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PG registra aumento de votos brancos e nulos

Número de eleitores que não “participaram efetivamente” da escolha de vereadores e prefeitos mostra crescimento na cidade desde 2004

Número de brancos e nulos mostra crescimento constante desde a disputa de 2004
Número de brancos e nulos mostra crescimento constante desde a disputa de 2004 -

Afonso Verner

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Número de eleitores que não “participaram efetivamente” da escolha de vereadores e prefeitos mostra crescimento na cidade desde 2004

A crise política e a falta de identificação entre eleitor e representante tem apresentado resultados nas urnas. O descontentamento do eleitorado com as figuras políticas que se apresentaram nas disputas eleitorais em Ponta Grossa mostra-se crescente. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mostram que o número de eleitores que votaram branco ou nulo em 2016 é o maior desde o início das disputas de segundo turno no município em 2004.

Os dados do TSE mostram que em 2016 a disputa entre Marcelo Rangel (PPS), prefeito reeleito, e o deputado federal Aliel Machado (REDE), foi o pleito com maior número de “não participações” em Ponta Grossa. De acordo com dados do repositório do TSE, 9.161 eleitores (4,54% do total) votaram branco na disputa pela Prefeitura de Ponta Grossa no primeiro turno e outros 16.612 votaram nulo (8,22% do total) – período em que a disputa contava com outros três candidatos além de Rangel e Aliel.

Na segunda fase do pleito o número de votos brancos e nulos continuou superior ao registrado nas outras ocasiões de segundo turno. Com apenas Rangel (PPS) e Aliel (REDE) na corrida eleitoral pelo comando do Executivo, 6.402 eleitores votaram em branco, representando 3,27% do total computado. Já outros 12.238 eleitores da cidade optaram por anular o voto e com isso o voto nulo representou 6,25% do total.

Os votos branco ou nulo são considerados “não participações” diante do significado de cada um deles. De acordo com a legislação vigente, o eleitor é livre para escolher o seu candidato ou não escolher candidato algum. Ou seja: o cidadão é obrigado a comparecer ao local de votação, ou a justificar sua ausência, mas pode optar por votar em branco ou anular o seu voto. No entanto cada uma das escolhas tem significados diferentes.

De acordo com o TSE, o voto em branco é aquele em que o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos, já o voto nulo é aquele em que o eleitor manifesta a vontade de anular o voto. O voto em branco era considerado válido (isto é, era contabilizado e dado para o candidato vencedor) e tido como um voto de conformismo, em que o eleitor se mostrava satisfeito com o candidato que vencesse as eleições, enquanto que o voto nulo era tido como um voto de protesto contra os candidatos ou contra a classe política em geral.

Atualmente vigora no pleito eleitoral o princípio da maioria absoluta de votos válidos que considera apenas os votos válidos, ou seja, os votos nominais e os de legenda, para os cálculos eleitorais, desconsiderando os votos em branco e os nulos. A eleição de 2016 traz o maior número de votos brancos e nulos desde 2004 e ilustra o momento de descontentamento com a classe política após inúmeros escândalos de corrupção.

Nas disputas entre 2004 e 2012, as corridas eleitorais foram marcadas por pequenas diferenças de votos entre vitoriosos e derrotados nas urnas. No entanto a disputa de 2004 entre Pedro Wosgrau (PSDB) e Péricles de Mello (PT) registrou um dos menores índices de votos brancos e nulos no primeiro e no segundo turno (veja o gráfico). Desde então a “não participação do eleitorado” registra uma constante elevação.

Pleitos de 2004 e 2008 mantiveram os mesmos índices

As disputas eleitorais de 2004 e de 2008 registraram praticamente os mesmos índices de votos brancos e nulos. Em 2004 com Wosgrau (PSDB) e Péricles (PT) e outros quatro candidatos, o índice de brancos e nulos no primeiro turno atingiu, respectivamente, 1,30% e 3,50% do total de votos computados. Na segunda fase do pleito os votos brancos somaram apenas 0,8% do total e os nulos atingiram 1,60% do total – ambos são os menores índices no período de 12 anos.

Em 2008 a disputa foi protagonizada por Wosgrau (PSDB), em busca da reeleição histórica, Sandro Alex (PPS) e outros quatro candidatos, entre eles Jocelito Canto (PTB). Na primeira fase do pleito, 3.143 eleitores votaram em branco (1,73% do total de votos) e outros 6.356 decidiram pelo nulo (3,50% do total). Na segunda fase do pleito disputada entre Wosgrau e Sandro o número de votos brancos somou 2.382 (1,34% do total) e os nulos chegaram a marca de 3.707 votos (2,09% do total).

Eleição de 2012 iniciou avanço

A crescente na votação de nulos e brancos começou já em 2012, disputa que reuniu cinco candidatos, entre ele Rangel (PPS), Péricles de Mello (PT) e Marcio Pauliki (PDT). No primeiro turno daquele ano 7.850 eleitores (4,10% do total) decidiram anular o voto, enquanto outros 5.370 eleitores (2,80% do total) votaram em branco. Na disputa entre Rangel e Péricles no segundo turno 4.796 eleitores decidiram votar em branco (2,55% do total) e outros 7.525 (4,01% do total) votaram nulo. Os números registraram crescimento notável diante das eleições de 2004 e 2008.

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