Hospital Regional é alvo de graves denúncias no MP

O Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Estaduais em Serviço de Saúde e Previdência do Estado do Paraná (SindSaúde) protocolou junto à Procuradoria Geral da Justiça do Paraná denúncias sobre a falta de condições de trabalho e de atendimento no Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais. Informações contidas num documento assinado pela coordenadora da entidade, Valdete dos Santos Strauski, atingem também funcionários e médicos da instituição por recebimento ilegal de salários. Há indícios também de pagamento indevido de horas-extras. Ainda, conforme o sindicato, a autoclave e a termo-desinfectora, dois equipamentos importantes, estão sem funcionar desde à inauguração do hospital [veja a íntegra da denúncia aqui]
“O HU nunca funcionou 100% e um dos motivos é que há falta de servidores. Porém, alguns funcionários que estão lotados no HU foram cedidos para outras instituições”, assinala Strauski. Neste cenário, ela cita a 3ª Regional de Saúde, Restaurante Universitário, Hospital da Criança, Hemepar, Pronto Socorro Municipal e Central de Leitos de Curitiba. “Informações dão conta de que há situações de mudança de lotação por favorecimento político”, assinala.
Um número significativo de servidores encontra-se em desvio de função e por falta de técnicos de enfermagem os serviços não são mantidos. “As escalas de enfermagem são confusas, a chefia de enfermagem não negocia a elaboração das escalas e essas chegam aos setores no último dia do mês”, diz Strauski.
Neste documento são citados nomes de vários funcionários. Um deles é do médico Rogério Clemente, diretor técnico do HR e concursado no cargo de neurocirurgião. Este servidor também seria diretor clínico no Hospital Santa Casa e atua em seu consultório particular. Sobre Joselito Pinheiro da Costa Júnior, o SindSaúde pede à Procuradoria para que se verifique o afastamento dele de cargo efetivo da Prefeitura de Ponta Grossa.
Outra parte deste documento se refere à Rúbia Gisele Tramantina Mascarenhas, ocupante de cargo de confiança e responsável pelo setor de hotelaria. Ela seria parente da proprietária de uma papelaria que fornece materiais de escritório para o hospital através da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Institucional Científico e Tecnológico da UEPG.
A falta de infraestrutura no hospital é, de igual forma, levada ao conhecimento do Ministério Público. Segundo a coordenadora, a autoclave e a termo-desinfectora não funcionam. São aparelhos de alto custo que estão sofrendo danos pela ação do tempo e perderam a garantia sem nunca terem sido usadas. Um prejuízo aos cofres públicos. Essas máquinas deveriam ser colocadas no primeiro andar. No entanto, a estrutura da sala não foi projetada para suportar o peso. Essa constatação foi feita pela Secretaria Estadual de Saúde em auditoria feita em 2011”, denuncia Strauski.
Os funcionários do centro cirúrgico estão sem ‘dosímetros’ nos procedimentos que exigem o uso do arco cirúrgico (intensificador de imagem) e os equipamentos do Centro de Diagnóstico estão sem manutenção preventiva , o que é obrigatório por lei. Na sala de mamografia não existe a luz de indicação alertando para a sala em uso, contrariando uma portaria de 1998.
“No terceiro andar – clínica médica, infecto e neuro, todos os pacientes usam o mesmo banheiro e o chuveiro não tem água quente e existem funcionários terceirizados trabalham e m substituição a servidores. No quinto andar há infiltrações que comprometem a abertura de leitos de diversas enfermarias”, assinala a coordenadora do sindicato.
Em entrevista nesta manhã, por telefone, ao portal aRede, Valdete dos Santos Strauski diz que que essas mesmas denúncias e pedidos de providências foram protocoladas, na quinta-feira, no Ministério Público em Ponta Grossa e que as investigações deverão ser iniciadas pelo promotoria na segunda-feira.





















