Pais adotivos são acusados de agressão em PG
Polícia Civil vai abrir inquérito para apurar denúncias. Uma das vítimas, de 9 anos, é deficiente. Menino de oito anos apareceu com ferimentos semelhantes à queimaduras na escola.

Caso veio à tona por meio do Conselho Tutelar Oeste que deu atendimento a ocorrência -
Polícia Civil vai abrir inquérito para apurar denúncias. Uma das vítimas, de 9 anos, é deficiente. Menino de oito anos apareceu com ferimentos semelhantes à queimaduras na escola.
O Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) de Ponta Grossa, órgão ligado à Polícia Civil, vai abrir um inquérito para apurar possíveis maus-tratos e lesões corporais cometidos contra duas crianças – um menino de oito e uma menina deficiente física de nove anos. A informação foi confirmada ontem pela delegada Ana Paula Cunha Carvalho.
Os principais suspeitos são os pais adotivos, um homem de 62 e uma mulher de 52 anos. Nem os nomes, muito menos a região onde residem será revelada pelo Jornal da Manhã para preservar a identidade dos envolvidos.
O caso veio à tona por meio do Conselho Tutelar Oeste que deu atendimento a ocorrência após ser acionado pela escola em que o garoto estuda. “As professoras comentaram que a criança não frequentava a escola desde a última quinta-feira. Quando retornou, na terça-feira, ele estava mancando. Questionado sobre o que estaria acontecendo, o menino desabafou falando que havia sido espancando com uma tábua de madeira”, comentou a conselheira tutelar, Michele Bohatch Markowcz. Ela, juntamente com a conselheira Juliane Pimentel, acompanham o fato.
Os ferimentos na perna esquerda tomavam conta da coxa e nádegas. “O menino sequer consegui sentar na carteira da escola. Ela ainda comentou que os pais haviam feito isso porque ele não queria mais comer”, relatou Michele. Vendo a preocupação do garoto com relação à irmã que é cadeirante e não fala, o Conselho Tutelar, atendendo ao Artigo 1º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que dispõe sobre a proteção integral, resolveu também retirar a menina da casa onde vivia com os pais. “Ao chegarmos lá constatamos outro caso de negligência. A menina estava suja. Na fralda havia até fezes secas”, detalhou a conselheira.
Os dois agora estão em abrigos da cidade aguardando a decisão que será tomada pela Vara da Infância e Juventude em relação ao futuro dos mesmos. “Certamente essas crianças precisarão de um acompanhamento psicológico. Os dois estão em processo de desenvolvimento. Caso contrário, levarão esse trauma pelo resto da vida”, finaliza Michele.
Conselho Tutelar tem registros de agressões desde 2011
Segundo a conselheira Michele Bohatch Markowcz existem no órgão registros de agressões contra as duas crianças desde 2011. “Eles já foram retirados da família por duas vezes. Porém, como prega o ECA, são esgotadas todas as possibilidades de reinserção familiar. Acreditamos que agora seja decidido pela destituição de poder familiar”, comenta. Em um dos registros obtidos pelo JM, o menino teve a orelha cortada. A suspeita é de que os pais tenham utilizado um cortador de unha para efetuar a agressão. No Conselho Tutelar não existe o registro de quando os dois foram adotados pelo casal.





















