Museu Campos Gerais lança a exposição 'Tramas Ancestrais' | aRede
PUBLICIDADE

Museu Campos Gerais lança a exposição 'Tramas Ancestrais'

A exposição pode ser visitada de terça a sábado das 9h até às 11h45 e das 13h até às 17h. A entrada é gratuita

Exposição Tramas Ancestrais: saberes para sustentar mundos
Exposição Tramas Ancestrais: saberes para sustentar mundos -

Publicado por Julia Sansana

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

O Museu Campos Gerais lançou a exposição Tramas Ancestrais: saberes para sustentar mundos. A exposição busca responder uma pergunta: como diferentes povos indígenas sustentam a vida, a memória e o território por meio de relações construídas ao longo de muitas gerações? Em vez de organizar o percurso por cronologias, regiões ou etnias, optamos por construir uma narrativa baseada nas conexões entre corpo, território, trabalho, conhecimento, ancestralidade e futuro.

Os objetos reunidos — redes, cestos, cerâmicas, cocares, instrumentos de caça, grafismos, utensílios do cotidiano e vestígios arqueológicos — não são apresentados como peças isoladas ou curiosidades etnográficas. Cada um deles é compreendido como expressão material de saberes que continuam vivos. Mais do que testemunhos do passado, são evidências de formas de conhecer, ensinar, produzir, cuidar e habitar o mundo.

A exposição nasce também de uma reflexão sobre o próprio papel do Museu Campos Gerais. As coleções aqui reunidas começaram a ser formadas ainda na década de 1940, quando o então Centro Cultural Euclides da Cunha estruturou um museu dedicado à história natural, à arqueologia e à cultura material indígena. Ao longo das décadas, esses objetos passaram de utensílios do cotidiano para documentos preservados em uma instituição de memória. Hoje, procuramos recolocá-los em circulação, aproximando-os das reflexões produzidas por intelectuais indígenas contemporâneos e dos debates atuais sobre patrimônio, território e direitos indígenas.

O Diretor de Ação Educativa no Museu Campos Gerais, Ilton Cesar Martins, explica que o percurso inicia antes mesmo do primeiro objeto. A trama suspensa, as redes, a iluminação e as notícias contemporâneas convidam o visitante a desacelerar o olhar e compreender que a exposição será organizada pelas relações, e não apenas pelas peças expostas. Ao trazer notícias recentes sobre os povos indígenas para o espaço expositivo, afirmamos que essas histórias pertencem ao presente.

Os núcleos seguintes acompanham diferentes dimensões da experiência indígena. O corpo aparece como lugar de memória e aprendizagem; os territórios revelam conhecimentos construídos na convivência com florestas, rios e animais; os objetos do cotidiano demonstram tecnologias sofisticadas ligadas à alimentação, à cestaria, à cerâmica e ao trabalho coletivo. Em seguida, as cosmologias indígenas ampliam a reflexão ao apresentar um mundo constituído por relações entre humanos e outros seres, desfazendo separações rígidas entre natureza e cultura.

O percurso encerra-se com a aproximação entre arqueologia e etnologia. Fragmentos cerâmicos, pontas de projétil e objetos contemporâneos compartilham o mesmo espaço para afirmar que a história indígena não é uma sequência de desaparecimentos, mas de permanências, transformações e reinvenções. O painel inspirado na tradição Kaingang de Kamé e Kairu reforça essa compreensão ao apresentar o mundo como uma trama de relações continuamente renovadas.

Ilton Cesar Martins, explica que esta exposição foi concebida por uma instituição não indígena, condição que reconhecemos de maneira explícita. Os organizadores não pretendem falar em nome dos povos originários nem oferecer interpretações definitivas. O objetivo é construir um espaço de aproximação, escuta e aprendizagem, consciente de que toda escolha curatorial envolve responsabilidades, limites e ausências. 

"Esperamos que a visita desperte menos respostas prontas e mais perguntas. Se ao final do percurso os objetos deixarem de ser vistos apenas como artefatos e passarem a ser reconhecidos como fios de uma vasta trama de conhecimentos, memórias e relações, a exposição terá alcançado seu principal propósito", finaliza Ilton Cesar Martins.

Com informações da assessoria. 

Confira o resumo da notícia 

Conceito e Estrutura da Exposição: O Museu Campos Gerais lançou a exposição "Tramas Ancestrais: saberes para sustentar mundos", que explora como diferentes povos indígenas mantêm vivos sua memória, território e vida através das gerações. Em vez de uma divisão cronológica ou geográfica tradicional, o percurso foca na conexão entre o corpo, trabalho, conhecimento e ancestralidade. Logo na entrada, tramas suspensas, redes e notícias atuais são integradas ao espaço para sinalizar ao visitante que os povos indígenas e suas histórias pertencem ao presente.

Narrativa dos Objetos e Acervo Histórico: Os artefatos reunidos (como redes, cocares, cerâmicas e vestígios arqueológicos) não são tratados como meras curiosidades isoladas, mas como expressões de tecnologias e saberes ainda vivos. O acervo, que começou a ser coletado na década de 1940 pelo antigo Centro Cultural Euclides da Cunha, foi recolocado em circulação pelo museu para dialogar com as reflexões de intelectuais indígenas contemporâneos e com os debates atuais sobre direitos e patrimônio.

Visão Curatorial e Propósito: Idealizada por uma instituição não indígena, a organização assume explicitamente seus limites e esclarece que não busca falar em nome dos povos originários ou trazer respostas definitivas. Segundo Ilton Cesar Martins, Diretor de Ação Educativa do museu, o objetivo central é criar um ambiente de escuta e aprendizagem que provoque questionamentos no público, transformando a percepção dos visitantes para que vejam os artefatos como fios de uma rica trama de conhecimentos e relações.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right