Clube de Leitura começa ano com Nobel de Literatura | aRede
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Clube de Leitura começa ano com Nobel de Literatura

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Livro "A Guerra não tem rosto de mulher", de Svetlana Alexsiévtich, abre a programação do Clube de Leitura Companhia das Letras de Ponta Grossa no dia 21 de janeiro.

“A guerra não tem rosto de mulher”, de Svetlana Alexsiévtich, é o livro escolhido para abrir a programação do Clube de Leitura Companhia das Letras de Ponta Grossa. A obra da jornalista bielorrussa apresenta a Segunda Guerra Mundial pela visão de centenas de combatentes mulheres.

O décimo encontro do Clube está programado para o dia 21 de janeiro (sábado), às 14h, na Verbo Livraria da Avenida Vicente Machado. A atividade é gratuita e não exige inscrição prévia. Apenas se recomenda a leitura completa da obra para ser ativo durante os debates.

O clube de leitura reúne pessoas para compartilhar conhecimento e discutir suas ideias a respeito do livro do mês. A mediação é feita pelo jornalista e professor de Jornalismo da UEPG Ben-Hur Demeneck. Para ele, um dos fatores de sucesso de qualquer clube de leitura é que “ele reúne quem lê por prazer e não por obrigação”.

Sinopse

A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente.

            É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. Svetlana Aleksiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

Serviço

O QUÊ: Clube de Leitura Companhia das Letras (Ponta Grossa)

QUANDO: 21 de janeiro, sábado, 14h-16h.

ONDE: Verbo Livraria (Avenida Vicente Machado, 776 - Centro). Próximo da Praça dos Polacos.

PREÇO: Atividade gratuita.

RECOMENDAÇÃO: Para participar só é recomendável ler o livro.

Trechos do Livro

1) Trecho 1 [como as pessoas lembram da guerra]

 “Ao contar, as pessoas criam, ‘escrevem’ sua vida. Acontece inclusive de ‘acrescentarem’ e ‘reescreverem’ passagens. Quanto a isso, é preciso ficar alerta. De guarda. Ao mesmo tempo a dor funde e aniquila qualquer falseamento. A temperatura é alta demais! Os mais sinceros, estou convencida, são as pessoas simples — enfermeiras, cozinheiras, lavadeiras… Elas — como definir com mais precisão? — tiram as palavras de si mesmas, e não dos jornais ou dos livros que leram, não do que é alheio. Apenas dos próprios sofrimentos e emoções. Os sentimentos e a linguagem das pessoas cultas, por mais estranho que pareça, estão mais sujeitos a ser reelaborados pelo tempo. Pela codificação geral. Contaminados pelo conhecimento indireto. Pelos mitos” (p. 13-14).

2) Trecho 2 [a mulher no campo de batalha]

“Não importa de que falem as mulheres, nelas estava sempre presente a ideia de que a guerra é só uma matança, e depois, trabalho duro. E então só a vida habitual: cantavam, se apaixonavam, usavam bobes de cabelo… No centro, sempre o fato de não querer e não aguentar morrer. E é ainda mais insuportável e angustiante matar, porque a mulher dá a vida. Presenteia. Carrega-a por muito tempo dentro de si, cria. Entendi que para as mulheres é mais difícil matar” (p. 21).

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