Sem receber, médicos cogitam 'operação tartaruga' no PSM | aRede
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Sem receber, médicos cogitam 'operação tartaruga' no PSM

Em comunicado protocolado no CRM, médicos cogitam paralisação dos atendimentos

Equipe trabalha no Pronto Atendimento do Hospital Municipal
Equipe trabalha no Pronto Atendimento do Hospital Municipal -

Afonso Verner

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A falta de pagamento dos honorários de médicos do Pronto Atendimento (PA) do Hospital Municipal Amadeu Puppi pode levar os profissionais a adotarem medidas extremas. Com atrasos nos pagamentos referentes a março de 2016, o quadro de médicos responsáveis pelo atendimento no PSM cogita iniciar uma ‘operação tartaruga’ na unidade médica – a medida foi denunciada em uma comunicado público.
Em documento protocolado no Conselho Regional de Medicina (CRM), o grupo de médicos recorre ao Código de Ética Médica para ressaltar que, sem pagamento, é direito do médico “suspender as atividades, coletiva ou individualmente, quando a instituição pública ou privada para o qual trabalha não oferecer condições adequadas para o exercício profissional ou não remunerar digna e justamente, ressalvando situação de urgência e emergência”. 
A grave situação do corpo de profissionais veio a público durante o pronunciamento feito pelo vereador Jorge da Farmácia (PDT). Na sessão de ontem (16), o parlamentar usou a tribuna do Legislativo para cobrar uma atitude do Poder Executivo. “Os médicos não podem mais trabalhar sem receber e a Prefeitura tem que fazer algo mediante essa situação. Caso algo aconteça, quem mais perde é a população”, sinalizou Jorge.
No documento protocolado no CRM os médicos cobravam dividendos referentes aos meses de novembro e dezembro de 2015 – quitados posteriormente pela Prefeitura. No entanto, com um novo atraso em março, os profissionais voltaram a questionar publicamente a falta de pagamentos. No documento protocolado em outubro, os médicos já afirmavam que, caso o pagamento não fosse feito eles realizariam apenas atendimentos em “casos de risco iminente à vida, urgência e emergência”.
Na visão de Jorge, caso os médicos adotem a ‘operação tartaruga’ com “atendimentos reduzidos a quatro pacientes por hora”, a situação do Sistema Único de Saúde (SUS), ficaria ainda mais prejudicada. “Hoje já temos a UPA [Unidade de Pronto Atendimento] do Santa Paula já está sobrecarregada, se os médicos do PA pararem a situação ficará pior ainda”, sinaliza o vereador.
Já prevendo novos atrasos em 2016, o grupo de médicos também programava ações para serem tomadas diante de possíveis novos débitos. “Informamos ainda que, caos os pagamentos relativos ao corrente ano não sejam realizados até 45 dias após o mês trabalhado, os atendimentos serão novamente suspenso”, informa o grupo no documento protocolado no CRM.
PREFEITURA
Secretaria refuta atraso no salários
Através da assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a antiga administradora do Pronto Atendimento 24h, a empresa Atual Médica, fez a solicitação dos pagamentos após o mês de abril. “O município esta em dia, apenas aguardando que a empresa apresente os documentos condicionantes para o referido pagamento. Os processos encontram-se em trâmites administrativos”, informa a nota. Os representantes da Atual não foram encontrados pela reportagem.
mudança
‘Atual Médica’ já não atua mais no Pronto Socorro Municipal
Os médicos que assinam o documento protocolado no CRM eram contratados pela empresa Atual Médica – afastada da administração do PSM desde o começo de maio. Atualmente que gere o atendimento no hospital é Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), responsável pela administração da UPA do Santa Paula. A Atual Médica foi afastada após o Ministério Público do Paraná (MP-PR) abrir um inquérito para investigar a atuação da empresa em Foz do Iguaçu.
O QUÊ
>> Salário
Procurado pela reportagem do JM, um dos médicos que assina o documento foi pontual ao falar sobre a situação. “Nós só queremos receber, não queremos nada além do nosso direito, não estamos pedindo bônus e nem aumento, mas apenas receber o que é devido”, pondera o médico. Com medo de receber represálias, o profissional preferiu não se identificar.
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