Stadler.
Novas testemunhas foram ouvidas e até mesmo o irmão, em depoimento, assumiu a responsabilidade pelo crime. Outros dois suspeitos de participação no estupro reforçaram que Johny não teria envolvimento no caso. “A vítima também foi ouvida novamente. Desta vez, mudou a versão e disse ter reconhecido o outro irmão”, detalhou Stadler. A presença do acusado em uma festa, na companhia de familiares, foi mais um álibi a favor de Johny. Apresentadas as provas em primeiro grau, a Procuradoria de Justiça decidiu conceder a absolvição. “Assim conseguimos o alvará de soltura”, comemorou o advogado.
Mesmo defendendo a correção do que chamou de um “erro judicial”, Stadler concordou que a semelhança entre ambos é impressionante. “É algo incrível”, opinou. No processo de revisão da sentença fotos de vários ângulos de Johny e Odair foram utilizadas para justificar o pedido.
O irmão agora será submetido ao inquérito e um novo processo deve ser instaurado para apurar as responsabilidades na ocorrência.
Tendo como interlocutor o advogado, Johny demonstrou ter temido pela sua vida enquanto esteve no cárcere. “O crime de estupro, dentro da cadeia, possui um código de honra que alguns pagam com a vida”, finalizou Stadler.
Vítima preferiu ficar em silêncio
Mesmo presente em toda a entrevista com o advogado Edson Stadler, Johny Marcos Carvalho Lopes preferiu se manter em silêncio. “Ele não consegue dormir, tem dificuldade em se relacionar, segue com muito medo, enfim, está traumatizado”, informou Stadler. “A partir de agora será dado início ao um tratamento psicológico com ele”, reforçou. O advogado informou ainda que deve entrar com um processo solicitando uma indenização a Johny. “Esse dinheiro, além de ajudar nas necessidades básicas, será usado para o próprio tratamento psicológico”, afirmou Stadler.





















