Ponta Grossa de braços abertos para os intercambistas
Resguardadas as devidas proporções, assim como o Cristo Redentor está de braços abertos para todos que passam pelo Rio de Janeiro, a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) também abre os braços para intercambistas de quase 20 países, na grande maior
Somente
na última semana, 16 novos sotaques desembarcaram em solo ponta-grossense.
Resguardadas as devidas
proporções, assim como o Cristo Redentor está de braços abertos para todos que
passam pelo Rio de Janeiro, a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
também abre os braços para intercambistas de quase 20 países, na grande maioria
da América Latina. Eles vêm da Colômbia, Haiti, El Salvador, Peru, Chile,
Guiné-Bissau, Angola, Argentina, Bolívia, Cabo-Verde, Venezuela, Equador,
Paraguai, Benin, Uruguai, Jamaica e até da Índia.
Somente na última semana, 16 novos
sotaques desembarcaram em solo princesino. Um desses é o de Juan Felipe
Sulscún, colombiano, que veio para fazer doutorado em Ciências Sociais. “Dentro
da Colômbia, o Brasil é uma referência quando o assunto é ensino superior”,
arranha ele no bom e velho “portunhol”. Para ele, vir a Ponta Grossa ajudou a
desmistificar uma imagem construída em seu país de origem. “Antes eu pensava
que o Brasil era samba e praia. Vindo para o sul, vi que é um território
riquíssimo”, destacou. Hoje com 28 anos, ele passará os próximos quatro anos de
sua vida por aqui. “E as expectativas são as melhores possíveis. Vai dar tudo
certo”, finaliza.
Outro intercambista que fará de
Ponta Grossa sua casa é Guda Mallikarjuna Reddy (ainda bem que essa reportagem
é escrita e não falada. Ufa!). Indiano, ele está cursando doutorado em
Agronomia. “Meu primeiro contato com o país foi através da internet. Conheci um
professor da UEPG, li alguns artigos, mostrei meu projeto e vi que houve
interesse. Assim, resolvi vir para cá”, comenta Reddy, em inglês, já que por
enquanto não fala nenhuma palavra em português.
Para a assistente social e
estagiária do projeto “Vivendo o Intercâmbio: a UEPG apoia você”, responsável
pela acolhida dos alunos estrangeiros, Ana Paula Santos Ribeiro, assim como
para Reddy, um dos entraves é justamente o idioma. “Como a maioria vem de
países hispânicos, eles têm dificuldade com o português. Por esse motivo,
buscamos parcerias com o curso de Letras para auxiliá-los”, finaliza.
Mantendo as tradições de
origem
Para Linete dos Santos, de Guiné Bissau, estudar no Brasil foi um sonho
almejado. Ela está no último ano do curso de Serviço Social. “Foi difícil a
adaptação no Brasil. Os costumes são muito diferentes. Nos primeiros dias, não
conseguia comer. A cidade é muito fria”, relembra. Mesmo assim, ela manteve os
costumes de seu país de origem, principalmente na vestimenta. “Isso me
representa”, completa. Linete pretende, quando voltar para o seu país,
trabalhar na Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Estrangeiros são incluídos
dentro de projeto de apoio
O projeto “Vivendo o Intercâmbio” está vinculado ao Setor de Ciências Sociais
Aplicadas e têm atividades voltadas aos alunos todas as quartas-feiras. Ana
Paula Santos Ribeiro, assistente social e estagiária do projeto, explica que a
iniciativa é uma ferramenta de suporte para os alunos intercambistas que
encontram muitas dificuldades de acesso a determinados órgãos no Brasil, como
por exemplo, a Polícia Federal. “A ideia é organizar um manual que sirva como
um check list”. Neste ano, várias atividades serão desenvolvidas, como passeios
turísticos e visitação a museus, entre outras. Também será organizado um livro
com relatos de experiência.