Entidades planejam resistência a projeto que reduz área de proteção
Grupos e instituições se mobilizam para barrar projeto na Alep que pode destruir parte da fauna e da flora dos Campos Gerais.

Grupos e instituições se mobilizam para barrar projeto na Alep que pode destruir parte da fauna e da flora dos Campos Gerais.
Lideranças de pelo menos 15 instituições de defesa do Meio Ambiente e da sociedade civil organizada, juntamente com o deputado estadual Péricles de Holleben Mello (PT), estão se mobilizando para elaborar estratégias contra o Projeto de Lei 527/2016, que tramita na Assembleia Legislativa do Paraná.
A proposta pretende diminuir para menos de um terço a Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana, que hoje é de 392 mil hectares, para 125 mil hectares.
A Escarpa é uma formação geológica que separa o primeiro do segundo planalto do Paraná e nela estão sítios e formações geológicas de milhões de anos como grutas, cavernas e furnas, além de nascentes de grandes rios, parques como o do Canyon do Guartelá, entre Castro e Tibagi, Parque do Monge, na Lapa, e Parque Estadual do Cerrado, em Jaguariaíva.
O grupo pretende elaborar materiais para conscientizar a população da importância da preservação ambiental e mostrar que, se aprovado o projeto, a natureza que compõe a Escarpa pode sofrer sérios danos, colocando em risco atividades científicas e turismo, e comprometer espécies da fauna e da flora local.
De acordo com o geólogo Gilson Burigo Guimarães, “a Escarpa Devoniana é um patrimônio natural que pertence a todos os paranaenses. O projeto coloca em risco um dos últimos remanescentes da paisagem original que nós temos nos Campos Gerais”.
Para Henrique Pontes, geógrafo e membro do Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (Gupe), “... a Escarpa possui um potencial gigantesco para a pesquisa, sendo uma das áreas com maior ocorrência de cavernas do Brasil, grande parte delas ainda desconhecida”.
Do mesmo modo, o geólogo Gil Piekarz alerta sobre a necessária preservação da Escarpa. “Hoje ninguém pensa na destruição da Serra do Mar, mas na década de 1970 se pensava. Da mesma forma é preciso cuidar da Escarpa e dos Campos Gerais para que não desapareçam. Hoje há apenas uma pequena área preservada”.
Instituições
Numa reunião realizada na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), na última quarta-feira, participaram lideranças de entidades como Conselho da Diocese de Ponta Grossa, Departamento de Ciências Naturais da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, UTFPR, Projeto Caverna, Departamento de Geografia/Licenciatura da UEPG), Instituto de Terras, Cartografias e Geociências (ITCG), Laboratório de Turismo e Áreas Naturais da UEPG (Labtan), Departamento de Geografia da UEPG (Degeo/UEPG), Laboratório de Mecanização Agrícola (Lama/UEPG), Associação de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural (APPAC), Mestrado em Gestão do Território da UEPG, Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (GUPE), Instituto Urbi, Instituto Cidade Viva, Instituto Chico Mendes para a Preservação da Biodiversidade (ICMBio) e Fórum das Águas.
Para o deputado Péricles, somente com a pressão da sociedade será possível discutir mais profundamente o Projeto de Lei que reduz a área de proteção da Escarpa Devoniana. “Estamos nos mobilizando dentro e fora da Assembleia Legislativa porque consideramos a proposta um grande retrocesso. Precisamos envolver toda a comunidade nessa discussão e agir da forma mais democrática possível. Só assim poderemos tomar decisões acertadas, preservando os interesses econômicos, assim como os interesses de preservação ambiental”.





















