‘Pegaí’ homenageia escritor que viveu na rua e venceu a fome
Jorge Luis Martins, autor do livro ‘Meu Nome é Jorge’, ministra palestras em Ponta Grossa como parte das comemorações de três anos do projeto.

Jorge Luis Martins, autor do livro ‘Meu Nome é Jorge’, ministra palestras em Ponta Grossa como parte das comemorações de três anos do projeto.
“Talvez em um milhão, um se salve. E eu me salvei”, afirma o escritor Jorge Luis Martins, autor do livro autobiográfico “Meu Nome é Jorge” e atração nas atividades de comemoração dos três anos do Projeto Pegaí Leitura Grátis. A história do escritor gaúcho, nascido em Novo Hamburgo (RS), foge das estatísticas. Já cedo, quando uma parteira trouxe Jorge ao mundo, a família foi avisada de que seria um milagre se ele sobrevivesse.
Desde então, a sobrevivência foi a grande batalha enfrentada pelo escritor gaúcho. A mãe possuía problemas mentais e o pai estava preso quando o bebê veio ao mundo, então Jorge foi entregue para a avó. Aos 10 anos, ela faleceu e Martins ficou sozinho nas ruas. “Fui menino de rua e catador de papel. Passei 6 anos nas ruas. Dormia em carros e cemitérios abandonados”, conta.
O escritor travou uma luta pela dignidade. “Eu queria trabalhar e estudar, mas eu não podia. Porque eu tinha que me alimentar. Precisava pegar papel para não passar fome. Precisava pegar ossos em lixos para sobreviver”, diz Jorge. Aos 12 anos, já há dois anos morando na rua, ele foi levado até a capital Porto Alegre com a promessa de um emprego e comida. Outra vez o mundo do escritor foi abaixo.
“Fui para Porto Alegre porque me prometeram um emprego. Com o passar dos anos, muitos acharam que eu já tinha morrido. Meu apelido era 'múmia paralítica'”, cita Jorge. O escritor conta que voltou a “aparecer”, para quem o conhecia, quando já tinha 20 anos e estava estudando. Nesse tempo, Jorge passou fome, dormiu na rua e chegou a ser preso. “Gostam de me perguntar quantas pessoas da minha época da rua estão vivas hoje. A resposta é nenhuma. Só eu”, diz ele.
Toda a história é contada em seu primeiro livro “Meu nome é Jorge”. A 6ª edição do livro é lançada em Ponta Grossa como uma homenagem do projeto Pegaí Leitura Grátis. A edição comemorativa celebra os três anos do projeto de leitura e possibilita que mais pessoas conheçam a história do escritor gaúcho. 3 mil livros foram impressos, sendo que 1.800 já estão distribuídos pelas estantes do Pegaí espalhadas pelo município.
“Existem tantos Jorges por aí nas ruas e eu queria transformar a vida dessas pessoas. Então se meu livro for o suficiente para mudar uma vida, ou uma forma de pensar, já é o suficiente”, conta Jorge. Na tarde de quinta-feira, às 16 horas, Jorge realiza uma palestra no Grande Auditório do Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). “Meu Nome é Jorge” é o primeiro de quatro livros escritos pelo autor.
Escritor faz palestras exclusivas
Durante a estadia do escritor gaúcho em Ponta Grossa, uma série de palestras 'exclusivas' serão realizadas. Martins estará no Centro de Socioeducação, que atende menores infratores, na Cadeia Pública Hildebrando de Souza e no Instituto João XXIIII. Além do livro “Meu Nome é Jorge”, Martins é autor dos livros “O Menino da Caixa de Sapatos”, “O Menino e o Seu Segredo", e “A amizade torce por todos os times”. DAF, KMM Engenharia de Sistemas, Hotel Planalto, Rede Gastronômica dos Campos Gerais, Viação Campos Gerais, Colégio Sepam, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Laboratório Pontagrossense de Análises Clinicas (Lapac) , Severich Auto Peças, Café Lontrinha, Top Sonorização, Realeza Materiais de Construção – e a RPC estão apoiando o evento comemorativo de três anos do Pegaí.





















