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Aumento no diesel traz preocupação ao setor de transporte

Duas altas seguidas nos combustíveis encarecem os custos aos motoristas e agravam a crise no setor do transporte

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Fernando Rogala

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Na semana passada, a Petrobras fez um novo anúncio de aumento nos combustíveis. Desta vez, a alta impactou apenas no diesel, combustível utilizado no setor do transporte. Este último reajuste representou, na bomba, uma alta média de R$ 0,12. É a segunda alta desde o início de dezembro, sob a alegação da elevação do preço do petróleo nos mercados internacionais, e a valorização do real desde a última alta. A medida não agradou ao setor do transporte rodoviário, já que impacta diretamente no valor do frete e nos gastos dos motoristas. Levantamento da ANP aponta que, em novembro, o preço médio do combustível era de R$ 2,79 na região, sendo encontrado a R$ 2,59 em um posto. Na primeira semana de janeiro, o valor médio já era de R$ 2,88, e agora, com a alta, a expectativa é que esse valor chegue aos R$ 3,00.

Antes, era possível a negociação nos valores com os clientes, já que essas revisões nos preços eram mais raras, mas agora há a necessidade de discutir valores diferentes com maior frequência, trazendo insegurança ao setor, que pode ter prejuízos com uma alta repentina. “Esse aumento veio na pior hora possível ao setor do transporte. O pessoal estava acreditando em uma margem de lucro maior com o início da safra, mas veio esse presente de mau gosto. O setor vem atravessando uma grande crise e estamos com uma preocupação muito grande. O caminhoneiro está pagando para trabalhar”, lamenta Neori Leobet, o ‘Tigrão’, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas da região dos Campos Gerais. 

Segundo afirma Tigrão, diante desse problema, há o temor de o caminhoneiro não conseguir honrar com a prestação do caminhão. “Hoje a margem de lucro do caminhoneiro é menor do que 20%. Isso traz uma insatisfação muito grande ao setor”, completa. Ele afirma que a esperança era recuperar um pouco das margens com a safra, mas esse aumento no combustível pegou o setor desprevenido. Ainda assim, ele acredita em uma mudança nos valores. “O frete deve melhorar, porque há a esperança de colher a maior safra do Brasil. O setor transporte corresponde a mais de 15% do PIB, então tem que ter o caminhoneiro para ir para a lavoura”, ressalta.

Altas também geram desconforto entre os donos de postos

Hélio Sacchi, vice-presidente da Associação dos Operadores dos Postos de Combustíveis da região afirma que essas altas também não agradam ao setor. “Dificulta para nós a alíquota do capital de giro. Precisamos de mais dinheiro para fazer as mesmas operações”, esclarece. Tigrão afirma que está em contato com o Ministério, em Brasília, e com a Confederação Nacional do Transporte. “Mas governo fala que a Petrobras precisa repassar esse aumento. Estamos tentando melhorias, mas, nesse momento, o país atravessa o maior momento de crise”, diz o líder sindical.

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