Regional testa projeto pioneiro em UTI Neonatal | aRede
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Regional testa projeto pioneiro em UTI Neonatal

Intenção é amenizar principalmente o estresse hospitalar, garantindo aos bebês mais conforto e segurança na recuperação

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| Autor:

Daniel Petroski

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Prática já difundida em outros países, principalmente no continente europeu, vem ganhando espaço dentro do Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais (HU), vinculado a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Intitulado de “Projeto Polvo”, o pioneirismo – ainda em fase experimental - não contribui apenas para dar um colorido a mais nos seis leitos da UTI Neonatal do local com bonecos feitos de crochê. É um ganho para os bebês que chegam ao mundo dispostos a lutar pela vida, amenizando principalmente o estresse hospitalar e garantindo mais conforto e segurança.

Encabeçada pela coordenadora do espaço, a enfermeira Juliana Estefanski, a iniciativa começou a ser aplicada em fevereiro. “Até o momento estamos analisando os resultados em duas crianças. Os bonecos foram introduzidos nas rotinas de dois meninos há duas semanas”, explicou. Atendendo ao preceito de ser um hospital escola e de fornecer resultados em caráter científico, todo o processo integra um estudo que pretende oferecer literatura sobre uma prática ainda incipiente no país.

Mas, efetivamente, como funciona? Para o bebê, os tentáculos do boneco se parecem com o cordão umbilical. Por isso, ao abraçá-los, os recém-nascidos se lembram do aconchego do útero. Com essa memória afetiva proporcionada pelos polvos, eles se sentem mais calmos. “Por ficarem menos agitados, os batimentos cardíacos são controlados mais facilmente e a perda de peso também é revertida. Isso reflete diretamente na diminuição no tempo de internamento”, afirmou Juliana.

Para garantir a plena segurança dos bebês, os polvos são feitos de material 100% algodão e os tentáculos não podem passar de 22 centímetros. “Aqui estamos tomando o cuidado de não só realizar a lavagem da peça. Fazemos uma esterilização antes do repasse aos recém-nascidos”, justificou a enfermeira. A aposta no crochê também não foi em vão. “Essa técnica permite que o boneco seja feito em peça única, ou seja, evita que algum tentáculo se solte ou que se rasgue”, detalhou Juliana.

Iniciativa foi importada da Dinamarca

A inciativa de fazer os “brinquedos terapêuticos” começou na Dinamarca, há cerca de quatro anos. Dessa forma, os voluntários do Hospital Universitário Aarhus criaram o "Projeto Octo". Hoje, eles já fazem doações dos polvos para mais de 16 hospitais em vários locais da Dinamarca, além de receberem pedidos para levar o projeto para mais de 13 países.

Apoio da equipe e da direção favoreceu implantação em PG

Ainda com base na enfermeira Juliana Estefanski, o trabalho dentro do Hospital só pode ser colocado em prática graças ao apoio de toda equipe e também da direção da unidade. “Todo mundo comprou a ideia”, afirmou. Uma dessas pessoas foi a auxiliar administrativa Luciane Bachinski. É pelas mãos dela que os bonecos ganham forma. “Eu sempre tive o crochê como hobby. Aprendi na infância, enquanto morava no interior de Ipiranga. Nunca pensei que ele pudesse ser tão útil para a vida dessas crianças. Quando tive contato com o projeto foi amor à primeira vista”, comentou.  A partir de amanhã, Luciane levará seus conhecimentos para as mães que estão com os filhos internados. “Quem tiver interesse, poderá aprender a confeccionar os polvos. O material será doado pelo HU. Essa espécie de curso será iniciada nesta sexta-feira”, finalizou Estefanski.

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