Show da Xuxa: 'Último Voo da Nave' reúne 40 mil pessoas na Arena da Baixada
Rainha dos Baixinhos revisitou grandes sucessos e encerrou a noite com uma emocionante despedida a bordo da nave

Cerca de 40 mil pessoas acompanharam, neste sábado (26), o show “O Último Voo da Nave”, de Xuxa Meneghel, na Arena da Baixada, em Curitiba. Em uma noite de nostalgia e emoção, a Rainha dos Baixinhos revisitou diferentes fases de sua carreira e reuniu, num palco montado em 360 graus, músicas que marcaram as décadas de 1980, 1990 e 2000, além de momentos que fizeram o público voltar à infância.
Aos 63 anos, Xuxa conduziu um espetáculo que, além de reconhecer a passagem do tempo, não apaga em nenhum momento o encanto associado à sua imagem. A plateia, formada em grande parte pelos antigos baixinhos, encontrou no show uma oportunidade de rever canções, coreografias e figuras que fizeram parte da infância de milhões de brasileiros.
A nave sai do estúdio e ganha o estádio
Um dos momentos mais esperados do espetáculo veio quando a nave sobrevoou o público, levando para fora da televisão uma imagem que, durante anos, existiu sobretudo nos cenários dos programas infantis da artista. A cena deu forma ao título da turnê e se tornou o principal símbolo da apresentação.
Projeções, iluminação, bailarinos e mudanças de figurino ajudam a reconstruir as várias fases da artista ao redor do palco. A estrutura permitiu que espectadores posicionados em diferentes setores da Arena acompanhassem uma produção concebida para grandes espaços, com efeitos visuais à altura de um show de estádio.
Há uma lógica por trás desse tamanho: fantasia e espetáculo sempre fizeram parte da maneira como Xuxa se comunicou com seu público. A nave em pleno voo amplia uma lembrança que, se antes cabia apenas na tela da televisão, agora a transforma em experiência sensorial vivida por uma multidão.
Quatro décadas no mesmo repertório
O repertório percorre diferentes momentos da carreira, em vez de se concentrar apenas no período do Xou da Xuxa. “Doce Mel”, “Tindolelê”, “Ilariê” e “Lua de Cristal” aparecem ao lado de músicas associadas ao Planeta Xuxa e aos projetos que vieram depois.
A fase Xuxa Só Para Baixinhos também ganhou espaço com faixas como “Cinco Patinhos”, “Txutxucão”, “Estátua” e “Soco, Bate, Vira”. Essa escolha alcança quem conheceu a artista nos programas dos anos 1980, quem a acompanhou na década seguinte e quem cresceu com seus trabalhos lançados nos anos 2000.
O resultado se parece com uma viagem pela carreira da apresentadora contada pelas músicas que ficaram na memória do público. Cada trecho do show desperta recordações diferentes, e a reação da plateia ajuda a mostrar quantas gerações passaram pelo universo de Xuxa.
As Paquitas voltam ao centro da história
Treze ex-Paquitas de diferentes gerações participaram da estreia, em um dos momentos mais emocionantes da noite. A presença das assistentes de palco reforça o papel essencial que elas tiveram na relação construída entre Xuxa e o público, com músicas, figurinos e coreografias que permanecem reconhecíveis décadas depois.
Canções como “Fada Madrinha”, “Sonho de Verão”, “Trocando Energia” e “Pra Sempre Paquitas” deram forma ao reencontro. Para muitos espectadores, vê-las novamente juntas significou rever rostos ligados à rotina de assistir aos programas, aprender as danças e imaginar como seria fazer parte daquele grupo.
O retorno funciona pela lembrança, mas também pela história que essas mulheres carregam dentro do projeto. Ao reuni-las no palco, a turnê reconhece que contar a trajetória de Xuxa exige olhar para as pessoas que ajudaram a construir seu mundo diante das câmeras.
Um espetáculo sustentado pela presença
Xuxa não construiu sua carreira em torno de demonstrações vocais, e o show tampouco depende disso para envolver a plateia. Sua força aparece na comunicação com o público, na disposição para dançar e na facilidade de conduzir números que começam no palco e continuam nas arquibancadas.
A reação às primeiras notas de uma música ou à entrada de um personagem revela o peso dessa relação. Em certos momentos, basta um elemento conhecido surgir em cena para que milhares de pessoas cantem juntas e completem, com as próprias lembranças, aquilo que veem diante delas.
Essa ligação ajuda a explicar a permanência de Xuxa na cultura popular brasileira. Mesmo depois de tantas mudanças na televisão e na música, seu repertório e seus símbolos seguem familiares para adultos que os conheceram quando eram crianças.
‘Lua de Cristal’ transforma Arena em um grande coro
A emoção tomou conta da Arena da Baixada quando Xuxa chegou ao último ato do espetáculo. Antes de cantar “Lua de Cristal”, um dos maiores clássicos de sua carreira, a artista fez um discurso de respeito e inclusão.
Xuxa levantou a voz contra a homofobia, o racismo, a misoginia, o etarismo e o capacitismo, reforçando uma mensagem de combate ao preconceito e de respeito às diferenças.
Então, quando os primeiros acordes de “Lua de Cristal” começaram, o público respondeu em coro. Milhares de pessoas cantaram junto a música que atravessou décadas e permaneceu ligada à memória afetiva de diferentes gerações.
A artista de hoje também aparece
O espetáculo se apoia fortemente na nostalgia, mas abre espaço para a mulher que Xuxa é aos 63 anos. Ao tratar de respeito às diferenças, preconceito, preservação ambiental e liberdade, ela aproxima as lembranças da infância de assuntos que fazem parte de sua atuação pública hoje.
A relação com o público LGBTQIAPN+ ganha destaque nesse encontro entre passado e presente. Muitos fãs que acompanharam Xuxa quando crianças mantiveram viva sua música ao longo dos anos e agora encontram, no show, uma mensagem dirigida também à vida adulta.
Essa camada dá outro sentido à reunião de tantos símbolos conhecidos. A apresentadora não precisa fingir que voltou no tempo para ocupar o palco: ela pode revisitar o que criou e falar com pessoas que mudaram junto com ela.
Com informações da Banda B.
Leia o resumo da notícia
Público e estrutura: Cerca de 40 mil pessoas lotaram a Arena da Baixada, em Curitiba, para a estreia do show "O Último Voo da Nave", marcado por uma megaestrutura 360° e pelo voo da icônica nave da apresentadora sobre o estádio.
Repertório e participação especial: A apresentação percorreu quatro décadas de carreira — incluindo sucessos dos anos 80/90 e do Xuxa Só Para Baixinhos — e contou com um reencontro emocionante no palco com 13 ex-Paquitas de diversas gerações.
Posicionamento e legado aos 63 anos: O espetáculo uniu a nostalgia afetiva a mensagens atuais trazidas por Xuxa sobre diversidade, apoio à comunidade LGBTQIAPN+ e combate a preconceitos como etarismo, homofobia e racismo antes do encerramento com "Lua de Cristal".



