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Crise política suspende obras e serviços em PG

Marcelo Rangel falou sobre os prejuízo que a cidade tem sofrido com a crise em nível nacional

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Afonso Verner

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O prefeito Marcelo Rangel (PPS) recebeu a reportagem do JM para falar sobre as medidas tomadas pela Prefeitura diante da crise política e econômica. Atualmente o Governo Federal deve mais de R$ 2,6 milhões ao município em repasses direcionados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Santa Paula e, esse e outros atrasos, geraram uma espécie de efeito dominó, tanto no represamento de investimentos como na transferência de recursos para áreas tidas como “essenciais” por Rangel.
Jornal da Manhã: Como a Prefeitura tem enfrentado a crise política?
Marcelo Rangel: Nós estamos passando um cenário extremamente difícil para todas as cidades. O Brasil está em uma crise sem precedentes e as prefeituras são as primeiras instituições a sentirem o reflexo de uma crise política, econômica e de transferência de recursos. Todas as ausências de serviço são sentidas de maneira mais forte pela população. Isso se reflete na maneira como vamos trabalhar na administração: austeridades, economia e transparência máxima porque a população precisa saber como vamos trabalhar diante dessa situação.
JM: Qual é a área mais afetada?
Rangel: Temos um símbolo da nossa gestão que é a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Santa Paula que sofre com a falta de repasse do Governo Federal há mais de um ano. Temos que arcar com essas despesas e acabamos deixando de fornecer verbas para outros serviços. Se mandamos para a UPA um dinheiro que deveria ter vindo do Governo Federal, nós deixamos de empregar essa verba em outros aspectos. Nós também temos atrasos em obras de Unidades Básicas de Saúde que beiram R$ 3 milhões. Além disso, também temos outros casos no setor do Esporte: os primeiros cinco campos de society que entregamos para a população e que até hoje não teve um centavo do Governo Federal. A preocupação que temos no momento é de pensar em até que grau essa situação pode se agravar.
JM: Por quanto tempo a Prefeitura pode suportar tal situação?
Rangel: Estamos em um período de transição e não acreditamos que esses recursos venham a curto prazo. Esperamos que com uma nova administração federal, os ministérios comecem a dar atenção aos municípios e liberem as verbas atrasadas. Penso que os partidos que apoiaram a Dilma e a permanência da presidente, ao votar não ao impeachment, são corresponsáveis pela diminuição de repasses para os municípios. Espero que o Governo Federal passe a ter mais responsabilidade com as prefeituras. Diante de uma crise com tantas dificuldades, a arrecadação do município também caiu. Isso somado com a inércia do Governo Federal, a preocupação fica grande com o fechamento das contas anuais.
JM: A UPA corre risco de deixar de atender?
Rangel: A UPA não corre risco nenhum porque a Prefeitura de Ponta Grossa está arcando com essas verbas, demos prioridade para isso. O que pode acontecer é que outras áreas sejam prejudicadas, como a área de Turismo e Cultura.
JM: Quais são os investimentos represados?
Rangel: Acredito que não teremos represamento de obras e não diminuímos as metas das secretarias. Nos preocupamos com obras que contam com recursos do Governo Federal e que, por questões legais, a Prefeitura não pode repassar recursos. Alguns empreiteiros ganharam obras que seriam pagas por recursos federais e não recebem há mais de um ano. Os empresários não têm mais condições financeiras de tocar a obra e eles cessam o serviço. Isso já acontece em obras de UBS na cidade. Outro exemplo dramático é o viaduto do Santa Paula. O Governo Federal tem uma dívida com a empreiteira que beira o valor de R$ 1 milhão. Essa mesma empresa tem outras obras na cidade e se a empreiteira tem condições financeiras de tocar os investimentos, acabamos tendo um efeito cascata que prejudica muito a população.
JM: Quais são as áreas mais prejudicadas?
Rangel: Nós não queremos afetar os bairros, a população que mais precisa da Prefeitura, e não podemos diminuir investimentos na área da Saúde, Segurança Pública, Educação e Assistência Social. Mas alguns eventos ligados aos setores de Turismo e Cultura deverão ser prejudicados. No entanto, temos um plano de ação de trabalhar com a iniciativa privada para manter as atividades.
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