Polícia incentiva uso do WhatsApp em rede contra o crime

Organização de grupos de comerciantes e moradores através do WhatsApp para alertar a vizinhança sobre crimes ganha força em Ponta Grossa e já são mais de 30. Especialistas elogiam a iniciativa, mas fazem ressalvas.
A organização de pequenas comunidades e grupos de comerciantes, através do aplicativo WhatsApp, para compartilhar informações sobre a segurança e crimes em determinadas regiões é vista com bons olhos por especialistas da área de segurança. A tendência de pensar a segurança pública a partir da própria vizinhança, já comum nos Estados Unidos, por exemplo, ganha força. Em Ponta Grossa, a Polícia Militar já tem conhecimento de mais de 30 grupos organizados no WhatsApp para vigiar e sistematizar informações sobre os crimes.
“É importante o despertar do cidadão para pensar na segurança dele e dos outros. Criar uma rede de informações com a comunidade e detectar os problemas de segurança pública é importante”, explica o comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar, major Edmauro de Oliveira Assunção. “Não é uma tendência só em Ponta Grossa. Vejo isso de maneira muito interessante no comércio. Por exemplo, avisar para os comerciantes da região que tentaram passar um cheque falso”, aponta o delegado Fernando Jasinski.
O comandante do 1º BPM reconhece que participa e já contou mais de 30 grupos organizados em Ponta Grossa. “Faço parte de alguns grupos de moradores e comerciantes. Muitos policiais fazem parte, porque verificamos os problemas e tentamos ajudar a resolver. No modelo norte-americano isso acontece muito. Os moradores sabem quem são os vizinhos e quais veículos circulam pela região. Então, quando tem algo estranho, eles já acionam a polícia”, destaca Edmauro.
O delegado Fernando Jasinski acredita que existem pontos positivos na utilização da tecnologia, mas destaca a importância de sempre comunicar as forças de segurança quanto aos crimes. “É importante que os fatos graves cheguem ao conhecimento das polícias Civil e Militar. Se a informação ficar apenas no grupo, pode ser que as forças de segurança nem saibam dos fatos. E, nesse aspecto, é importante fazer o uso dos meios convencionais de denúncia, que seria o telefone 181, 190 e 197.
Em Ponta Grossa, alguns bairros como Parque dos Pinheiros, Santa Luzia, Jardim Amália, Jardim América, Costa Rica, Panamá, Londres e Nova Rússia já possuem iniciativas do gênero. Comerciantes do Centro e Nova Rússia também se organizam através do WhatsApp para combater a criminalidade.
Especialistas fazem ressalvas e alertam para cuidados
Apesar dos pontos positivos nos grupos de WhatsApp, tanto o delegado Jasinski quanto o major Edmauro fazem ressalvas e alertam para cuidados que devem ser tomados. “O cuidado é quanto à falsa comunicação de crime e a denúncia caluniosa. Temos que tomar cuidado para não imputar um crime a alguém que não praticou, ou acionar as autoridades sem necessidade. Essa informação precisa ser filtrada e ter o mínimo de fundamentos. Não basta um achismo”, aponta Jasinski. O comandante Edmauro alerta para o cuidado na escolha de quem participará do grupo. “Não dá para colocar alguém que já teve envolvimento com crimes, furtos e roubos”, alerta Edmauro. Ele concorda com o delegado da Polícia Civil e destaca, ainda, a importância de sempre informar as autoridades sobre os crimes.





















