Cinco mulheres são agredidas por dia em PG
A Delegacia da Mulher investiga os casos de violência física, psicológica, doméstica ou sexual contra as mulheres de Ponta Grossa. Em 2016, já são 800 boletins de ocorrência registrados até o fim de maio, o que significa que quase cinco casos de violência
Em 2016, já foram registrados 800 boletins de ocorrência de casos de violência contra a mulher em Ponta Grossa. No ano anterior, 2.370 casos de violência contra a mulher foram registrados na cidade.
A Delegacia da Mulher investiga os casos de violência física, psicológica, doméstica ou sexual contra as mulheres de Ponta Grossa. Em 2016, já são 800 boletins de ocorrência registrados até o fim de maio, o que significa que quase cinco casos de violência contra a mulher são registrados por dia e a cada 5 horas uma mulher é vítima de algum tipo de agressão em Ponta Grossa, de acordo com dados da Polícia Civil.
Em 2015, 2.370 boletins de ocorrência sobre casos de violência contra a mulher foram registrados – o que representa uma marca de 6,5 denúncias de agressões por dia. Segundo o Mapa da Violência 2015, o Paraná é o 12º estado com a maior taxa de homicídios de mulheres em todo o país. Os dados mostram que, entre 2003 e 2013, a taxa de homicídio de mulheres no Estado cresce 15,1%.
“Temos números consideráveis envolvendo a violência contra a mulher em Ponta Grossa. É importante ver que as vítimas estão denunciando e esse tipo de violência está sendo combatido”, explica a delegada Claudia Kruger, responsável pela Delegacia da Mulher no município. “A violência contra a mulher é uma questão cultural. Vivemos em uma sociedade machista onde a agressão física e a resolução do conflito por parte do homem acaba prevalecendo”, complementa a delegada.
A Lei Maria da Penha, instaurada em agosto de 2006, representa um avanço no combate a violência contra a mulher. “A Lei Maria da Penha é um divisor de águas, porque permite fazer prisões com mais agilidade. Hoje existe uma Vara na Justiça especializada nesse tipo de violência e existe um olhar severo em cima desse tipo de crime”, afirma a delegada Claudia. Em Ponta Grossa, as mulheres vítimas de violência dispõem da estrutura da Casa de Abrigo. “É um local de abrigo utilizado raramente e em casos extremos, então não é muito interessante divulgar onde ela fica”, explica a delegada.
A Lei do Feminicídio, sancionada em março de 2015, altera o código penal para prever o feminicídio como um tipo de homicídio qualificado e inclui-lo no rol dos crimes hediondos. “A lei dá um maior vigor de punição em situações de violência doméstica ou menosprezo a condição de mulher. Além de trazer um aumento da pena para quem cometer o crime”, destaca Claudia Kruger. De acordo com o estudo Mapa da Violência 2015, perto de 7 feminicídios diários são registrados no Brasil.
Perfil
O Mapa da Violência é um estudo realizado anualmente que avalia e interpreta questões de segurança pública a partir de dados nacionais. Em 2015, o estudo se debruçou sobre a questão da violência contra a mulher e traçou um perfil preferencial das mulheres vítimas de homicídio. São meninas e mulheres negras. As taxas de homicídio de brancas caem na década analisada (2003 a 2013): de 3,6 para 3,2 por 100 mil, queda de 11,9%; enquanto as taxas entre as mulheres e meninas negras crescem de 4,5 para 5,4 por 100 mil, aumento de 19,5%. Com isso, a vitimização de negras, que era de 22,9% em 2003, cresce para 66,7% em 2013.





















