Conselho do Transporte propõe fim de cobradores em PG

Muitos ponta-grossenses passaram este domingo com um mesmo questionamento na cabeça: ‘qual a alternativa que utilizarão para se locomover em razão na greve no sistema de transporte coletivo do munícipio?’. Funcionários ainda não sabem como farão para chegar aos seus respectivos trabalhos; pais procuram meios para mandar seus filhos às escolas; e muitos se perguntam o que fazer em caso de emergência. Estima-se que a paralisação nos serviços da Viação Campos Gerais (VCG) atinja quase 1/3 da população ponta-grossense enquanto o sindicato da categoria [Sintropas] e a concessionária não entrarem em acordo, o que parece longe de acontecer visto a disparidade entre o pedido da categoria e a proposta da VCG.
Mesmo distante de um consenso, o acordo entre concessionária e sindicato da categoria pode acarretar no aumento da passagem de ônibus, pois, mexe diretamente na planilha de custos da VCG, que define o valor da passagem no município, que hoje custa R$ 2,60 para quem paga em dinheiro e R$ 2,50 para os usuários que utilizam o sistema de bilhetagem eletrônica. No entanto, o Conselho Municipal de Transporte de Ponta Grossa apresenta uma proposta para reduzir o valor da tarifa de ônibus cobrada na cidade: o remanejamento de trocadores das linhas ‘Sem Parar’ e de linhas nas quais eles sejam dispensáveis. “Nós temos hoje um trunfo na mão para ser usado no sistema como um todo. Os trocadores representam aproximadamente R$ 0,60 no custo da planilha. Então, hoje, se tivéssemos um reajuste, digamos de R$ 0,20, retirando esses R$ 0,60 teríamos a passagem a R$ 2,20”, explica Carlos de Mário, presidente do CMT.
O impacto, no entanto, não seria imediato, pois o remanejamento dos trabalhadores aconteceria de forma gradativa e baseado em levantamentos. “O impacto não seria esse. Eu digo que é um trunfo porque temos que pensar no emprego desses funcionários. Temos o compromisso da empresa, que ela assume a responsabilidade de fazer a transição dos funcionários sem demitir. A empresa sempre está contratando, então deixa de contratar, remaneja muitos, promove outros para motoristas e nós baixaríamos significativamente esse número na planilha”, assinala Demário, ao frisar que o estudo já está pronto e depende de iniciativas dos poderes Executivo e Legislativo para sair do papel.
“O Executivo e o Legislativo precisam fazer as mudanças legais. Isso não é alçada da concessionária. Ela é obrigada a executar aquilo que o Executivo determinar. Como não determinou nada disso, ela é obrigada a ficar com os trocadores. Fato é que estamos penalizando 100 mil usuários e isso tem que ser resolvido”, explica Demário. “Isso é uma transição. De imediato você tira os trocadores dos ônibus ‘Sem Parar’. E analisa as linhas que você pode fazer um trabalho em cima disso. Segundo a empresa, em um ano ela faria essa transição desde que o executivo e o legislativo trabalhassem com essa finalidade”, acrescenta.
A greve no sistema de transporte coletivo atinge 100 mil ponta-grossenses, que vão precisar encontrar alternativas para vencer trajetos longos a partir da próxima segunda-feira. A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) informou que encaminhou um ofício as suas filiadas, na última quinta-feira, informando sobre a greve e orientando cada uma a tomar à medida que achar mais convenientes. Algumas indústrias contrataram ônibus particulares para fazer o transporte dos funcionários durante a greve. Esta, porém, não é a situação de todos e muitas pessoas terão que encontrar alternativas próprias para ir ao trabalho. “Meu irmão vai me levar para o estágio, mas para a universidade [Estadual de Ponta Grossa] não vai ter como e vou precisar faltar as aulas”, conta a universitária Crislaine Gomes.
Informações do Jornal da Manhã.





















