Fundação promove ato de repúdio a furtos no Centro de Cultura

A indignação gerada por furtos de dinheiro que faziam parte de uma exposição no Centro de Cultura fez com que a equipe da Fundação Municipal de Cultura (FMC) de Ponta Grossa, que administra o espaço, decidisse fazer um ato de cunho solidário para repudiar as ações. De acordo com o presidente da Fundação, Paulo Eduardo Goulart Netto, será instalada uma caixinha na Galeria João Pilarski para que os cidadãos depositem moedas, que serão doadas para uma instituição de caridade.
“Não queremos justificar o furto, mas não sabemos as condições sociais da pessoa, ou das pessoas, que realizaram o suposto crime. Sabemos que na cidade há um grande número de pessoas vivendo na linha da miséria e até abaixo dela. Por isso decidimos fazer este ato como forma de valorizar o artista, a obra e a cultura em Ponta Grossa”, conta o presidente. A instalação, intitulada ‘Avareza’ foi alvo de furto por duas vezes seguidas no espaço de tempo de uma semana. Desta vez, 48 moedas de R$ 1 foram levadas da obra, que contém também, dentro de uma caixa de vidro, dinheiro antigo e um braço humano cedido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa.
“Queremos passar uma mensagem importante com esta manifestação: transformar a ‘Avareza’ das pessoas em boas ações, já que as moedas doadas serão repassadas para uma entidade assistencial do município”, explica Paulo.
Em um desabafo postado pelo artista Daniel Masetto, autor da exposição, em sua conta do Facebook, ele expôs sua opinião sobre o caso. “Não culpo o Presidente da Fundação de Cultura, o Sr. Paulo Eduardo G. Netto, muito menos a Chefe do Setor de Artes Visuais, a Sra. Mariângela Digiovanni, nem a Diretora do Centro de Cultura, Sra. Tania Clock, pois sei que sempre apoiaram as minhas exposições, como minha opinião no Conselho Municipal de Política Pública Cultural, e trabalham de acordo com o que lhes é ofertado pelo município (em questões de infraestrutura e quantidade de funcionários)”, diz.
Segundo ele, o sistema social necessita de uma revisão, pois “não é através de bolsa x ou y que se muda o nível social e a cultura de um povo. Por que será que as moedas na mão da obra chamam tanto a atenção de certas pessoas? Será que não faltam investimentos e políticas públicas em educação, saúde e cultura? A falta de segurança não é só na galeria João Pilarski de Ponta Grossa, mas do Brasil e do Mundo, precisamos urgente de segurança para as obras, para os funcionários destes espaços e para o próprio prédio”, conta.





















